Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
que deus não nos liberte...

 

Que deus não nos liberte das crianças que almejamos ser
Concha, criança agrilhoada de todos os cristais eruptivos:
não admitirás quaisquer que sejam as tuas vidas nunca perdidas.
O deus pequeno, badalado, porque admite que o vendesses à prole, saberá recuar face à chama que exalas pela poesia, nem que te queime os estilhaços que te resta de coração.
Nem os claustros esses, te arrancariam do teu grito de liberdade, o qual bem cedo te acariciou, como estigma da tua única vida, sina tua vivida.
És um verbo, em vida, nunca pela puta despercebida de quinquilharias sentimentais, quais revoltas a tua intrínseca criança, já nascida, agarrada à terra amiga, que não te sepultará.
E nesse carril longo, de esperanças, que causas te obrigariam trabalhar a terra que não digerirá; que te permite, contudo, ciciar as palavras intrometidas que te ferem em momentos de interioridade; elas as ditas, jamais deixarão que te fines no coração de quem se drena pelo seu sangue, que te move como se fosses um criancinha, não desaparecida.

 

***

 

Virgílio Liquito

 

*


lido em: http://filo-cafes.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 19:20
link do post | comentar | favorito

Domingo, 10 de Abril de 2011
biografias...


...quando eu morrer quero que escrevam todas as minhas biografias... ora bem, quero que contem todas as minhas vidas como elas foram, as secretas e as outras... ah, e por deus não esqueçam falar da parte na que fui puta e vivi fora de meu corpo para o poder ir vendendo a homens que sonhavam com se desfazer de uma alma que lhes ardia dentro... eles necessitavam um corpo e a mim sobrava-me... mas nem eles conseguiam deixar em mim a sua alma nem eu consegui nunca me desfazer do corpo que segue comigo ainda hoje, não esqueçam contar isso...


como não devem esquecer contar de minha etapa de freira, quando eu morava num silêncio de pedra que me fazia adoecer os joelhos, aí tinha o meu corpo todo para mim sozinha e o chão duro... mas sobre tudo não se esqueçam de falar da mãe que fui, sempre duvidando de se o estaria a fazer bem, sempre, mesmo tendo a certeza de que não há forma de o fazer bem, nem jeito de saber o que é fazer bem, curei da meninha que ficara danada dentro de mim desde a infância, essa criancinha que todos temos e nos tapa os olhos impedindo-nos ver os filhos e filhas de carne e osso diante de nós...


também quero que contem quando fui deus, e consegui que todos me obedecessem, mas não durei muito tempo porque aquilo dava-me muito trabalho, e quero que saibam que se em alguma cousa eu fui constante foi em aborrecer o trabalho repetitivo, deixei o meu emprego de deus, já tinha deixado o de puta e o de freira antes, ora que esquecer-me de seguir sendo deus custou-me... tenho por aí muitas outras partes que não quero que esqueçam, por justiça não se me vão esquecer da poeta, essa, a coitada padeceu por todas as demais... até pola desenhadora de mapas do inconsciente, que resgatara todas em alguma ocasião...

e a coleccionadora dos suspiros do loureiro, está última noutro tempo teriam-na chamado de louca mas nos tempos que viveu já a gente se desentendera de ver outra gente... e ela via apenas o seu loureiro e contava os seus suspiros... depois sempre saía voando com alguma melra que chegasse ao quintal... mas de entre todas elas se só podem escrever sobre uma... aí então escrevam sobre a labrega, a cultivadora da terra... essa foi a primeira em nascer e a última em morrer, a labrega enterrou as outras todas, incluída a que era deus... e sobretudo enterrou a puta, a labrega estava enraizada no corpo e nem quando era puta, ou freira, ela se foi embora... sempre gravando tudo, nem sei como permite às mãos hoje escreverem isto...

e já agora não se esqueçam da política, essa foi a mais patética, mas o pior é que ela também o sabia, candidata sem fé e com consciência... e as outras biografias todas que ainda faltam, por favor esqueçam-se delas, esqueçam a que cantou em mim, esqueçam essas e as outras todas... depois quando tudo esteja, palavra após palavra, deitado nas folhas, peço que as juntem e as queimem sem ler... meu último desejo é que sejam cinza como eu...


***
concha rousia

covas (galiza), 1962

 

*


lido em: http://filo-cafes.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 15:16
link do post | comentar | favorito

Sábado, 9 de Abril de 2011
m., a última palavra

 

Entre restos de vida passada

refugiava-se o coração de cada um de nós no seu covil,

uma gota de sangue, pequeno vitral de reflexos coloridos,

na orelha de M., a pistola no chão perto da mão, ainda quente a pistola.

 

O que quer que tivesse acontecido

fora em sítios inacessíveis às notícias dos jornais

e aos flashes das máquinas fotográficas

voando agora como aves cegas à sua volta.

