Sábado, 10 de Novembro de 2012
vivo na violencia

II

 

Vivo na violencia

Termando de ser idéntica a min mesma

E esa alerta exhaustívame

E debilítame polo miúdo

 

 

E a derruba

É diferente da caída

Delimítome

En catástrofes

Remítome como sabes ao frío

Refírome como antes dixen

A estar no medio da mirada

 

***

 

silvia penas

 

*


lido em: http://asescollaselectivas.blogaliza.org

publicado por carlossilva às 08:42
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012
saquemos a mamá del cielo


saquemos a mamá del cielo y cerremos la ventana
ahora dejemos de jugar y esperemos la llegada de papá
con las manos vacías y ese disparo que le acorta la pierna derecha
se corren los árboles
su voz pasa
bloques de césped cortados el domingo
una docilidad que se repite
gota a gota se repite
se inscribe y se repite
genética de golpes
saquemos a mamá del cielo
dejemos de parir datos inservibles

 

***

 

roxana palacios

 

*


lido em: http://poetasalvolante.blogspot.pt

publicado por carlossilva às 08:37
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012
botões

 

 

Já primavera com dulçor agressivo

 

divulgam águias menstruais as meninas a pular a dança do natural desprezo ao vento sobre a corda ciclos de jogos e erupções subcutâneas garoando no mundo a alegria poderosa da tarântula enquanto rugem nos céus de cardos violados idealizações nos ventres de rubros cadillacs

 

(o fim repele urros do despertar – mamilos sugerem rebites boiando na bacia de aço)

Atravessa gritando os corredores: a faca em punho reflete um sinal de gordura e o desejo de transcender habitando a pura oração

 

respingos

de canção bucólica

cavam

 

(estão entre o trigo intestinos pulsantes da terra as aberturas para a insidiosa raiva subliminar) com as mãos saturadas de sal e cicatrizadas por mordidas de cães lança o balde de barro ao fulcro escuro onde começa se erguer um poço

 

O tempo é o mesmo a estação de sangrias e teares

 

***

 

viktor schuldtt

 

s. paulo (brasil)

 

*


lido em: http://viktorschuldtt.blogspot.pt

publicado por carlossilva às 09:27
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012
sombras

 

A noite não é o avesso do dia, sequer o seu contrário – de noite os motores do dia trabalham ainda, desengatados, um pouco como bate o coração de quem dorme. Roldanas lentas movem-se fora dos eixos do sentido, trazem para dentro dos quartos a oscilação das sombras, o vento nas árvores, ruídos ao longe. O ar enegrece contra os muros, destila uma liga muito ténue, reúne as peças soltas. Até de olhos fechados se pressente o brilho das coisas quietas, as idas e vindas, os êmbolos, a inquieta vibração de estarem vivas.

 

***

 

rosa maria martelo

 

*


lido em: http://hospedariacamoes.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 10:18
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2012
à míngua

 

à míngua,

 

a lua

fareja o esplendor,

 

                         arfa,

 

aspira poro a poro a pele úmida,

 

coração aos saltos

a pele vibra, singra

 

                          nas entranhas

                          nas estrelas

 

 

***

 

vasco cavalcante

 

*


lido em: Desvio para o Vermelho - Treze Poetas Brasileiros Contemporâ

publicado por carlossilva às 13:34
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
negra

 

Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de Africa.

Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.

 

***

 

noémia de sousa

 

*

Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.

E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE


lido em: http://www.astormentas.com/PT/poema/7688/Negra

publicado por carlossilva às 02:09
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Domingo, 4 de Novembro de 2012
os tímidos, as rosas

 

Os tímidos
Não esmorecem
As rosas.

 

Singram para o olfato
Não sabem onde
Ancorar as mãos.

 

Navegam
O desejo do toque
E transbordam.

 

Perfumes carregam
No ar
O desejo da cor.

 

***

 

roberta tostes daniel

 

*

 


lido em: Desvio para o Vermelho - Treze Poetas Brasileiros Contemporâ

publicado por carlossilva às 00:40
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Sábado, 3 de Novembro de 2012
às seis da tarde


Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução

 

***

 

marina colasanti

 

*


lido em: http://www.astormentas.com/PT/poema/10306/%C3%80s%20seis%20d

publicado por carlossilva às 00:40
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012
andança

 

para Roberta Tostes Daniel


 

Meus dedos já se arrastam, o lustre desfaz-se em pedaçõs;

o mando é a vida, a carga, a mala,

o caco.

 

E a passada se dá pelo chão,

na terra em que a sanga peleja

com a secura de minhas mãos

de crua areia.

 

O mundo é seca, árido, pedra,

e eu não sabia que o mar tinha peias

porque tem sede, mas à praia volta

quando receia.

 

E o meu sonho se dá por distâncias,

andar a esmo ainda é confronto;

mas o mundo, nem tão vasto mundo,

é um edifício.

 

que esperneia.

 

***

 

raul macedo

 

*


lido em: Desvio para o Vermelho - Treze Poetas Brasileiros Contemporâ

publicado por carlossilva às 13:58
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2012
ruínas

 

Por onde quer que tenha começado,

pelo corpo ou pelo sentido,

ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,

como num sono agitado interrompido.

 

O teu nome tinha alturas inacessíveis

e lugares mal iluminados onde

se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam

e deveria talvez ter começado por aí.

 

Agora é tarde, do que podia

ter sido restam ruínas;

sobre elas construirei a minha igreja

como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.

 

***

 

manuel antónio pina

 

*


lido em: Todas aspoesia reunida Palavras -

publicado por carlossilva às 01:58
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