Terça-feira, 10 de Abril de 2012
un hombre

Un hombre
está sentado a su mesa.
Bebe.
Conserva en alcohol mi sombra.
La empapa hacia adentro
y la resuelve en humo.
Tanto, tanto
estoy presente en su ausencia
que si ahora mismo
me sentara con él
y tomara su cara
con mis ojos,
de seguro,
no me vería.

***

 


nora nani

 

leones (argentina), 1946

 

*

 

 

Um homem

Está sentado à sua mesa.

Bebe.

Conserva em álcool a minha sombra.

Inspira-a

E devolve-a em fumo.

Tanto, tanto

Estou presente na sua ausência

Que se agora mesmo

Me sentasse com ele

E tomasse a sua cara

Com os meus olhos,

Seguramente,

Não me veria.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://andar21.fiestras.com/servlet/ContentServer?pagename=R
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
los héroes y los disfraces

 


“…yo no sé de pájaros, no conozco la historia del fuego. Pero creo que mi soledad debería tener alas…”
A. Pizarnik.

 

el aliento no es un río ni un oscuro pecho, es el lugar donde nos reconocen los espejos, el vértice de la casualidad y el hastío.

sólo el tiempo es real y existe. sólo el abandono crece y nos sigue hacia la conocida cerradura de una rosa violenta, hacia la despedida de un rostro muerto de hambre, oliendo para no sentirse solo.

ya no extraño la amargura ni el ruido de las palmeras.

no pienso más en los pisos que rodean el techo de estrellas y los mapas de invernadero.

no siento más la caída,
soy un puente que estudia tus ojos, la garúa que flota a través de las
ventanas,
un reino de manzanas, fugitivo y encendido.

 

***

 

andrea cabel

 

lima, 1982

*

 

os heróis e os disfarces

“…yo no sé de pájaros, no conozco la historia del fuego. Pero creo que mi soledad debería tener alas…”
A. Pizarnik.

 

o respirar não é um rio nem um peito escuro, é o lugar onde nos reconhecem os espelhos, o vértice da casualidade e o fastio.

só o tempo é real e existe. só o abandono cresce e segue-nos até ao conhecido fechamento de uma rosa violenta, até à despedida de um rosto morto de fome, cheirando para não se sentir só.

já não estranho a amargura nem o ruído das palmeiras.

já não penso nos andares que rodeiam o teto de estrelas e os mapas de invernadouro.

já não sinto a queda,
sou uma ponte que estuda os teus olhos, os chuviscos que flutuam através das
janelas,
um reino de maçãs, fugitivo e aceso.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://www.periodicodepoesia.unam.mx/index.php?option=com_co

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Domingo, 8 de Abril de 2012
navegar ou voar


 

Sufocados pela monotonia da vida, eles

respiram só neste momento

em que ele estreita a cabeça dela nos braços

a falar do amor, e  até da morte

como se a morte fosse o amor sublimado

e a escada para o paraíso.

 

No lençol em desalinho e molhado,

o mar ainda a ondular

e a tempestade, a ocupar o céu.

Eles continuam a navegar ou voar

mesmo com o destino condenado  à terra.

 

***

 

yao feng

 

pequim (china), 1958

 

*

 

 


lido em: http://www.revistazunai.com/poemas/yao_feng.htm
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Sábado, 7 de Abril de 2012
ao tocar um caminho

 

ao tocar um caminho
falei-lhe ao ouvido
de uma matéria mais quente
para se esquecer da imitação das árvores


à escala de uma estação o olhar
cada volta que a informação dá no espaço
como um convite para dançar

fomos deixando crescer as árvores
não era urgente falar de árvores
não são urgentes as praças
não sou urgente?

ao toque os caminhos acalmam
e sentam-se nas praças
fingem dormir
nesta praça
a cair 
de uma estrela
onde a informação se encostou um dia
apaixonada pelos olhos de um bicho
e caminhou

 

***

 

joana espain

 

