De vez em quando a insónia vibra com a nitidez
dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se
ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insupor-
tável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa:
"o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim,
deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais
gasta do meu corpo, esmagar o coração".
***
carlos de oliveira
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Escrevo-te agasalhando o nosso amor,
que o tempo é este inverno sem disfarce:
Pelos meus olhos fartos de miséria
Mereço bem a luz da tua face.
Mas no meu coração as pobres coisas
choram, a cada lágrima exigida,
a tristeza precisa pra que eu saiba
quanto custa a alegria duma vida!
***
Carlos de Oliveira
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As palavras
cintilam
na floresta do sono
e o seu rumor
de corças perseguidas
ágil e esquivo
como o vento
fala de amor
e solidão:
quem vos ferir
não fere em vão,
palavras.
***
Carlos de Oliveira (1921 - 1981)
Belém do Pará (Brasil)
19 de abril 2013
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