Domingo, 10 de Julho de 2011
soneto do meu desejo

 

daria a minha vida por um verso
que fosse da vida o ápice perfeito
- um verso que não coubesse no universo
fosse embora à medida do meu peito

um só verso luzindo no disperso
desconserto do mundo insatisfeito
que fosse da maldade o puro inverso
e fosse do amor o belo efeito

dez sílabas medidas e não mais
para atestar o desejado enlace
do verbo com o ser, núpcias reais

um verso que esculpisse a exacta face
da esfinge esquiva aos édipos mortais
- um só verso que fosse, mas ficasse

 

***

 

cláudio lima

 

*

 


lido em: http://anunciadordasfeirasnovas.blogspot.com/2006/12/itinera

publicado por carlossilva às 15:51
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Sábado, 9 de Julho de 2011
uma mãe feita para criar bois [espelhados]

Uma mãe feita para criar bois [espelhados],
administrar a base da terra para a permanência.
Fez um filho com a massa negra da noite.

Uma mãe feita para criar bois [gigantes]
e aumentar a sua sombra.

Acendeu velas
para o dia em que seria dona de cria.
Com o movimento,
seu nome mudou-se para outra casa;
pertence a outro número. A outro ofício.

Na mudança:
- De todos os rios por que passou,
ficou-lhes terços de seu cabelo, agora branco,
como espuma de mar.

À noite os rios a visitavam e derramavam
transparências em seu peito. De seu ventre, então,
nasceram cabelos de estrelas e espumas de mar. -

Mais uma vez seu nome foi mudado de casa,
até a vontade se retrair.
Seus cabelos caíram e o nome passou a ser:
poca sombra

e por fim
Nasceu um menino.

 

***

 

karina gulias

 

*



publicado por carlossilva às 01:13
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
balada das vinte meninas friorentas

 


Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.

As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.

As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.

As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.

Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!

Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.

Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!

Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.

 

***

 

matilde rosa araújo

 

*


lido em: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/matilde.htm

publicado por carlossilva às 00:04
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
pode-se escrever

 

Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar numa caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever

 

***

pedro oom

 

*


lido em: http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/6838.html
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publicado por carlossilva às 02:29
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
poética



Hay una máquina de CocaCola
en la antesala de la mina.

Mina
no es una metáfora.
Mina
es el carbón en la frente
y el sudor en las manos.
La mina de mi abuelo. Puede
que también de tu abuelo.
Mina negra. Mina grisú.

CocaCola
es lo que aparece en la caja
de luz donde los hombres se cambian
y cambian palabras -`porque
así no piensan- y esperan
sin céntimos
para la máquina.

En la antesala de la mina
no hay ninguna metáfora.
Hay una máquina de CocaCola
muy luminosa y muy blanca.

Y nadie la toca.

 

***

 

sofía castañon

 

*


lido em: http://www.labellavarsovia.com/autores/castanon.html

publicado por carlossilva às 00:05
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
retrato preferente

 

Dun crepúsculo admirable nace a revelación,

e a certeza

dun presaxio de calmas xa perdidas,

e o inmenso rostro, os ollos

de tanta máscara e tanta sombra ser do fio de Ariadna

cando non houbo labirinto, senón un mar de resplandores,

un mar de resplandores.

 

***

 

xavier rodríguez barrio

 

*


lido em: antologia de poesia galega

publicado por carlossilva às 08:49
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
los años fabulosos

 

Permite una maravilla, y te será devuelto lo imposible.

Aleja la vanidad, y llegará el lúcido.

En el borde del mundo un ave se iza al cielo

de la dicha.

Toma la forma de la juventud, la inocencia del niño, la ventana

del que se asoma para ser asombrado.

Muéstrate, crece: iluminado

por un afán que dure lo que la vida.

En ronda de sentimientos que se abren

para dejar espacio a un aire quieto.

Alza la mirada desde esos hombros que sostienen el cielo.