*


lido em: http://www.avoltadascoisas.blogspot.pt/

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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
sin embargo pájaros cantan esta noche



el resto son hojas que oscurecen la ventana
las paredes
el cielo frío como un rechazo
yo bailo en mi cuerpo un fragmento de esplendor
afuera la calle
su rigidez de cosa extraña
no tengo explicación para la carne
ninguna verdad
hay luces por fuera de la casa
no me entrego a sus brazos
soy el pensamiento helado de esta noche

 

***

 

roxana palacios

 

buenos aires, 1957

 

*

 

apesar de tudo os pássaros cantam esta noite

 

o resto são folhas que escurecem a janela
as paredes
o céu frio como um ricochete
eu bailo no meu corpo um fragmento de esplendor
lá fora a rua
sua rigidez de coisa estranha
não tenho explicação para a carne
nenhuma verdade
há luzes fora da casa
não me entrego aos seus braços
sou o pensamento gelado desta noite

 

*

 

[trad: cas]



lido em: http://poetasalvolante.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 00:07
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
una dama es una dama es una dama es una dama


(A Juan Luis Hernández Milián)

 

Con la misma elegancia de un barco que se hunde

aunque el capitán no quiera darse cuenta

ni los tripulantes le hayan informado.

 

Con la mala suerte en el amor

que acompaña a los eternos

perdedores de veintiuno

 

y escala real. Observando

el mismo y riguroso lenguaje

que adoptaran tanto los amantes

 

clandestinos como los militantes

de la misma condición: para darte

simplemente las gracias, para que no

 

se te olvide esa vez que fuimos a Milwaukee

tu pelo a imitación de las estaciones seguía

siendo rubio y las deudas no nos importaban.

 

Éramos pobres y el auto no

tenía seguro: pero eso

era para ti como

 

los venados que tuve que esquivar en el camino.

Un animal a punto de morir que

después podríamos cocinar

 

para recordar esos tiempos felices

cuando las palabras no se habían separado

de las cosas y no era necesario hablar en clave:

 

una rosa era una rosa era una rosa

permitidme hacer la cita en el pasado

permitidme respirar nuevamente bajo el agua:

 

o por lo menos así lo parecía.

 

***

 

cristián gómez olivares

 

santiago de chile, 1971

 

*

 

uma dama é uma dama é uma dama é uma dama

(A Juan Luis Hernández Milián)

 

Com a mesma elegância de un barco que se afunda

ainda que o capitão não queira dar-se conta

nem os tripulantes o tenham informado.

 

Com azar no amor

que acompanha os eternos

perdedores de vinte e um

 

e escala real. Observando

a mesma e rigorosa linguagem

que adotaram tanto os amantes

 

clandestinos como os militantes

da mesma condição: para dar-te

simplemente as graças, para que não

 

te esqueças dessa vez em que fomos a Milwaukee

o teu cabelo imitando as estações continuava

sendo ruivo e as dúvidas não nos importavam.

 

Éramos pobres e o carro não

tinna seguro: mas isso

era para ti como

 

os veados que tive que evitar no caminho.

Un animal a ponto de morrer que

depois podíamos cozinhar

 

para recordar essos tempos felizes

quando as palavras não se tinham separado

das coisas e não era necessário falar em código:

 

uma rosa era uma rosa era uma rosa

permiti-me marcar encontro com o passado

permiti-me respirar novamente debaixo de água:

 

ou pelo menos assim parecia.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://lasrazonesdelaviador.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 02:04
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
mujer de ciudad



Eres interesante como partido de golf en televisión.
Sentado te bronceas con la voz del locutor metida en esa
caja.
El sol se pone, la luna se pelea con un gato. En la puerta
mis muertos esperan para sentarse a tu costado.
Me dan las doce. No dejaré el corazón enfriando en la
nevera, aún tiene sangre que estrenar.

(de Casa de sol)

 

***

 

claudia luna fuentes

 

monclova - coahuila (México), 1969

 

*

 

És interesante como jogo de golfe na televisão.
Sentado bronzeias-te com a voz do locutor metida nessa
caixa.
O sol põe-se, a lua luta com um gato. Na porta
os meus mortos esperam para sentar-se nas tuas costas.
Batem as doze. Não deixarei o coração esfriando na
geleira, ainda tem sangue para estrear.

