Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
camboia

 

Os lonxanos sons da guerra

ensombrecen os campos de millo.

Só as túas cadeiras ao recolleres mazorcas

fanme esquecer a amputación das miñas pernas.

 

***

 

lino braxe

 

mugardos, 1962

 

*


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 17:24
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
hospital: a agulla e o palleiro

 

Nin unha alma se move no hospital,

sen folgos berros non quedan moedas,

paredes brancas e brancas sensacións,

bicarbonato de sodio nas veas,

queixume das padiolas finxen tremer,

a agulla e o palleiro,

hoxe bailamos con esa visión.

 

Entre a vida e a morte estou

e ao chegar á alfándega das mágoas

semento bágoas nese mar de algodón

onde naceran sempiternas pingas

que me fan deitar no límite entre

a agulla e o palleiro,

alugo mistos en espiral maior

 

Axeitamos á raíña retorta,

xantamos vacinas de xeito sutil.

Asexamos entre os quirófanos.

O viño on é viño,

senón sangue

coagulada.

 

***

 

fabián barreiro

 

*


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 16:04
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
mulheres sozinhas

 

(Em homenagem a Bulgária, essa bela pátria e as suas gentes)

 

Escuto-as de certo, na hora zero, vão chorar todas juntas a falta da sua

primavera.

Eu simplesmente escuto e são outro silencio no lenço que elas guardam,

atrás do punho dorido, onde as veias irrigam o sangue que sempre é minguante.

 

Falsos são seus sonhos, falsos foram seus homens,

mas elas ainda conseguiram tirar os seus filhos para alem do ódio;

excetuando aquele que nasceram irredimíveis.

 

Às vezes algum morre rebentado no chão, e vermes são as pernas comidas pela

insônia,

às vezes um outro chega a governar acima dum pequeno divã, o globo da terra.

E então terríveis avernos acendem um conselho,

e noites inteiras acumulam um desejo

que a falta de pai trasbordou em miséria.

 

Suas arcas vivem cheias de penas com cisnes.

Os ocos aflitos, almofadas de lagrimas vencidas,

e feios talentos, são como uma rua num beco sem limite;

matam pelo prazer de matar, ou morrem estúpidos por causa de arrebatar-lhes

às mães seus belos altares:

um prato de azeite, um pano rendilhado.

 

Escuto-as no preto que vestem suas saias,

nos lutos adentro que adornam gastadas, as toucas engravidas.

Me olham bem sei, e seguem pelo largo.

Também pensam elas serei eu soldado

e morrerei tal vez

na mesma guerra, aonde seus filhos emigraram

em procura do beco vazio, onde elas foram abandonadas.

 

***

 

artur alonso novelhe

 

méxico D. F., 1964

 

*


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 11:33
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
escrito no livro de horas

 

Enquanto nas cidades costeiras

o coro trágico da posteridade

aspira o ar como um funcionário

que se prepara para as tarefas do dia

avisto uma última vez os teus olhos

 

Os teus olhos deveriam ter nascido em épocas diferentes

em mundos diferentes

não neste lugar panorâmico e incurável

onde os sentidos são repetidamente censurados

nestes barrancos áridos para que o tempo passe

com todas as armas da culpa

 

No salva-vidas enquanto o meu navio se afunda

os teus olhos dos quais nunca me poderia defender

erguem-se num louvor

capaz de ensurdecer para sempre os que duvidam

 

***

 

josé tolentino mendonça

 

*

 


lido em: publico

publicado por carlossilva às 15:10
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Domingo, 4 de Setembro de 2011
mulleres do mar

 

mulleres do mar

mulleres do ar

cabelos de longas esperas

buguinas de tenro ollar

 

vixías dun horizonte

onde as conversas sempre cheiran

a peixe e a sal

 

mulleres esculpidas nas rochas

de fortes brazos e rexas mans

 

ollos de noites eternas

beizos de doce pan

e nos peitos farois ardentes

que manteñen aceso o lar

 

sodes o comezo

do que quero camiñar

sodes o destino

alén do mar.

 

mulleres do Morrazo

mulleres do mar

mulleres das que un só pode

volverse namorar.

 

***

 

miguel ángel alonso diz

 

*


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 17:47
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011
afrodita

 

Afrodita dorme.

Exiliada nun penedo de mármore,

coa escuma de mar reseca

e os corais fendéndolle as trenzas.

 

Coroada de lúas, cala e sofre,

érguese inocente na propria culpa.

E cerra en falso a ferida

que a vai matando.

 

Afrodita dorme,

na Terra das desidias

coas xanelas abertas...

  por si acaso.

 

E mentres tanto o mundo

baila a ritmo de tango...

  esquecéndoa.

 

***

 

asun estévez

bueu, pontevedra, 1966

 

*

 


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 18:06
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