Quinta-feira, 21 de Março de 2013
bilhete

 

rio fênix por que escreveríamos river phoenix? talvez para que em sua língua você ressurja das cinzas menino-rio de um rio tão distante que se perdeu da vista se perdeu da mãe no imenso abraço-oceano a mãe-baleia com seu urro urrando bramindo em céu noturno, insano bramindo buscando o rio-mar que o rio de tão solar é rio escuro e se adormece em seus braços então por que não chamá-lo? por que não acordá-lo para que venha e nossa língua ressurja das cinzas menino de olhos cor-do-rio menino bonito sob o sol vou chamá-lo de cristalino assim para que ria pássaro sem mágoas que a palavra escrita aqui nessa língua é river e se espalha quando voam suas asas sobre a minha casa e menino você rindo azula os seus cinzas sobre o rio como a fênix flutuando sobre a água,

 

***

 

jussara salazar

 

*


lido em: http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao42_2.htm#jussaras

publicado por carlossilva às 14:48
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Terça-feira, 19 de Março de 2013
meu coração é um violino

 

Meu coração é um violino.
Lá fora sopra o vento
forte contorcendo o mar.
Penso no infinito.
La fora passa o vento
digladiando com o mar.
A ideia é um precipício.
Por que há o vento
penso no princípio,
no sem fim, no caminho.
Triste verso que agora escrevo
(e que alguém vai lendo),
pensar é um abismo.
Sou pequeno bem pequeno,
mas minhas mãos tem gestos
que nunca terminam.
***
felipe stefani
são paulo, 1975
*

lido em: http://cultuar.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 08:11
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Sábado, 16 de Março de 2013
lavar-me-ei mais tarde

 

sob os leitos do rio me dou

noite equestre, selvagem

a tatuagem golpeia

esta arena de saibro

relógio de esperanto e bruta

 

derramo sobre o tojo

a sede e o veneno

 

lavar-me-ei mais tarde

o meu corpo etiquetado

aproxima-se de outro em monte

aguarda, o costume.

 

qual o lado da verdade quando se alapa

e trunca sobre o poder sua farpa de origem:

ou morres ou és sacana, estás comigo ou és contra mim?

 

***

 

aurelino costa

 

*


lido em: DOMINGO NO CORPO

publicado por carlossilva às 12:28
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013
Cuando la noche se inclina

 

Cuando la noche se inclina y parece que pronuncia tu nombre, hundes tus manos en la oscuridad y buscas a tientas el cuerpo inabarcable de tu memoria.

 

Ese pálpito en la punta de los dedos, la densa respiración de todo cuanto existe, te obliga a permanecer en la sombra.

 

Ninguna imagen tiembla en el espejo. Ninguna superficie se apiada de ti.

 

Todo está vuelto sobre sí mismo y nada consigue reflejarte. Una pausa, y el tiempo detenido cae sobre tu silencio.

 

Cuántas palabras a punto de oscurecerse bajo tu lengua. Cuánto deseo en los ojos que se abren por última vez.

 

Apártate un poco y comprende que nada podría ser el inicio ni el centro en este cuarto cerrado. Que todo será dicho de golpe en medio de la sombra y muy lentamente.

 

***

 

lucia estrada

  

*

 

 

 

Quando a noite se inclina e parece que pronuncia teu nome, afundas tuas mãos na escuridão e procuras às apalpadelas o corpo inabordável da tua memória.

 

Essa palpitação na ponta dos dedos, a densa respiração de tudo quanto existe, te obriga a permanecer na sombra.

 

Nenhuma imagem treme no espelho. Nenhuma superfície se compadece de ti.

 

Tudo está voltado sobre si mesmo e nada consegue reflectir-te. Uma pausa, e o tempo detido cai sobre teu silêncio.

 

Quantas palavras prestes a escurecer sob a tua língua. Quanto desejo nos olhos que se abrem pela última vez.

 

Afasta-te um pouco e compreende que nada poderia ser o início nem o centro neste quarto fechado. Que tudo será dito de golpe no meio da sombra e muito lentamente.


