Terça-feira, 14 de Abril de 2009
stabat mater dolorosa



Stabat mater dolorosa
o seu corpo tendido, moldeando o chan imenso, dando
forma aos camiños,
nos montes o rostro suavemente choroso, desfeito en água,
río ou mar constante,
dando vida a un pracer do que xa non tivese memória.
Pura extensión, a nai que nos leva da man das estrelas e
nos deixa no berce dun terror infinito.
Estaba, está, estará, se é posible imaginar a nosa
esperanza ,
xunto aos edificios moribundos, de onde penduran atroces
palabras, gallardetes de festa, imortais danzas nas que deuses
humanos se desangran para beber-se a si mesmos e blasfemar-se.
Coas mans e cos pés está a nai nas raíces nacidas da
rebelión dos humildes, mansedume estarrecedora rebentando
tambores.
Fermosa nas marusias do cabelo xa canso, nos seos
acendidos por amores ocultos, ainda a paixón titilante baixo as
xemas do cemento, nos ollares famintos, nos esgotos, nas luces
dos metais soñadores
tan só co poder que florece das vítimas, estaba
ao portón da xuxtiza que se abre á vinganza,
estará, continuará estando,
polos fillos dos fillos dos fillos,
presenciando unha morte: a do fillo que a mata.


 ***

Luisa Villalta (1957-2004)

A Coruña - Galiza

******************************++

Stabat mater dolorosa
o seu corpo tendido, moldando o chão imenso, dando
forma aos caminhos,
nos montes o rosto suavemente choroso, desfeito em água,
rio ou mar constante,
dando vida a um prazer do que já não tivesse memória.
Pura extensão, a mãe que nos leva pela mão das estrelas e
nos deixa no berço dum terror infinito.
Estava, está, estará, se é possível imaginar a nossa
esperança,
junto aos edifícios moribundos, de onde penduram atrozes
palavras, galhardetes de festa, imortais danças nas que deuses
humanos se dessangram para beber-se a si mesmos e blasfemar-se.
Com as mãos e com os pés está a mãe nas raízes nascidas da
rebelião dos humildes, mansidão estarrecedora rebentando
tambores.
Formosa nas maresias do cabelo já cansado, nos seios
acesos por amores ocultos, ainda a paixão cintilante sob as
gemas do cimento, nos olhares famintos, nos esgotos, nas luzes
dos metais sonhadores
tão só com o poder que floresce das vítimas, estava
ao portão da justiça que se abre à vingança,
estará, continuará estando,
pelos filhos dos filhos dos filhos,
presenciando uma morte: a do filho que a mata.

 

[trad: cas]



publicado por carlossilva às 00:54
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