Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013
VIII

 

encho o faio gústame enchelo

de cousas inútiles tempos esquecidos,

todo o que quixen facer

botes baleiros fotos vellas

xornais antigos mapas xeográficos

por onde só pasei co dedo

non falo inglés non aforro

pois xa aforran os de sempre

son paciente sen causa algunha

acostúmome as adversidades

se hai desgrazas, son miñas

si son éxitos, son doutros

estou descontento

síntome espoliado por outros alleos

en realidade temeroso de min

agoro chego antes ao traballo

cobro menos estou hipotecado

padezo de ansiedade encho o faio.

 

***

 

enrique leirachá gutierrez

 

*


lido em: dezaoito

publicado por carlossilva às 08:39
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2013
aquela varina era gorda

 

Aquela varina era gorda

E pesada

Não tinha a leveza do mar da madrugada

 

nem a frescura

do mar do meio-dia

ou a suavidade

do mar poente

 

mas tinha a magia

de quem traz

à cabeça

um mar ondulante

 

***

 

conceição paulino

 

*


lido em: Falar Mulher

publicado por carlossilva às 16:00
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2013
o pulsar das penas...

 

Quais penas incandescentes desapareceram

das pequenas ossadas emparedadas,

neste corpo roído de suposta bem-aventurança.

Que impedimento me falseia o voar pelas planícies,

já sulcadas,

se tais penas se mortificarão com o meu pulsar.

 

***

 

virgílio liquito

 

*


lido em: Sétimo andar

publicado por carlossilva às 14:23
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013
desabotoo o peito para a noite.

 

Desabotoo o peito para a noite.

Abro a caixa dos segredos,

para me contar os contos de outrora,

retomo os caminhos que diziam no ar.

Doem na garganta os males velhos

de infância mal curada,

de espera fanada,

o medo da palavra atravancada.

Furou-se um pneu neste ciclo de som.

Avanço em linha opaca, com instintos

que tremem como a terra

neste tato.

Olho sem ver senda,

nem sonho de luz,

nem astro,

sempre adiante,

verbo em lábio,

na via Puro-eu a Nós-em-cor.

 

***

 

iolanda aldrei

 

*


lido em: dezaoito

publicado por carlossilva às 08:53
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013
tritanopía


Vuestro odio a los colores ha acabado con ella: vuestro odio a lo pagano y las cuchillas. Flamsteed alejándola de su dolor de estómago: es mi estructura, junto a ella moriré.
Tenéis cuanto queríais. Era Alicia: no el diamante. Ningún destrozo: sí dabais la espalda, mordíais muy profundo. Un mecanismo fácil. Una labor sencilla. Tragad. Despidiéndoos como si fuera la última cerveza junto a vuestros chicos preferidos. Las bombillas son frágiles: igual que sus hilos, terminó rota.
ojos de sapo, mi noche esférica, caries en el saludo, inevitable vomitar: cuanto queríais, en vuestras manos. Sois felices, lo conseguisteis.
Reencarnados en mujeres y en hombres, bailáis con vosotros mismos mientras se oxida vuestra lengua de oro falso:
por error, pisasteis charquitos de saliva venenosa, manchasteis la entrada al dormitorio.
Os empeñáis en un nombre del que ella carece, llamándola te quise siempre, estrecho tu mano, no conozco otro dolor que no haya sido nuestro.
Lo habéis conseguido. Acabasteis con ella. En vuestra mesilla de noche respira minúscula por no despertaros: menos aire, menos aire, pequeña, tonta.

¿Besaréis su cadáver?

 

***

 

elena medel

 

*

 

Tritanopia

Vosso ódio às cores acabou com ela: vosso ódio ao pagão e aos cutelos. Flamsteed afastando-a de sua dor de estômago: é a minha estrutura, junto a ela morrerei.
Tendes quanto queríeis. Era Alicia: não o diamante. Nenhum destroço: sim dáveis as costas, mordíeis muito fundo. Um mecanismo fácil. Um trabalho simples. Tragai. Despedindo-os como se fosse a última cerveja junto de vossos amigos preferidos. As lâmpadas são frágeis: tal como seus filamentos, acabou partida.
olhos de sapo, minha noite esférica, cáries na saudação, inevitável vomitar: quanto queríeis, em vossas mãos. Sois felizes, conseguistes.
Reencarnados em mulheres e homens, bailais convosco mesmos enquanto se oxida vossa língua de ouro falso:
por engano, pisastes pocinhas de saliva venenosa, manchastes a entrada do dormitório.
Empenhais-vos num nome de que ela carece, chamando-a te quis sempre, aperto tua mão, não conheço outra dor que não tenha sido nossa.
Conseguistes. Acabastes com ela. Na vossa mesinha de cabeceira respira minúscula para não vos despertar: menos ar, menos ar, pequena, tonta.

