Domingo, 20 de Janeiro de 2013
ekaterimburgo


Aquí a cinco mil setecentos
sesenta e un quilómetros
da chuvia,
camiñar sobre o Iset xeado
pode ser un xeito inxenuo
de tripar a dureza que apurra
esta distancia desapiadada
Prospekt Lenina poder ser
máis cincenta que o Vigo
máis inhóspito e a metalurxia
cinguirse ao pé dos Urais
co mesmo sixilo que antano
as tribos de ugores
Aquí poden construírse saudades
dun lugar nomeado Casa Ipatiev un lugar
onde sobre o sangue corrompido
se erga un templo
de cúpulas douradas
Velaquí a porta da taiga
e do desterro.

 

***

 

elvira riveiro tobío

 

*


lido em: http://www.poesiagalega.org/uploads/media/2010_festival_cond

publicado por carlossilva às 08:30
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Sábado, 19 de Janeiro de 2013
cor-de-burro-quando-foge

 

Qual a diferença

Entre cor de velho e cor de adolescente?

Escreveu-me a divindade certo dia

E eu, que nem fósforos colecionava,

Mas tinha ainda a tonalidade juvenil,

Recortei a divina rubrica

Destruindo assim o seu valor e o da missiva.

Era uma carta a Mário Cesariny.

 

Ali nos banhávamos, em letras de luz narcísica;

O ego resplandecente e muito maior que rã

De fábula.

Os girassóis debruçados das orelhas de Van Gogh

Estremeciam como lustres incendiados.

E agora vamos cor-de-burro-quando-foge

Cor-de-noite-quando-chega

Mal acompanhada,

Vamos indo cada vez mais para norte

Para as pradarias de neve

Pintar a merda da morte.

 

***

 

maria estela guedes

 

*


lido em: Geisers

publicado por carlossilva às 08:19
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
miles de pensamentos

 

Miles de pensamentos

E amenceres densos

Fan enlouquecer a miña mente.

 

E a mergullan na divagación terreal,

 

Dunha mirada que clama

 

Polos teus bicos,

Somos presa e depredador,

 

Misturados e confundidos

Como tigres que roxen cada vez...

Máis feros,

E así...

Os días, os instintos e a carne,

dominan os nosos sentidos.

 

***

 

rosa martínez vilas

 

*


lido em: dezaoito

publicado por carlossilva às 13:58
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013
conto hiper-breve da rainha do sol

(pintura: "Medeia e Jasão" de Bebeth)

 

Ela conheceu um ser de segurança

vindo do céu

que lhe prometeu o sol

e pronto a fez rainha numa gaiola

dourada de feixes

para viver sem tempestades, sempre em acalma,

mas sucedeu que chegou com sucesso

afinal num dia nublado

e ela voou livre com o vento que não conhece gaiolas.

 

***

 

alfonso láuzara

 

*


lido em: Sétimo andar, poesia alén

publicado por carlossilva às 08:55
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013
tejo, tejo, tejo

 

Com o seu Quê, na franja de belém sobre o tejo, no despenhadeiro murado que ampara conhecidas esplanadas, o retoque de uma mão assolando o buraco frio e castanho, diminui e revitaliza os jerónimos.

na frontaria, no encaixe de suas traseiras, na compunção de uma arquitectura organicamente lida, as fezes barrocas apontam à trívia cidadela de onde a metáfora se escapa. Dali, das peneiras, se ausculta o centro comercial a ser virtuosamente adjudicado para forragens, jorrando notas à rebatina na composição do pavimento áccio-turístico.

Quando se acende a ala-lâmpada, desafeita às conquistas, o morro almadeno vitupera as crenças infantis com que se ouve, em mistura, a chuva nos telhados romanescos.

Imagino, preciso, um telhado, o céu não me conforta. Creio que a admiração resulta da visão medo-espantada. O terror firmamental, marítimo, gasoso, térreo, fez nascer a Beleza. Muitos se pulsionaram para acrescentar tal terror, para alargar o conceito de Belo. Viciados nesse medo arquétipo, combateram-no com monumentos cheios de Beleza. São cercos a Lisboa. É difícil apalpar esses módulos. Falámos nos séculos dessa beleza inagarrável. A estética é uma arma de guerra, um supremo.

