Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012
como si no bastase la distancia

 

Como si no bastase la distancia
nos herimos cordialmente
acostumbrados a los viajes de las palabras,
a su filo.

Como si a nuestras pieles no les sobrasen
las noches-soliloquio y la extrañeza
de otro sabor de amanecer.

Como si no nos conociéramos
o al contrario
supiéramos de cierto minar defensas,
nuestras vísceras en barbacoa verbal.

Porque nos echamos de menos
y el dolor crea.

 

***

 

alba gonzález sanz

 

*

 

 

Alba González Sanz


lido em: http://sopadepoetes.blogspot.pt/2011/10/un-poema-de-alba-gon

publicado por carlossilva às 05:02
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Domingo, 9 de Dezembro de 2012
sempre a de brotar a néboa nesta rexión e sempre

 

SEMPRE A DE BROTAR A NÉBOA NESTA REXIÓN E SEMPRE

voces escuras e remotas. Sempre

fuxidía raiola que devolve

unhas ás esvaídas.

 

A larva da humidade alentando na pedra,

a cortiza dos troncos devorada

por tesoiras de insectos verdecidos,

os furardos que non lembra ninguén.

 

Cegueira que acaricio onde se aloxa la voz,

desterrada, hóspede do que foi.

 

***

 

xavier rodriguez baixeras

 

*


lido em: http://esthermuntanyola.blogspot.pt/2010/05/xavier-rodriguez

publicado por carlossilva às 08:33
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Sábado, 8 de Dezembro de 2012
a um grego foi possível

 

A um grego foi possível
Outrora  sonhar divinamente as águas
De outro rio
Esse rio é homem de Heráclito
Ainda em sonho ignora
Quão diferente sobre si mesmo corre
o rio agora é noite
E o grego as naturezas escuta
Em toda a parte enquanto
Pensa o fogo harmonioso do passado
O que na cinza se escreveu
Perdido foi Éfeso
Artemis é essa inquietação segura

 

***

 

vergilio alberto vieira

 

*


lido em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/vavieira.html

publicado por carlossilva às 08:52
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012
distância


ao longe, o vidro e a madeira escurecem.
a macieira ilumina o quintal.
apenas pedra – e o comércio da água,
entre as muralhas e o sangue
há muito desaparecido.

 

a língua surge estranha ao corpo e ao olhar.
a represa recolhe os passos
que desenham a escada.
a fotografia espera-nos – tão perto.
a estela marca o espírito na terra,
o sopro do vento
nas confrontações da alma.

 

nada resta do palácio
nem do minério.
tudo ficou da longa mansão
onde o anjo resguarda o oiro

 

e a memória.

 

***

 

ruy ventura

 

*



lido em: http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-ruy-ven

publicado por carlossilva às 08:06
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012
era o inverno de 69

 

Era o Inverno de 69.
Havia notícias como há sempre,
e suponho que fizesse frio.

A parentela acorria,
acotovelava-se ao redor da cama,
fingia estar feliz, ou talvez estivesse,
sabe Deus porquê. (Ao mesmo tempo,
abrigava-se da chuva.)

Nunca fui tão pequeno, nem tão pouco
parvo. A partir de então, industriaram-me
nas artes e ciências de estar vivo,
excepto a respiração, que é oferecida:

comer, roubar, fugir,
ser intramuros e existir na gleba,
e desistir
silenciosamente.

Sim. Foi, para mim, o Inverno dos Invernos.

E não há meio de acabar.

 

***

 

miguel martins

 

*


lido em: http://pedrapapeltesouro.blogspot.pt/2012/03/poesia-em-2012-

publicado por carlossilva às 08:14
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012
15

 

Pendurei-te

no ponteiro das sete

ao fim da tarde

 

 

E saltei para o meio da rua

a anunciar o tempo

 

***

 

manuela amaral

 

*


lido em: Amor Geométrico

publicado por carlossilva às 00:56
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
les chevaux de mine

 

La maison qui t’a nourri te racontait peut-être,
la nuit, l’histoire des chevaux de mine :

Les chevaux de mine naissent et vivent dans les profondeurs ;
c’est entre les murs de la galerie que se trouve leur maison,
                                                                                leur table.
C’est là qu’ils se nourrissent d’énormes quartiers d’obscurité,
                                                                                de houille.
          Ils se nourrissent à tâtons, à la lumière des lampes.
Et, comme des forçats, ils tirent aveuglement les wagonnets.
          Ils charrient encore et toujours,
                                                  tant que dure la vie d’un cheval.
          Ils charrient la lumière à la surface.

