Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
na fronteira de um corvo

 

na fronteira de um corvo
inventam-se as luzes esverdeadas
de um mostruário e
o incêndio
é o seu semi-círculo avançado
no grifo.na cornucópia solar.na bifidez
ensopada da claridade inumerável.

 

***

 

cristina néry

 

*




lido em: http://asepulturadasromas.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 00:44
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
22 de febrero

 


Estos días azules y este sol de la infancia
Antonio Machado

La poesía es azul
aunque a veces la vistan de luto.
Viento del sur escultor de cipreses
ahoga la tierra honda de dolor y de rabia.

Abel Martín, conciencia en desbandada
pájaro entre dos astros
nombrador primigenio de las cosas.
Juan de Mairena íntegro
espejo limpio donde se refleja
el rostro que tenemos de verdad.

Nos dejaste la vida
la palabra fecunda
la desnudez, la brisa.
Nos dejaste las hojas y el rocío
el mar
las instrucciones
para aprender a andar sobre las aguas.

Y después te marchaste.
Mejor dicho: te echaron a empujones.
Siempre molestan los ángeles perdidos.

Dicen que desde entonces en Collioureno ha dejado jamás de ser invierno.


***

raquel lanseros
.

*


22 de fevereiro


Estes dias e este sol da infância
António Machado

A poesia é azul
ainda que às vezes a vistam de luto.
Vento do sul escultor de ciprestes
afoga a terra funda de dor e de raiva.

Abel Martín, consciência em debandada
pássaro entre dois astros
nomeador primitivo das coisas.
Juan de Mairena íntegro
espelho limpo onde se reflete
o rosto que temos de verdade.

Deixaste-nos a vida
a palavra fecunda
a nudez, a brisa.
Deixaste-nos as folhas e o orvalho
o mar
as instruções
para aprender a andar sobre as águas

E depois partiste.
Melhor dito: te expulsaram aos empurrões.
Sempre incomodam os anjos perdidos.

Dizem que desde então em Collioure
Jamais deixou de ser inverno.
*
[trad: cas]



lido em: croniria

publicado por carlossilva às 01:28
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
quase decálogo sobre o amor


O amor é vermelho e tem medo de perder
e se preocupa com cartas não respondidas
com o silêncio do telefone
e a falta da palavra meuamor

O amor é feito de ausências e dependências
de encontros desmarcados e acertos
de memória e corpo

Se está longe
o amor deseja estar perto
Se está perto,
não sabe o que fazer com as mãos
nem com as palavras

Em geral,
o amor perde tempo na repetição de tudo:
do verbo
ao toque

E porque sabe que é feito de finais
o amor nunca começa
Ou se perde no momento em que inicia

O amor vicia

 

***

 

suzana vargas

 

*



lido em: http://asescolhasafectivas.blogspot.com/2008/09/suzana-varga

publicado por carlossilva às 01:46
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
rupture de la traction

 

Au lendemain
de la tue-cochon
nous rentrons à la nuit

tu conduis distraitement
tes mains
dont le toucher inattentif
n'agace plus
mes seins
sont posées sur le volant
inutiles et machinales

et pourtant
les pulsations la joie
brutale
et l'affolement
prennent mon corps quelquefois
comme à l'instant
où je tourne la tête
secouée d'une joie muette
devant une pelletée de roses
suspendues
à une ornière

tu me dis : « à quoi tu penses »
et je ne peux pas
te répondre qu'avant de
te fermer les yeux
je verrai encore dedans
l'ennui sertir
les rayons noirs de leur iris

ce même ennui qui
flottera
avec les pans de ta chemise
lorsque tu écraseras
soudain
la pédale d'accélérateur
jusqu'à la chute dans la rivière
dont seule
je sortirai indemne
pour t'enterrer à même la rive.

 

 ***

 

anna de sandre

 

*

 

Rutura da tração

 

No dia seguinte
à matança do porco
regressamos à noite

tu conduzes distraidamente
as tuas mãos
cujo toque distraído
já não excita
os meus seios
estão pousadas sobre o volante
inúteis e maquinais

e no entanto
as pulsações a alegria
brutal
e a loucura
tomam o meu corpo algumas vezes
como no instante
em que giro a cabeça
sacudida por uma alegria muda
diante duma ramada de rosas
suspensas
sobre um caminho

dizes-me tu: «em que pensas»
e eu não posso
te responder que antes de
te fechar os olhos
verei ainda no interior
o aborrecimento engastar
os raios negros das suas iris

esse mesmo aborrecimento que
flutuará
com as abas da tua camisa
logo que esmagues
de repente
o pedal do acelerador
até à queda no rio
de onde sozinha
sairei incólume
para te enterrar na mesma margem

 

*

 

[trad: cas]




lido em: http://annadesandre.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 14:42
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Parada

Armas de arremesso

 

A esplanada cheia de velhos

que falam do voo rasante

dos pombos sobre os telhados marítimos.

de corpo habituado à invisibilidade,

sabes que, ao falarem do voo dos pombos,

os velhos reproduzem códigos

que apenas outros velhos entendem.

tudo é assim há séculos:

sábios esquecidos entre copos e garrafas,

cartas gastas e barcos naufragados

no alto coração da cidade

 

não há aqui, porém, atropelos,

nenhum voo interrompido,

e mesmo quando o diálogo se prolonga,

sôfrego, até à evidência de que nenhum homem

é perito em armas de arremesso

tu, renascido kalkhas, ouves nitidamente

outras palavras: falhar é uma bênção

para quem atira pedras aos céus.