Descendo a Graça, o roncar vintista do 28, na cidadania do vento, escolho os calmares, moluscos temperados no guisado das desproporções. Indiferentes e o inexoráveis, as águas?

Ao investigá-las, a apoteose dos hidrocarbonetos e de toda a semântica do lixo, fazem-me inalar as bolsas dos atravessantes, dos que nadam, dos que transitam em nada, cobrados, sadicamente cobrados.

A ponta, na sofreguidão messiânica do futuro, salta em mola sobre a insónia: os valetes continuam as suas tarefas de manter a higiene da pupila anal.

Um rio, em mar terroso vai avançando, deslocalizando a obra. No andar soterrado da travessa de s. vicente, entre a falente feira da ladra, os únicos esguichos sonoros pertencem às felinas morganas que antecipam intuitivamente os naufrágios.

Não vou comer os pastéis, nem pisar as ervas jardineiras do império. Mais a sul, no exacto mediterrâneo dos desejos informatados, um emigrante-peixe sucumbe ao peso dos seus cuidados, não pode ninguém da proceridade precaver-se.

E o zumbido da europa a farfalhar-se de leis guilhotinantes ouve-se em qualquer centro. Num bar calafetado, exaurindo com dificuldade o dia não-acontecido, os trovadores da ordem encontram energias para a justificação do balofo e, mais danoso, do taipal que cobre os horizontes. As obras - castanhas e frias - continuam a fazer-se às escondidas.

O Tejo deixa? Levanta-se um acetinado aeroporto que servirá as multidões que se dedicam à escravatura do tráfego, do tráfico. Mobilidade Mobilidade. Os amores são fixações e não trazem salários que paguem o aluguer da cabana.

Desde há cem, pessanha, eu já nem a luz vejo.

 

***

 

alberto augusto miranda

 

*

 


lido em: Lembrandt

publicado por carlossilva às 08:11
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013
a coleccionista de cicatrizes (4º poema)

 

Hame dar igual

o lirismo inconcluso que te arrodea

Neste momento

non son mais ca

unha coleccionista de cicatrices

As verbas tropezan coas friestas pechadas

consúmense nun crematório

e todo acaba

como nun incêndio

Nestre intre

xa non procuro mais ca

recoñecerme nos vocábulos

que se albergan no interior dos meus lábios

Absorbo o silencio das palabras

e instálome muda na friúra

na xeada do mês da candeloria

Has de saber

que me restablezo tras os apósitos

                           ainda que de vagar

Sei que haberá outros invernos

                                                      e outonos

Nos que fixar o eterno fonema da nostalxia

                                                           dun poema

 

***

 

cruz martinez

 

*


lido em: http://noollardunbufoverde.blogspot.pt/2012/06/coleccionista

publicado por carlossilva às 08:03
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013
eu não acredito na bondade dos anjos

 

eu não acredito na bondade dos anjos
todos parecem bebês de rosemary
o colorido dos vitrais não ameniza
a melancolia assustadora estampada em seus semblantes

no centro da casa
sagrada
o homem abre o livro
sagrado
e recita para si palavras pesadas
como o som de mil crucifixos arremessados ao chão

e eu penso nos pecados mais bizarros
que rondam o confessionário de vozes alteradas
depois aliviadas,
por depositarem nos ombros do representante do pai
a culpa dos seus atos impensados ou dolorosamente calculados

penso nos joelhos esfolados
por baixo das calças poídas dos fiéis fervorosos
que não sentem o gosto de ferro na boca
nem o gosto do sangue no cálice

e os sinos badalam doze vezes pausadas
ensurdecendo meus sonhos sacros
fazendo-me abrir todas as noites os olhos
quando deveriam estar fechados.

 

***

 

camila vardarac

 

*


lido em: http://revistapausa.blogspot.pt/2011/03/poesia-contemporanea

publicado por carlossilva às 01:36
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Domingo, 13 de Janeiro de 2013
photoshop

 

(homenaxe a Inês de Castro)

 

 

e de repente, créote

 

Por detrás desta pantalla de linguaxe simples, parpadexas

plano inclinado á esquerda, rotación

 

E tan fermosa que eres, Inês, con qué grandes ollos binarios me miras

Que busto perfecto. Unha brisa deliciosa lambe os teus cabelos coma unha madame  [experta en compracerte

ángulo contrapicado, 45 graos dende a dereita

 

As olleiras familirízante coa Morte. Fanche esvelta, desgraciada, interrogante. Inútil

O teu colo é matéria de tronos. Un pulso lánguido sobe rubor ao teu rostro de liño

Enfermaches de beleza. Quen te acoitelou sentiu s medidas perfectas que mataba

degradado de colores: cian, malva, rosado...