Beijareis seu cadáver?


[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.pt

publicado por carlossilva às 11:46
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
memoria

 

Hay días en los que fui dura

como me correspondia

y él llorava esperándome

creyendo que todo había sido um mal sueño.

Otros fui piadosa,

regresé a su lado para que no sufriera,

y otros, al mismo tiempo,

regresé por miedo a no tenerle cerca

y perderlo para sempre sin lograr nada a canbio.

Siempre fui por dentro el dolor y las ânsias,

tuve el deseo de llenarme del todo

y se me vació el amor y el cariño y la lástima

y empapé el oceano.

Después de aquel verano

me alcé com el mando de la tribu

y fui rescatada para ejercer desde el silencio

la fuerza neesaria para que otros gritaran.

Le vi cambiar de nombre

y yo me liberé de los ancestros.

 

***

 

almudena vidorreta torres

 

*

 

Memória

 

Houve dias em que fui dura

como me correspondia

e ele chorava esperando-me

crendo que tudo tinha sido um pesadelo.

Outros fui piedosa,

regressei a seu lado para que não sofresse,

e outros, ao mesmo tempo,

regressei por medo de não o ter perto

e perde-lo para sempre sem conseguir nada em troca.

Sempre fui por dentro da dor e das ânsias,

tive o desejo de encher-me de tudo

e esvaziou-se-me o amor e o carinho e a pena

e encharquei o oceano.

Depois de aquele verão

Tomei o comando da tribo

 fui resgatada para exercer a partir do silencio

a força necessária para que outros gritassem.

Vi-o mudar de nome

e libertei-me dos antepassados.


*

 

[trad: cas]


lido em: Lengua de Mapa

publicado por carlossilva às 19:24
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013
pertenças


Eu busco pertencer
e tu procuras cadeias
pra romper em desafio

Eu procuro pátria
e tu procuras fugir dela
libertar teu sangue que ferve

Eu busco pertencer
e tu buscas motivo
para sonhar com a fugida

Eu busco pertencer
e desenho mapas circulares
com um coração alvo
e tu desenhas flechas
como raios que fogem

Eu busco pertencer
e tu escusa pra partida

 

***


concha rousia

 

*


lido em: http://republicadarousia.blogspot.pt

publicado por carlossilva às 13:30
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013
de botar o mar polos ollos

 

De botar o mar polos ollos,

que ocorra nunha cidade

onde a orientación desapareza

e os xogos de nena non existan.

Onde as cores verdes estean preto

- uns metros é suficiente .

e as mans de millo apreten as ideas

(ou as tetas)

Onde ti sexas procura.

Onde ti (me) habites.

 

***

 

alicia fernandez rodriguez

 

*


lido em: Botar O Mar Pollos Ollos

publicado por carlossilva às 13:06
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2013
a outro olmo seco

 

entre as casas de chere hai un grandote olmo seco

tan vello como a aldea que cecais se foi morrendo

cando marcharon os ultimos

poboadores destes cerros

 

e co tempo a estas casas se lles caen as cobertas

e o olmo seco que perde as polasfinas e a casca

pero o peto carpinteiro

tamen gosta esta madeira

 

algunos olmos sempre tiña cada aldea deste val

e de lonxe xa descobren as xentes ao camiñar

polos olmos estes pobos

e xuntos gañando o ar

 

e ate chere que chegaron camiñantes e olladas

e o tronco deste olmo seco que se enche de palabras

dun poeta de outro tempo

que a lupe as veces graba

 

e as noites de lua chea neste tan revolto maio

a sombra deste olmo seco que cecais feriu un raio

vai provocando outros versos

duns alunnos de machado

 

***

 

manolo pipas

 

*

 


lido em: Sétimo andar, poesia alén

publicado por carlossilva às 17:14
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
tatue um poema

 


tatue um verso
dinodonte diminuto
em meu dorso
etéreo
reverso
tatue beijos
cabelos extensos
seu
rosto
tatue sentidos
discretos lábios
textos explícitos
arriscado fogo
astro
sem esforço tatue
um
imortal dionisíaco
tatue meu corpo
todo
poema inteiro

 

***

 

adriana zapparoli

 

*

 


lido em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/adrianazapparoli1.html#tatu

publicado por carlossilva às 08:40
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