Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2013
alma malher


Yo también lo prefiero.
Es más bella la mano
al pulsar una cuerda invisible.

 

Cuando duermes,
reaparecen las tres mil sombras de tus dedos
tejiendo filigranas
en el oscuro cuello del dragón.

 

Te miro inquieta
sin atreverme a respirar.
Es la hora más alta
del doble vuelo nocturno.

 

Escribo en la seda de tus párpados
mi temor de perderle,
de que huya como un gato por los techos,
de que salte y reviente la cuerda

 

de todas las campanas del mundo,
de que se despeñe con el sonido metálico
de un arcángel
en el centro mismo de la orquesta.

 

Yo también lo prefiero
cóncavo y oscuro.

 

La clave blanca y negra
de todo cuanto existe
se advierte
en su sinfonía de agujas.

 

***

 

lucía estrada

 

medellin (colombia), 1980

 

*

ALMA MALHER


Eu também o prefiro.
É mais bela a mão
ao pulsar uma corda invisível.


Quando dormes,
reaparecem as três mil sombras de teus dedos
tecendo filigranas
no escuro pescoço do dragão.


Olho-te inquieta
sem atrever-me a respirar.
É a hora mais alta
do duplo voo nocturno.


Escrevo na seda das tuas pálpebras
meu temor de o perder,
de que fuja como um gato pelos telhados,
de que salte e rebente a corda


de todas os sinos do mundo,
de que se despenhe com o som metálico
de um arcanjo
mesmo no centro da orquestra.


Eu também o prefiro
côncavo e escuro.


A chave branca e negra
de tudo quanto existe
se adverte
na sua sinfonia de agulhas.


*


[trad: cas]


lido em: http://www.laurenmendinueta.com/lucia-estrada-el-don-de-la-p

publicado por carlossilva às 08:00
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013
contemplación



el ojo de una rata me observa
su único ojo rojo me mira
y yo miro la oquedad de su ojo izquierdo
por ese hoyo tal vez se pudiesen entrever
otros mares de arena otras orillas
como la primera orilla de la que partí:
en el ojo de fuego de mi madre
entonces todo volvería a arder
el agua ........el ojo .........el fuego
y mi cuerpo se diluiría en arroyuelos y ríos sin fin
pero esa oquedad no existe
sólo mi miedo y el ojo solitario de la rata
que ejerce su dominio sobre mis ojos
que son dos ojos pequeños y miopes
por los cuales ella me observa:
ahogar los abrazos en una parada de autobús
reposar la cabeza sobre el ombligo de mi esposo
tenderme en un rincón y lamer una herida

ahora el viento es suave
y las hojas suben al cielo
desde donde una pequeña ave de rapiña
desafía al sol
y nos contempla

 

***

 

victoria guerrero

 

lima, 1971

 

*

 

contemplação

o olho de uma rata me observa
seu único olho vermelho me olha
e eu olho a cavidade do seu olho esquerdo
por esse buraco talvez se pudessem entrever
outros mares de areia outras margens
como a primeira margem de que parti:
no olho de fogo de minha mãe
então tudo voltaria a arder
a água ........o olho .........o fogo
e meu corpo se diluiria em ribeiros e rios sem fim
mas essa cavidade não existe
só o meu medo e o olho solitário da rata
que exerce seu domínio sobre meus olhos
que são dois olhos pequenos e míopes
pelos quais ela me observa:
afogar os abraços numa paragem de autocarro
repousar a cabeça sobre o umbigo do meu esposo
estender-me num canto e lamber uma ferida

agora o vento é suave
e as folhas sobem ao céu
de onde uma pequena ave de rapina
desafia o  sol
e nos contempla


*

[trad: cas]


lido em: http://urbanotopia.blogspot.pt/2006/10/victoria-guerrero.htm

publicado por carlossilva às 08:58
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013
o rexurdir da alborada: II

 

cúmulo de modulacións

entre as tonalidades

dos meus sentimentos.

 

Ningunha requinta está afinada

ao xeito que quero.

 

A gaita en re

tocando pechado con ternura

porque a melodía da vida é adversa ás veces.

Dentro de min, pinto a escala cromática das emocións.