 

 

 

Non te moves. Reinas no submundo e iso

abonda.

Aenas es unha cabeza.Baixo os ollos e o teu corpo de grisalla

non ocupa máis que as miñas mans delineando coordenadas

nariz a ollo, 33. Nariz a boca, 15.


Luz cenital. Cinza e nácar, sorrís. Carbono 14 para os teus dentes. A pel cae feita encaixe.  [ Es morbosa, sideral

augusta

viva

 

 

 

Hei reprimir as ganas de morder a túa boca que se curva tan paseniño

e seda

para falarme...

Mátame

 

***

 

estibaliz espinosa

 

*


lido em: zoommm - textos biónicos

publicado por carlossilva às 12:03
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Sábado, 12 de Janeiro de 2013
el día que milú inventó a tintín

 

Mon semblable, mon frère

Baudelaire

 

He sido un árbol que crece hacia el origen.

      El viejo roble erguido sobre su propria sanfre.

                Porque es sólo de ida el recorrido,

                la soledade me viene siguiendo desde lejos.

Entonces tú la arrancas con los dientes.

Tu asombro persistente me rescata,

                             tu latido uniforme de certeza.

 

Miro la playa inmóvil de mi nativa Ítaca

los viñedos benéficos salpicando la tierra

miro mi casa azul en la colina

                gota de agua salada sobre el polvo.

Está muda, ya todos se han marchado

los años han barrido el rastro de mi espada.

Menos tú, dulce Argos,

               hermano, semejante,

               pequeño compañero.

Menos tú que me esperas solo, para morir

         igual que un semidiós que sabe que envejece.

 

Somos el ismo aliento en cuerpos simultáneos.

Los campos de mi alma yacen bajo tu pelo.

                                   Ladras mi mismo idioma.

Hasta mi hambre compartes porque te pertenece.

 

No me pidas que olvide tus dos ojos de lago.

Dime una última vez que existe la pureza.

 

***

 

raquel lanseros

 

*

 

o dia em que milú inventou tintim

 

Meu semelhante, meu irmão

Baudelaire

 

 

   Fui uma árvore que cresce para a origem.

        O velho carvalho erguido sobre o próprio sangue.

                   Porque é só de ida o percurso,

                   a solidão vem-me seguindo de longe

Então tu a arrancas com os dentes.

Teu assombro persistente me resgata,

                            teu latido uniforme de certeza.

 

Olho a praia imóvel da minha nativa Ítaca

os vinhedos benéficos salpicando a terra

olho minha casa azul na colina

                   gota de água salgada sobre o pó.

Está muda, já todos se foram embora

os anos varreram o rasto da minha espada.

Menos tu, doce Argos,

              irmão, semelhante,

              pequeno companheiro.

Menos tu que me esperas só, para morrer

          tal como um semideus que sabe que envelhece.

 

Somos o mesmo alento em corpos simultâneos.

Os campos de minha alma jazem sob o teu cabelo.

                                       Ladras meu próprio idioma.

Até minha fome partilhas porque te pertence.

 

Não me peças que esqueça teus dois olhos de lago.

Diz-me uma última vez que existe a pureza.

 

*

[trad: cas]


lido em: Croniria

publicado por carlossilva às 12:58
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013
odio virarme sobre o meu corpo

 

odio virarme sobre o meu corpo

sempre coido perder a verticalidade

 

cando descanso en horizontal

síntome caer até afundirme nas sabas

 

odio verme reflectido nos espellos

cando teño a obriga de sorrir

 

prefiro ofrecerme unha vez tan só

e logo evadirme

moi lonxe

para ser incapaz de escoitar o eco da túa

voz na miña cabeza

 

***

 

alberte momán

 

*


lido em: Baile Átha Cliath

publicado por carlossilva às 00:29
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