Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
mañá de augas mariñas, caen brillantes as escamas dos peixes

 

Nada máis entreabertos os ollos

danados polo sol, a claridade restitúe

essa visión de casa nas orelas,

limoeiros e mastros.

 

Doce mar axustado como se fose anelo,

Sobor do gran espello os arroaces

mentres se abren azuis e mil músicas.

 

Como o home pregunta se isto é felicidade

e abriga o corpo incauta paz, día de verán ...

 

Sucede algo inconcreto, que non dura,

faime sentir a mediodía soa

e as incribles Cíes

pola miña xanela.

 

***

Xohana Torres (1931 )

Santiago de Compostela - Galiza

 

**************************************


lido em: antologia de poesia galega

publicado por carlossilva às 12:52
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Terça-feira, 31 de Março de 2009
primeiro foi o mar

Primeiro foi o mar
dempois a pedra.
C.E. FERREIRO


Primeiro foi o mar, dempois a pedra.
¿Qué quedará de nós?... Unha espuma levísima,
fado de Amalia para unha travesía.
¿Qué loita de navíos?...
¿Ónde o naufragio daquela Nau Preta?...

Primeiro foi o mar, mais non é certo
que a corrente nos leve:
Correspóndelle á onda repetirse de novo,
devolver algo vivo por unha dor tremenda.

Alas pasan, indómitas, altas como trofeos.
Sobrevoan a orela onde ti e máis eu nunca estivemos.
Arestora que parou de chover
corenta días e corenta noites
é preciso esquecer o diluvio,
decir que xa podemos coroarnos
cun ramallo de olivos.

Ah, si, país de outono dende un trono de sombras!

Hai un porto inmediato afincado nas pedras.

Agora
só a barca varada e nós mesmos.

***

Xohana Torres (1931)

Santiago de Compostela (Galiza)

***************************

 

Primeiro foi o mar
depois a pedra.
C.E. FERREIRO

 

Primeiro foi o mar, depois a pedra.
Que ficará de nós?... Uma espuma levíssima,
fado de Amália para uma travessia.
Que luta de navios?...
Onde o naufrágio daquela Nau Preta?...

Primeiro foi o mar, mas não é certo
que a corrente nos leve:
Compete à onda repetir-se de novo,
devolver algo vivo por uma dor tremenda.

Asas passam, indómitas, altas como troféus.
Sobrevoam a orla onde tu e eu nunca estivemos.
Agora que parou de chover
quarenta dias e quarenta noites
é preciso esquecer o dilúvio,
dizer que já podemos coroar-nos
com um ramo de oliveiras.

Ah, sim, país de Outono desde um trono de sombras!

Há um porto imediato cravado nas pedras.

Agora
só a barca encalhada e nós mesmos.

[trad: cas]

 



publicado por carlossilva às 00:46
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