(de Casa de sol)

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://poesiadelafrontera.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 13:17
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
cañon adentro



Sigo el camino del esternón,
busco el origen de la sed,
voy al fondo de un cañón de paredes plateadas,
sólidas merced al tiempo,
movedizas cuando el aluvión,
cuando la infancia, era glacial.

Colecto las raicillas del pensamiento.
Las cargo a mi espalda erosionada
junto al agreste olvido que cae de mí.

Se asoman
desde pequeñas cuevas,
los indicios del dolor;
veloces burlan las miradas
y vuelven a ocultarse en la piel del cañón.

Inscritas en las paredes,
las coordenadas indescifrables
del rayo prehistórico
que formó mi faz.
Tiempo de la hondura,
tiempo sin sílaba,
cuando soy sólo un sonido
en tránsito a la fatiga.

Busco un manantial
que bañe la pregunta adherida a mi historia.
Busco la vida recién nacida
y hallo la sed.

Sigo la senda del esternón.

 

 

***

 

angye gaona

 

bucaramanga (colombia), 1980

 

*




Pelo desfiladeiro fora

Sigo o caminho do esterno,
procuro a origem da sede,
vou ao fundo de um desfiladeiro de paredes prateadas
sólidas graças ao tempo
movediças quando o aluvião,
quando a infância, era glacial.

Colecto as pequenas raízes
Levo-as nas minhas costas erodidas
junto com o agreste esquecimento que de mim cai

Assomam
a partir de pequenas covas
os indícios da dor;
velozes burlam os olhares
e voltam a ocultar-se na pele do desfiladeiro.

Inscritas nas paredes
as coordenadas indecifráveis
do raio pré-histórico
que formou a minha face.
Tempo da fundura
tempo sem sílaba,
quando estou apenas um som
em trânsito para a fadiga.

Procuro um manancial
que banhe a pergunta associada à minha história.
Procuro a vida recém-nascida
e acho a sede.

Sigo a senda do esterno.

 

*

[trad: aam]


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 13:22
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
poética



“Um poema é difícil. Adão, Sísifo, Orfeu” (D. Pignatari)


Difícil definir uma poética no momento. Em trânsito – quer dizer, no meio do caminho – não sei exatamente para onde. Um verso brota às 11:38h da manhã, quase na hora do almoço. Anoto e depois descubro que o verso já existia e que eu o havia lido meses antes naquele outro livro. Ou sonho um poema – de arquitetura ideal – que se desmancha enquanto me espreguiço. Ligo a tv, google. Tudo parece aquém, tudo parece além das exigências comezinhas e/ou das pretensões etéreas. Escrever é falta – uma falta planificada para quem se aventura no escuro, quase um esquadro com que risco o ar. Um poema é arisco.


***


renan nuernberger


s. paulo (brasil), 1986

*



 



lido em: http://asescolhasafectivas.blogspot.pt/2012/04/renan-nuernbe

publicado por carlossilva às 14:24
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Domingo, 1 de Abril de 2012
era tiste añorarte

 

Era triste añorarte,

sentir el tiempo
como una brecha separando continentes,
engullendo rutinas,
reduciendo a polvo los lugares comunes,

y el avance de la certidumbre
como un animal sibilante augurando fines,
borrando huellas,
presagiando que nada, nadie, volvería a ser,

eso era lo más triste
de añorarte.

 

***

 

marta noviembre

 

barcelona, 1976

 

*

 

 

Era triste sentir a tua falta

 

Sentir o tempo

Como uma fenda separando continentes

Engolindo rotinas

Reduzindo a pó os lugares comuns,

 

E o avanço da certeza

Como um animal sibilante augurando o fim,

Apagando marcas,

Pressagiando que nada, ninguém, voltaria a ser,

 

Isso era o mais triste

De sentir a tua falta

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 15:31
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