*


[trad: cas]


lido em: http://ginebramagnolia.wordpress.com/2009/12/26/lucia-estrad

publicado por carlossilva às 13:08
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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
quero aprender todos os oficios do mundo

 

Para facer calquera outra cousa

E seguir pensando en ti ao mesmo tempo

Quero ser un traballador manual

Para pensar en Lorca e nas túas mans

Como dous países

E seguir facendo calquera outra cousa

Quero construír para pensarte

Unha casa sen teito

Pero que teña o chan na endosfera

Quero descansarte nun colchón estratosférico e voador de follas de carballo

Quero quererte flexible e irreflexivo

Quero quedarme quieto e emplamado

Coma un boneco de granito e tenrura

(Continuará)

 

***

 

antón reixa

 

*


lido em: Látego de algas

publicado por carlossilva às 15:17
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013
hoje as estrelas conversan connosco

 

hoje as estrelas conversam connosco todo o tempo do mundo. abro a porta à lua. convido-a para um chá. no aconchego da noite. hoje os buracos negros são a génese de toda a criação. o caos primordial. abro a porta à luz. convido-a a despertar-nos. srenamente. no aconchego dos sonhos. hoje tem início a gestação de novos sóis. abro a porta ao universo. convido-o para dançar. pela intemporalidade. no aconchego da paz. hoje o yn e o yang estão em harmonia no planeta. as raízes nascem. crescem. multiplicam-se. abro a porta à vida. abençoada. convido-me a acordar. no aconchego de existir.

 

***

 

ana eugénio

 

*


lido em: Sagração do Dia

publicado por carlossilva às 08:05
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Terça-feira, 12 de Março de 2013
"lesões incompatíveis com a vida"

 

se me amas

dependura o umbigo na saia

 

lúcifer reluz de tanta beleza

maculada em teus seios de virgem

feroz e atenta

 

segura-me na mão e beija-me o tornozelo

num acepipe amargo, tanto cheiro a lava

 

ou esconde-me o peito num calcetar de godo

na nite de montemor

 

incendiada de mosto

bosta e feno

 

ouço

o teu olhar

 

num re_dor

 

o murmúrio canta_bílis.

 

***

 

aurelino costa

 

*


lido em: DOMINGO NO CORPO

publicado por carlossilva às 00:06
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Segunda-feira, 11 de Março de 2013
lição das ondas

 

mão áspera a passar os dias a limpo
como sorvendo manhãs de chuva
mordendo amiúde a lição das ondas

 

desprecisar

 

é um exercício de linguagem. o que sobra

 

transposição das ravinas que seguram o voo das aves

 

***

 

sandra guerreiro dias

 

*


lido em: http://liberatura.net/

publicado por carlossilva às 08:33
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Domingo, 10 de Março de 2013
ditame

 

Já a viver de memórias,
onde os passos agudam-se para o mundo;
na espessa carne, a fronteira, fardo
de um inútil ditame.

 

As mãos, quanto se assenhorem
do anonimato dos gestos, da partida;
a insubstância de dentro
suga e se apodera da vida.

 

Mãos e pés destinados
regressam ao mais longe,
errando numa espécie de fim;
vão recordando este começo.

 

***

 

roberta tostes daniel

 

*


lido em: http://sedemfrenteaomar.wordpress.com/author/robertatostes/

publicado por carlossilva às 08:25
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Sábado, 9 de Março de 2013
graffiti

 

Sur la terrasse du motel, parmi les collines,

     cogne le vin rouge, il n'a aucune pitié.

Dans les vignes, des crânes de cheval, bleuâtres,

      brillent, plantés sur les pieux.

 

Le soir descend soudain sur le monde.

      Comme si, au loin,

           à l'autre bout de l'autoroute,

      un motard qui roulait follement

      s'était cogné contre le mur blanchâtre de l'horizon,

             en l'empourprant.

 

***

 

linda maria baros

 

*

 

graffiti

 

No terraço do motel, entre as colinas,

     pisa o vinho tinto, sem qualquer piedade.

Nas vinhas, crânios de cavalos, azulados,

     brilham, plantados sobre as estacas.

 

A noite desce de repente sobre o mundo.

      Como se, ao longe,

          no outro extremo da auto estrada,

      um motard que rolava loucamente

      tivesse colidido contra a parede esbranquiçada do horizonte,

          ruborizando-a.

 

*

[trad: cas]


lido em: L'Autoroute A4

publicado por carlossilva às 12:28
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