Terça-feira, 20 de Março de 2012
poema 38

 

Ya no me torturan las sogas

que prometías colgar

de los árboles que el invierno devora.

 

Haz los nudos que tu miedo convenga

y dale a la muerte lo que ambos deseáis.

Que se cumpla tu voluntad sobre tu persona.

 

No seré yo quien te salve.

 

Las manos que golpean como las piedras que arrojan

sólo magullarán el vacío.

Y tus lágrimas habrás de secarlas

en algún otro sexo.

 

Tu muerte ya no te servirá de amenaza.

 

Sin embargo todavía me queda amor

si eso pudiera aliviarte.

Para ti y para las aceras rotas de La Haya.

Para ti y para el hombre que vende manzanas podridas en el mercado.

Para ti y para los huecos de las paredes de mi cuarto.

 

Mientras vivas

cuidaré de ti

como cuido de mirar el suelo que piso

como cuido de escoger las manzanas con mis manos

y de no esconder los agujeros.

 

***

 

 

miriam reyes

 

ourense, 1974

 

*

 

 

POEMA 38


 

Já não me torturam as sogas

que prometias pendurar

das árvores que o Inverno devora.

 

Faz os nus que ao teu medo convenha

e dá à morte o que ambos desejais.

Que a tua vontade se cumpra sobre a tua pessoa.

 

Não serei eu quem te vai salvar.

 

As mãos que ferem como as pedras que lançam

só magoarão o vazio.

E terás de secar as tuas lágrimas

nalgum outro sexo.

 

A tua morte já não te servirá de ameaça.

 

No entanto ainda me resta amor

se isso puder aliviar-te

Para ti e para os passeios rombos de Haia.

Para ti e para o homem que vende maçãs podres no mercado.

Para ti e para os ocos das paredes do meu quarto.

 

Enquanto viveres

tratarei de ti

como trato de olhar o chão que piso

como trato de escolher as maçãs com as minhas mãos

e de não esconder os buracos.

 

 

*

 

[tradução: alberto augusto miranda]


lido em: http://martelo.com.sapo.pt/incomunidade_06.htm

publicado por carlossilva às 03:30
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
espejo negro

ESPEJO NEGRO

1
Mi padre enfermo de sueños
en el asfalto incandescente de cien mil mediodías caminados
bajo el sol en vertical
perdió sus pies
y apoyado en sus rodillas sigue buscando
el camino de vuelta a casa.
Mi padre sueña,
rendido por el cansancio,
que vuelve a su tierra y planta sus piernas y le crecen pies jóvenes
y la savia de su tierra negra le alivia el dolor de las arrugas
y resucita sus cabellos muertos.
Luego despierta en un piso alquilado a la ciudad de los huracanes de la miseria
y blasfema y maldice y no tiene amigos.

Escondido en la noche
papá llora por las certezas que lo defraudaron.
Del otro lado de su piel
mamá llora por mamá
mamá llora por su casa que ya no habita
y por paz y reposo y risa.

Papá y mamá lloran
cada uno a espaldas del otro en la cama
en el más crudo estruendoso hermoso silencio
que modula en frecuencias infrahumanas
sonidos que se articulan como palabras:
“si aquí no están mis sueños
cómo puedo dormir aquí”.
Y que sólo yo escucho
con la cabeza enterrada en la almohada.

Concebida de la nostalgia
nací con lágrimas en el sexo con tierra en los ojos con sangre en la cabeza.
No soy lo que soñaron
como tampoco lo son sus vidas.

 

***

miriam reys

ourense, 1984

 

*



***

ESPELHO NEGRO

1
O meu pai doente de sonhos
no asfalto incandescente de cem mil dias caminhados
debaixo do sol na vertical
perdeu os pés
rastejando com os joelhos continua à procura
do caminho de volta para casa.
O meu pai sonha,
derrotado pelo cansaço,
que volta à sua terra, planta as pernas e que lhe crescem pés jovens
e que a seiva da sua terra negra lhe alivia a dor das rugas
e lhe ressuscita os cabelos mortos.
Depois desperta num andar alugado na cidade dos furacões da miséria
e blasfema e maldiz e não tem amigos.

Escondido na noite
o papá chora pelas certezas que o defraudaram.
Do outro lado da pele
a mamã chora pela mamã
a mamã chora pela sua casa onde já não mora
e por paz e descanso e riso.

O papá e a mamã choram
cada um de costas para o outro na cama
no mais cru estrondoso formoso silêncio
que modula em frequências infra-humanas
sons que se articulam como palavras:
“se aqui não estão os meus sonhos
como posso dormir aqui?”.
Só eu os escuto
com a cabeça enterrada na almofada.

Concebida da nostalgia
nasci com lágrimas no sexo com terra nos olhos com sangue na cabeça.
Não sou o que sonharam.
Tão pouco as suas vidas o são.

 

[trad: aam]


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.com/search/label/miriam%2

publicado por carlossilva às 09:49
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