Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
memoria

 

Hay días en los que fui dura

como me correspondia

y él llorava esperándome

creyendo que todo había sido um mal sueño.

Otros fui piadosa,

regresé a su lado para que no sufriera,

y otros, al mismo tiempo,

regresé por miedo a no tenerle cerca

y perderlo para sempre sin lograr nada a canbio.

Siempre fui por dentro el dolor y las ânsias,

tuve el deseo de llenarme del todo

y se me vació el amor y el cariño y la lástima

y empapé el oceano.

Después de aquel verano

me alcé com el mando de la tribu

y fui rescatada para ejercer desde el silencio

la fuerza neesaria para que otros gritaran.

Le vi cambiar de nombre

y yo me liberé de los ancestros.

 

***

 

almudena vidorreta torres

 

*

 

Memória

 

Houve dias em que fui dura

como me correspondia

e ele chorava esperando-me

crendo que tudo tinha sido um pesadelo.

Outros fui piedosa,

regressei a seu lado para que não sofresse,

e outros, ao mesmo tempo,

regressei por medo de não o ter perto

e perde-lo para sempre sem conseguir nada em troca.

Sempre fui por dentro da dor e das ânsias,

tive o desejo de encher-me de tudo

e esvaziou-se-me o amor e o carinho e a pena

e encharquei o oceano.

Depois de aquele verão

Tomei o comando da tribo

 fui resgatada para exercer a partir do silencio

a força necessária para que outros gritassem.

Vi-o mudar de nome

e libertei-me dos antepassados.


*

 

[trad: cas]


lido em: Lengua de Mapa

publicado por carlossilva às 19:24
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
en otro lugar se quedó desnuda

 

En otro lugar se quedó desnuda

y le dio su cuerpo al lobo más hambriento de la ciudad.

 

En otro lugar le abrió su casa al enemigo

y le dijo toma todo cuanto quieras.

 

En otro lugar bailó tanta agua

que se le humedecieron las entrañas

y se pudrió por dentro.

 

En otro lugar vino tanta gente a verla

que el aplauso se volvió tormenta de verano

y la cabeza le estalló con tanta niebla y tanto caracol

y tanto agosto y tanto fuego.

 

En otro lugar se rindió,

se dejó llevar por el instinto en otro lugar

y se tumbó a sobrevivir a sus pies

para lamerle las heridas del camino...

y vivió en otro lugar la vida a rastras.

 

En otro lugar,

no en este.

 

***

 

almudena vidorreta torres

 

*

 

Num outro lugar ficou nua

e deu o seu corpo ao lobo mais faminto da cidade.

 

Num outro lugar abriu sua casa ao inimigo

e lhe disse leva tudo quanto queiras.

 

Num outro lugar bailou tanta água

que as entranhas humedeceram

e apodreceu por dentro

 

Num outro lugar veio vê-la tanta gente

que o aplauso tornou-se tormenta de verão

e a cabeça estourou com tanta névoa e tanto caracol

e tanto agosto e tanto fogo.

 

Num outro lugar se rendeu,

se deixou levar pelo instinto num outro lugar

e caíu sobrevivendo a seus pés

para lamber as feridas do caminho...

e viveu num outro lugar a vida de rastos.

 

Num outro lugar,

não neste.

 

[trad: cas]


lido em: Lengua de Mapa

publicado por carlossilva às 13:56
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
soy la mirada indiscreta...

 

Soy la mirada indiscreta que repasa a tus padres,
la falda de la última amiga de la lista,
los rizos del poeta escarmentado,
las manos de quien más me importa.
Después me hago pasar por un vaso de cristal
y apenas sin darme cuenta
me hago añicos a seis por ocho.
Nadie en esa sala padece ni un mísero corte,
ni tan siquiera un rasguño
a pesar de golpearse contra mí, de pisarme...
No se dan cuenta, no sienten
y presumen de ganarse la vida con ello.
Soy la mirada indiscreta que apunta a tus padres;
los repaso con un ritmo acelerado
mientras, casi al mismo tiempo, soy un vaso de cristal.
Cuando deja de sonar la música
eres tú quien sangra mis heridas
porque estoy empeñada en mutilarme
revolcada en cristales viejos
y sólo una buena cola
puede reparar al vaso suicida...
esta vez a dos por cuatro.

 

***

almudena vidorreta

zaragoza, 1986

 

*

 

Sou o olhar indiscreto que examina teus pais,
a saia da última amiga da lista,
o riso do poeta ,
as mãos de quem mais me importa .
Então faço-me passar por um copo de cristal
e quase sem me aperceber
desfaço-me em pedaços de seis dos oito.
Ninguém naquela sala sofre um mísero corte
nem sequer um arranhão
apesar de esbarrar contra mim, de me pisar ...
Não se apercebem, não sentem
e presumem com isso ganhar a vida.
Sou o olhar indiscreto apontando a teus pais;
examino-os em ritmo acelerado
enquanto, quase ao mesmo tempo, sou um copo de cristal.
Quando a música pára de tocar
és tu quem sangra minhas feridas
porque estou empenhada em mutilar-me
espojada em vidros velhos
e apenas uma boa cola
pode reparar o copo suícida ...
desta vez em dois por quatro.

 

[trad-cas]



lido em: http://www.labellavarsovia.com/autores/vidorreta.html

publicado por carlossilva às 19:34
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