Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
amoreverso


 

polaridades nas línguas indecisas/ polaroides em gravidezes negativas/ ampolas de translúcidas fissuras/ costelas frias flutuantes // para a armadilha do dia/ abotoadas no relâmpago do dizer/ douraduras afrouxadas pela fivela/ vestida daquela mania distraída// para quarar peitos aquarelas/ pincéis aos dedos sem anéis/ por fora dos fios da neblina/ purpurina deslizada na carcaça amolecida// que se assanha mata mina/ véspera do ocaso estremecendo manhãs/ entre os dentes quebrando avelãs/ talismã de desencanto e pranto

 

***

 

beatriz bajo

 

s. paulo, 1980

 

*


lido em: http://www.revistazunai.com/poemas/beatriz_bajo.htm

publicado por carlossilva às 01:47
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
ella es una mujer pura y habita las seis de la mañana


Ella es una mujer pura
y habita las seis de la mañana.
Y vela por nuestra vuelta
a casa a esa misma hora,
y brilla en las lunas
de los coches
como un lucero omnipresente.

Ella insiste en la madrugada
y su leve rumor de gatos,
y se disuelve entre las calles
como una brisa
de aquel verano
en que ella vestía de azul
y besaba con los dientes.

Ella recuerda a un ángel
y su anatomía luminosa,
ella es regeneración
y una fuente de mi sangre,
y congela el mundo
cuando sonríe
y airea los huesos
líquidos como vinagre,
pero se duele en los espejos
y no se encuentra las alas.

Y ahí las tiene,
cortando el aire
con caricias,
tan pálidas y tan frágiles,
de ese color dorado
como la luz presa
en los eclipses.

 

***

 

borja de diego

 

sevilla, 1988

 

*

 


Ela é uma mulher pura e habita as seis da manhã

Ela é uma mulher pura
e habita as seis da manhã.
E vela pelo nosso regresso
a casa a essa mesma hora,
e brilha nos faróis
dos carros
como um luzeiro omnipresente.

Ela insiste na madrugada
e seu leve rumor de gatos,
e se dissolve entre as ruas
como uma brisa
de aquele verão
em que ela vestia de azul
e beijava com os dentes.

Ela parece um anjo
e sua anatomia luminosa,
ela é regeneração
e uma fonte do meu sangue,
e congela o mundo
quando sorri
e areja os ossos
líquidos como vinagre,
mas fere-se nos espelhos
e não encontra as asas.

E aí estão elas,
cortando o ar
com carícias,
tão pálidas e tão frágeis,
dessa cor dourada
como a luz presa
nos eclipses.

 

*

 

[trad: cas]




lido em: http://www.labellavarsovia.com/autores/dediego.html

publicado por carlossilva às 01:08
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012
un río (nuevas leyes)

 

Un río (nuevas leyes)

La lechera surca despacio Calle Elvira
como símbolo de poder.
Pasará varias veces esta noche
antes de cerrar los garitos
uno a uno, toque de queda a las cuatro,
al estilo europeo.
En las esquinas de siempre
los camellos se molestan en girar la cabeza
y mirar para otro lado.
La lechera avanza despacio.
Un río de alcohol nocturno
se abre a su paso
y fluye,
lo mismo que hace el agua,
cerrándose en torno a ella, discurriendo.
Camisas desabrochadas y collares de oro,
minifaldas y piernas de gacela, perfumes.

 

***

 

jorge díaz martínez

 

córdoba, 1977

 

*



lido em: http://www.labellavarsovia.com/autores/jorgediaz.html

publicado por carlossilva às 00:25
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Sábado, 7 de Janeiro de 2012
elogio de uma imagem

 

O Eusébio tinha feito mais um hat-trick

e comia agora merecidamente os seus tremoços

no meio da esplanada, no meio da primavera, no meio

dos anos sessenta.

 

Essa imagem do Eusébio, novo, no sol da esplanada

foi ficando comigo ao longo dos anos

como um iluminado padrão de sossego e juventude.

 

Não sei bem por onde andará agora essa memória

mas tenho pena de nunca lhe ter dado

um pouco mais de espaço

para se poder esplanar.

 

***

 

daniel maia-pinto rodrigues

 

*


lido em: Publico

publicado por carlossilva às 11:48
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
vens de noite no sonho

 

Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.
 
Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.
 
Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.
 
A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.

 

***

 

ana marques gastão

 

*



lido em: http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1

publicado por carlossilva às 00:31
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
na rua

 

Ninguém por certo adivinha
como essa Desconhecida,
entre estes braços prendida,
jurava ser toda minha...

 

Minha sempre! - E em voz baixinha:
- «Tua ainda além da vida!...»
Hoje fita-me, esquecida
do grande amor que me tinha.

 

Juramos ser imortal
esse amor estranho e louco...
E o grande amor, afinal,

 

(Com que desprezo me lembro!)
foi morrendo pouco a pouco,
- como uma tarde de Setembro...

 

***

 

manuel laranjeira

 

*


lido em: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/laranje.htm

publicado por carlossilva às 01:22
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
receita de ano novo

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

 

***

 

carlos drummond de andrade

 

*


lido em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTM0MDQ5/

publicado por carlossilva às 12:49
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