Mais eux, à la surface, dans la lumière, ils ne peuvent
                                                                                pas vivre,
même pas à la retraite, quand on les libère de la mine.
          Puisqu’ils sortent dans le monde les yeux bandés.
                    L’obscurité collée au front.

Et c’est comme ça qu’ils vivent encore un peu, dociles.
          Les brises et les arômes les font frémir,
                    dans le hangar délabré, dans la cour de la mine.
          Les yeux bandés, 
jusqu’à ce qu’ils descendent à nouveau dans les profondeurs.

Leur maison est à jamais l’obscurité.

 

***

 

linda maria baros

 

*

 

Os cavalos mineiros

 

A casa que te alimentou te contava talvez,
à noite, a história dos cavalos de mina:

Os cavalos de mina nascem e vivem nas profundezas;
é entre as paredes da galeria que fica a sua casa,
                                                                                a sua mesa.
É aí que se alimentam de enormes pedaços de escuridão,
                                                                                de carvão.
          Eles alimentam-se no escuro, à luz das lâmpadas.
E, como escravos, puxam cegamente os vagões.
          Carregam agora e sempre,

                                                  enquanto dura a vida de um cavalo.
          Carregam a luz para a superfície.

Mas eles, à superfície, à luz, não podem
                                                                                viver,
mesmo na reforma, quando se libertam da mina.
          Porque saem para o mundo de olhos vendados.
                    Com a escuridão colada à testa.

E é assim que eles vivem um pouco mais, dóceis.
          As brisas e os aromas fazem-nos tremer,
                    no armazém em ruínas, no pátio da mina.
          Os olhos vendados, 
até que descem de novo às profundezas.

A sua casa é para sempre a escuridão
.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://www.lindamariabaros.fr/poemes_de_Linda_Maria_Baros.ht

publicado por carlossilva às 08:50
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012
ode ao gato

 

Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

 

***

 

josé jorge letria

 

*


lido em: "Animália Odes aos Bichos"

publicado por carlossilva às 11:04
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Domingo, 2 de Dezembro de 2012
uma faca só lâmina

 

Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;

 

assim como uma bala
do chumbo mais pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado;

 

qual bala que tivesse um
vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo

 

igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,

 

relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;

 

assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;

 

qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto

 

de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.

 

***

 

joão cabral de melo neto

 

*


lido em: http://www.revistabula.com/posts/listas/os-10-melhores-poema

publicado por carlossilva às 13:13
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Sábado, 1 de Dezembro de 2012
lobo

 

Em miúda

quando me perguntavam de que tinha medo

eu sempre respondia:

de parir e do lobo

 

O lobo veio uma vez

à noite

voltávamos para casa atravessando o monte

o meu pai apontou-o com o dedo  ia só  como perdido

esquecido o instinto algures

retrocedida a fome a outra época

 

nem sequer nos olhou

absorto no seu sangue  na sua cavilação

talvez

a noite evidenciava-lhe em seu pinar

a gangrena da sua espécie

 

Lembro bem as suas patas espartilhando a geada

o silêncio tenso com que a evolução assistiu a tal cena

a tosca indiferença da coruja  do granito  ou da massa do pão

que continuou a levedar as suas moléculas de farinha

atreitos de tal modo à extinção que não repararam um hiato…

 

Desde aí o meu medo é um guru que uiva na noite

a ti e a ti e a ti

embora me oiçam agora  embora me vejam a falar

pondo a língua no ponto exacto a que obriga a mãe fonética

não sou eu

esta voz

que grunhe

garanto que não sou

eu

este ruído côncavo que as vogais fazem com o sangue

essa terebintina negra em que se me tornou o cuspo ao engolir

maldita seja eu mesma

e a raça que me ensinou a noite como se fosse uma abreviatura de deus

 

Agora já sei

de certeza

que as tripas do último lobo me rondam a linguagem

e se algum dia o monte me atravessar para voltar a sua casa

apontarei com o dedo  aqui dentro

onde a voz de mim se apossa como de um réu

 

Que direi agora

se me perguntarem

de que tenho medo?

 

***

 

olga novo

 

*

 

[trad: alberto augusto miranda]


lido em: partes de Cratera
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publicado por carlossilva às 17:38
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