 

Con su silencio, que no quiere ser pronunciado, vendrá

un amor sin fisionomía

concreta a bailar en tu pecho.

La deriva del mundo

salvará, en lo que aciertes a decir, su ternura.

Las mágicas verdades

tamborilearán en tus sienes.

El tiempo será mágico, y tú en él.

Bajo un instante, y sin saberlo, tendrás todo.

La selva feliz que roba cualquier paisaje anterior.

Las alas limpias para mover lo que ignoran

dejarán en tu mano

sus hojas frescas de rocío.

La aceptación de una luz

que nos acompaña. El amor es su nombre.

 

Trae bienes ligeros. Como el desconocido,

sé soplo, el gran sustituido cuando marches.

Recuerda sin dolor el ruido de la seda en las sábanas.

Lo que fue sonido de amor. Lo que antes de dormir

tuviste y, luego, soñaste, y estaba

al despertar junto a ti. El cuerpo

avariciosamente adorado mientras respiraba

sin saber que lo mirabas y lo derramabas en tus ojos y lo hacías fluir

por el pensamiento de tu mano siempre.

A tu lado: sin término.

 

Sigue soñando hasta que te alcance la vida.

 

Vivimos para el mundo. En su belleza logra

la belleza que mereces. Pon en su rostro el tuyo.

Su ruido de primavera blanca, su sombra

de lo que eliges cuando acaricias,

su don de instante inacabado.

 

Nno inquietes las estrellas, comprende su distancia

y echa a andar.

 

Es una región menesterosa

el amor. Bewllo, inexacto, precipitado, alegre:

Dale tu corazón. Quédate el mío.

 

***

 

marián bárcena

 

santader, 1965

 

*


lido em: cinco x cinco

publicado por carlossilva às 12:18
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Domingo, 3 de Julho de 2011
la maternidad, la sutura

 

Inclinada hacia

aún así

asombrosamente fuerte

 

Es su figura la que hace evolucionar la tela

desde los restos hallados en un armario

hacia la nueva nebulosa

de una Colcha

 

Es esa colcha quien gravita

- nieve y sangre

antropología de algodón

sutura entre el hielo

celacanto o abismo

comedia que de tan dolida

fractal geometría -

sobre cuanto nunca mamá nos dijimos.

 

***

 

estíbaliz espinosa

 

*


lido em: cinco x cinco

publicado por carlossilva às 20:40
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Sábado, 2 de Julho de 2011
construtores de quintas, lda.

 

para a júlia

 

À sombra da couve-galega

no altar da nora enferrujada

edificávamos quintas.

Lâminas de xisto erguiam paredes

lama de rio as agregava,

fósforos decapitados serviam

de portas e cancelas, seixos

delimitavam a parcela,

bugalhos baliam sem boca

cascos ou lã que se visse.

 

Para o final o jardim:

flores sem nome

aos toscos muros arrancadas.

 

Quem nos visse de longe

com lodo nos antebraços,

tão magros ambos a pele tão clara

tomar-nos-ia decerto

não por duas, mas por uma

criança afogada.

 

***

 

rui lage

 

*


lido em: Público
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publicado por carlossilva às 18:12
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
desoras

 

Que sabes tu do inferno de onde estou
a telefonar-te agora? Mas também
como haverias tu de o saber se nem
eu sei já onde estou nem bem quem sou?

Porquê tentar de resto que o soubesses
em vez de te falar dessa promessa
nisso mostrando já melhor cabeça
que seria qualquer sítio onde estivesses

por acaso e eu chegasse por acaso
e depois sucedesse que em me vendo
quisesses cavalgar o tanto atraso
de quanto até então eu fora sendo?

E o rio cuja agonia ao fundo estancas
singraria as tuas mãos nas minhas ancas

 

***

 

miguel serras pereira

 


lido em: http://canaldepoesia.blogspot.com/2011/01/miguel-serras-pere

publicado por carlossilva às 02:37
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