A ledicia de terte comigo,

dar  a vida polo amor,

o sentimento máis sublime;

a forza interior para seguir en pé,

a desesperación por ter que vivir neste mundo.

tornan en min coa miña sensibilidade inmensa.

Sementarei para vencer o chisco de medo e inseguridade do

porvir

 

Non son laios,

son rebumbios de notas desordenadas

na partituraonde nos mergullamos

nas foulas

deixando atrás o ronsel.

Fóra! O balbordo das elites.

As melodías das vosas voces de mezzo e barítono

voan no ar.

 

E rebotan por leis da física

e chegan até o meu corazón,

bulindo despois até a testa teimuda

da xogadora dos 64 escaques.

 

A paisaxe emocional esvaida no taboleiro

nas regras do xogo, da arte máis complicada.

 

No mundo que nos queren impor

o son das ondas espontáneas

difiren dos da frauta rectificada.

 

Cavilo sobre a maré

de lembranzas presentes

de ardentía

alumeandodeste xeito a paixón

dos tempos qu son chegados,

á nosa terra luar

de soños reais de amor.

 

***

 

alba méndez

 

*


lido em: Sétimo andar, poesia alén

publicado por carlossilva às 08:42
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013
caperucita roja

 

 

Al otro lado de este bosque inmenso
me espera el mundo. Todo lo que he visto
sólo en mis sueños tiene que esperarme
al otro lado de este bosque. Es hora
de ponerme en camino, aunque el viaje
se lleve varios años de mi vida.
De pronto escucho aullar la voz de siempre,
la que siempre ha logrado detenerme:
"Al lado de este bosque, niña,
sólo espera la casa en la que mueres".

 

***

 

amalia bautista

 

madrid, 1964

 

*

 

capuchinho vermelho

 

No outro lado deste bosque imenso
me espera o mundo. Tudo o que vi
só nos meus sonhos tem que me esperar
no outro lado deste bosque. É a hora
de pôr-me a caminho, ainda que a viagem
leve vários anos da minha vida.
De súbito ouço uivar a voz de sempre,
a que sempre conseguiu deter-me:
"Ao lado deste bosque, menina,
só espera a casa em que morres".


*

 

[trad: cas]



lido em: http://www.poemas-del-alma.com/amalia-bautista.htm

publicado por carlossilva às 08:38
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013
poemas

 

todos los años del mundo se empujan dentro de mi locura
de mi caída a lo inevitable roto y a lo perdido
pero qué sino perderme
qué sino ahogarme en esta tormenta que trueno
mujer de lluvia como tal ad aeternum
ex profeso de volverme sombra y luz e indivisible uno

 

***

 


vivo en un cuerpo que llora de forma extraña
que desjironado se desnutre y atenta contra este universo que es mi medida del mundo
tan pequeña
(así)
que en sí no cabe
y me amanece hache bajo el brazo de nuestras erres

 

 

***

 


aun así intento descifrar la espera pero en el camino abro nichos con las manos
y en el ocaso enveneno el aire buscando momentos que no sean blancos
adivino otro juego y los brazos se lanzan a través de la ventana porque la caída no es tan grave
huesos rotos y sangre bajo las marcas que no escondo las señales de otro intento
hoy tampoco supe volar
y la tierra se cubrió de pétalos abriendo llaga en equilibrio
desorientando
dirigiendo rastro sobre rastro
que otra vez desfilan luces sobre caras sin boca en este amanecer de ojos extraños y a vuelta abiertos a escándalo
y yo asesiné el fin del día pasado y los retazos de noche aún me manchan las mejillas teñidas de polen

 

***

 

izasqun gracia quintana

 

bilbao, 1977

 

*

 

Poemas

 

 

 


todos os anos do mundo se empurram dentro da minha loucura
de minha queda ao inevitável perdido e ao perdido
mas quê se não perder-me
quê se não afogar-me nesta tormenta que trovejo
mulher de chuva como tal ad aeternum
ex-professo de tornar-me sombra e luz e indivisível uno

 

***

 


vivo num corpo que chora de forma estranha
que esfarrapado se desnutre e atenta contra este universo que é minha medida do mundo
tão pequena
(assim)
que em si não cabe
e me amanhece agá debaixo do braço dos nossos erres