 

***

 

paulo tavares

 

lisboa, 1977

 

*

 

 

 


lido em: publico

publicado por carlossilva às 12:07
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
palavras ao meu coração

 

Basta de crer no amor, basta de amar!
Meu louco coração, toma juízo:
Pra os que querem na terra o paraíso,
Há um remédio só – renunciar.

Renuncia! Se tudo quanto existe,
É mentiroso, e só nos faz descrer,
- não vale a pena amar, pra quê correr
Atrás de sombras vãs, coração triste?

Não querem entender-te, coração,
… não podem entender-te, quando tentas
Erguer as pobres asas desse chão…

Queres pairar em regiões mais puras?
Vive acima da terra e das tormentas,
- sozinho como as águias nas alturas…

 

***

 

manuel laranjeira

 

*

 






publicado por carlossilva às 17:00
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
poemas que non din nada

 

ALGO OBSCENO

Ao principio esmagáronme o corpo. Pauline espapallada.
E todo foron lóstregos e cinsa. Ninguén falou por min.


Foi cando os incendios. Despois da deflagración e da intemperie.
Metéronme nunha caixa. Coma os homes que mato.
Dentro é que escribín este libro. Feito de sombras.


Pero antes das palabras e do incendio_antes das sombras_cheguei onda vós-nun cabalo a vapor.
Pauline à la plage: desobediente Antígona nemorosa-a piques de evaporarse…
É como non quixen-deixáronme.
É como non puiden-non o evitei: pinchei os dedos no aramio e un líquido brutal saiu de min: fun fonte.
Pauline ensanguentada: rodeada de insectos.


E souben entón que había unha hemorraxia interna: tumulto e tigres.

 

***

 

rosa enríquez

 

*


lido em: http://www.aelg.org/Centrodoc/GetParatextById.do?id=paratext

publicado por carlossilva às 19:55
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
aberturas

 

O Corsário da vida é como os teus beiços a sobrevoar o meu corpo. O arco, na sua chama de clarinete, hospitalar, abunda numa boneca com farrapo e um vagabundo cristal. Tilintar das chaves, a tua pele a roçar. A boca para o principício - abundância do suor pela fechadura cíclica no feto trespassado pela cor - o orifício das borboletas.

Apaixono-me diante do que não posso. E transpiro pela fragância o imaginável.

A torrente das coisas suplanta-me. Abro o manancial.

- a perspectiva

 

***

 

carlos vinagre

 

*


lido em: ranhura

publicado por carlossilva às 00:59
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
los fantasmas de tu bolso (poema de transportes públicos)

 

1.

yo viajé en autobús
triste
como un bonsái
que aprende a tocar la guitarra
en la madera de su tronco diminuto

y feliz como un pan
que acaba de salir del horno

de la isla uno puede irse en avión
en barco
o nadando

en esas tres ocasiones
me besó en la nuca
con su aliento volcánico

me tatuó unos labios gruesos
de señora de comunión que no te gusta que te bese
de señora de comunión que besa tu  infancia
porque ella también es una ínsula extraña

el avión me aterrizó en el campo de estrellas
llovía
ahora  no entiendo cómo alguien que cuenta chistes de gallegos
no se moja cuando los pronuncia
chapotear en un charco es como estar en casa

subí a un tren rumbo a la ciudad de la muralla

la casa  de papá estaba tan vacía que agarré mis cosas
y corrí a dormir a otras camas de agua

el corazón se hace pequeño como un chicle

allí me despedí de otras gentes que pusieron otra cara
y lloraron de otra forma

me fui con un bolsillo lleno de mar y otro de lluvia

 

***

 

eva cabo

 

lugo, 1977

 

*


lido em: http://el-arbol-rojo.blogspot.com/
tags:

publicado por carlossilva às 12:46
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que xusto morrer polo invencible sono

 

Que xusto morrer polo invencible sono
de brocados séculos e xuventude de templos
non engano pra meu mais tenro abrigo
nen segredo de chamadas
doutrina insensible de ocultar
o tecido que me rabuño
ofrendo sen intento de surxir
estreito penso no irreal do medo
suspiro ¡Qué verdade a verdade!
pero nese lado do esquecemento
vin crear unha ponte
coa esperanza de ofrecer a meditación
do nome
venerable alento ante os equilibrios
nas cordas do infinito
e agora acúsome
sen enviar palabras movedizas
falándome entre remusmús
escondendo a fraxilidade
baixo verticais do ar
¡Tan incompletas as horas!

 

***

 

anxos romeo

 

*





lido em: http://www.enfocarte.com/PoesiaGallega/romeo.html

publicado por carlossilva às 00:36
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