 

 

***

 


ainda assim tento decifrar a espera mas no caminho abro nichos com as mãos
e no ocaso enveneno o ar buscando momentos que não sejam brancos
adivinho outro jogo e os braços se lançam através da janela porque a queda não é tão grave
ossos partidos e sangue sob as marcas que não escondo os sinais de outra tentativa
hoje também não soube voar
e a terra se cobriu de pétalas abrindo chaga em equilíbrio
desorientando
dirigindo rasto sobre rasto
que outra vez desfilam luzes sobre rostos sem boca neste amanhecer de olhos estranhos e na volta abertos a escândalo
e eu assassinei o fim do dia passado e os fragmentos de noite ainda me mancham as bochechas tingidas de pólen


***


[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.pt/2007/06/izaskun-gr

publicado por carlossilva às 08:30
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013
aprende a cocinar


La harina que te manchó una vez las manos, no se puede limpiar.

Aprende a cocinar. A ser mujer. Moldéanos la sangre

como un cuerpo de barro, mundo tierno, blancura

del corazón famélico: moldéalo, que aún está caliente. 

 

Qué va a ser de esta niña, carne de bibliobús,

no me come verdura y duerme mal; esta niña

que invita a los ratones de las eras para tomar el té,

que tiene pesadillas geométricas, tos,

escoliosis; le da miedo pedir la vez en la tahona.

 

Esta cría no aprende a cocinar. ¿Qué va a ser de sus manos?

Van manchando de harina lo que aman.

 

***

 

martha asunción alonso

 

madrid, 1986

 

*

 

 

Aprende a cozinhar

 

A farinha que te sujou uma vez as mãos, não se pode limpar.

Aprende a cozinhar. A ser mulher. Molda-nos o sangue

como um corpo de barro, mundo terno, brancura

do coração famélico: molda-o que ainda está quente.

 

Que vai ser desta menina, carne de bibliobus,

não come verdura e dorme mal; esta menina

que convida os ratos das heras para tomar chá,

que tem pesadelos geométricos, tosse,

escoliose; tem medo de pedir a vez na padaria.

 

Esta criança não aprende a cozinhar. Que vai ser das duas mãos?

Vão sujando de farinha o que amam.

 

 

***

 

martha asunción alonso

 

(madrid: 1986)

 

*

 

Aprende a cozinhar

 

A farinha que te sujou uma vez as mãos, não se pode limpar.

Aprende a cozinhar. A ser mulher. Molda-nos o sangue

como um corpo de barro, mundo terno, brancura

do coração famélico: molda-o que ainda está quente.

 

Que vai ser desta menina, carne de bibliobus,

não come verdura e dorme mal; esta menina

que convida os ratos das heras para tomar chá,

que tem pesadelos geométricos, tosse,

escoliose; tem medo de pedir a vez na padaria.

 

Esta criança não aprende a cozinhar. Que vai ser das duas mãos?

Vão manchando de farinha o que amam.

 

 

***


[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.pt/2012/09/martha-asu

publicado por carlossilva às 08:26
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2013
cristal escuro

 

Levo anos flotando n pureza do universo

chocando con miles de países habitados

Levo anos preparándome para a invasión

dos planetas das árbores e as lúas

xirando perigosamente

acercándome perigosamente

ós ocos perdidos das constelacións

Vexo naves preparándose para a invasión

e milesde ollos estoupar na pureza dos corpos

e nada me revolve dentro deste cristal escuro

onde viaxo directamente contra ti

 

***

 

branca novoneyra

 

*

 


lido em: cristal escuro

publicado por carlossilva às 08:22
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013
quero e adoro a túa cabeza de vento transparente, branca, gris, en movemento

 

Quero e adoro a túa cabeza de vento transparente, branca, gris, en movemento

Quero mirarte falando co vento, facéndolle tai-chi verbal ao vento

Quero facerte feliz entre a neve e o sol, entre un século e un milenio

Revélome caprichosamente contra o que impide os desexos e os soños

Revélome caprichosamente contra a contrariedade

(Unha cabeza de vento vista desde lonxe)

 

***

 

antón reixa

 

*


lido em: Látego de algas

publicado por carlossilva às 11:44
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