 

Um grande mutismo cobrira tudo

gelando os nossos passos e o que disséssemos

ainda antes de pronunciado;

percebia-se, de quem sempre quis ter a última palavra.

 

Não se percebia era a falta de uma explicação ou de um sinal

(ao menos um sinal justificar-se-ia dadas as circunstâncias),

apenas um botão do casaco mal abotoado,

provavelmente sugerindo alguma impaciência.

 

***

manuel antónio pina

 


lido em: Público

publicado por carlossilva às 16:53
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
la india


Veo un santón untado de ceniza
entonando mantras tendido en el suelo
en la estación de Agra.

Sus piernas huesudas y sus harapos
manchados de gris
recuerdan los restos de una hoguera
recién apagada
que aún crepita a mi lado.

Algunos hombres sentados
con las rodillas a la altura de los hombros
me miran y sonríen con su boca de piano.

Veo los saris de colores
de las mujeres,
veo el polvo rojo
del pelo de las casadas
y el amarillo del de las viudas.

Masco un tabaco granate
que escupo torpemente.

Una mujer me ofrece un caramelo
marrón oscuro.

Sabe ácido, dulce, salado y agrio.

A veces sabe a pepino
y otras a Coca Cola.

Un tren destartalado silva.

Recuerda tiempos de colonos
de lenguas y costumbres extrañas.

La algarabía aumenta.

Todos gritan en hindi
para llamar la atención del extranjero.

Pequeños vendedores ambulantes
se cogen de mi mano
y me ofrecen collares.

Acaricio una pequeña talla de Ghanesa
que un niño me vende
para que me dé suerte.

Es suave y huele a bosque.

Me penetra el olor a sudor
de los vagones
y el del curri.

Todo huele a cúrcuma
en La India.

Y a incienso
y a bidis
y a basura.

Y huele a niño
bebiendo leche.

Y huele a enfermo
y a viejo.

En La India
se mascan
y se huelen,
y se tocan,
y se miran
la vida misma
y la misma muerte.

 

***

 

sonia san román

 

villamediana de iregua, 1976

 

*

 

A ÍNDIA

 

Vejo um santo coberto de cinza

Entoando mantras estendido no chão

Na estação de Agra.

 

Suas pernas ossudas e seus trapos

Manchados de cinzento

Recordam os restos duma fogueira

Recém-apagada

Que ainda crepita a meu lado.

 

Alguns homens sentados

Com os joelhos à altura dos ombros

Olham-me e sorriem com sua boca de piano.

 

Vejo os saris às cores

Das mulheres,

Vejo o pó vermelho

Do cabelo das casadas e o amarelo do das viúvas.

 

Masco um tabaco granate

Que cuspo torpemente.

 

Uma mulher oferece-me um caramelo

castanho escuro.

 

É ácido, doce, salgado e azedo.

 

Às vezes sabe a pepino

E outras a Coca Cola.

 

Um comboio destruído apita.

 

Lembra tempos de colonos

De línguas e costumes estranhos.

 

A tagarelice aumenta.

 

Todos gritam em hindi

Para chamar a atenção do estrangeiro.

 

Pequenos vendedores ambulantes

Agarram-me a mão

E oferecem-me colares.

 

Acaricio uma miniatura de Ganesha

Que uma criança me vende

Para me dar sorte.

 

É suave e cheira a bosque.

 

Entranha-se-me o cheiro a suor

Dos vagões

E o do caril.

 

Tudo cheira a açafrão

Na Índia.

 

E a incenso

E a beedis

E a lixo.

 

E cheira a menino

Bebendo leite.

 

E cheira a doença

E a velho.

 

Na Índia

Mascam

e cheiram

e tocam

e olham

a própria vida

e até a morte.

 

*

[trad: cas]

 

 

 


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2007/01/sonia-san

publicado por carlossilva às 20:26
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
a ilha das mulheres


Cuando al amanecer, calmados los vientos
que horas antes agitaban las jarcias,
los tripulantes decidieron dirigirse a la isla
en busca de agua y provisiones,
eligieron una bahía serena y recogida
para desembarcar. Ya en tierra firme,
sobre cada uno de ellos se abalanzaron
más de cien mujeres, y cada una
se disputaba al hombre elegido,
y los hombres, exhaustos,
obligados a gozar sin parar
de todas y cada una de las hembras,
morían con los ojos en blanco.

 

***

 

mercedes escolano


cádiz. 1964

 

*

 

A ILHA DAS MULHERES

 

Quando ao amanhecer, acalmados os ventos

que horas antes agitavam o cordame,

os tripulantes decidiram dirigir-se à ilha

em busca de água e provisões,

elegeram uma baía serena e recolhida

para desembarcar. Já em terra firme,

sobre cada um deles se abalançaram

mais de cem mulheres, e cada uma disputava o homem eleito,

e os homens, exaustos,

obrigados a gozar sem parar

com todas e cada uma das fêmeas,

morriam com os olhos em branco

 

*


[trad. cas]



lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2008/01/mercedes-

publicado por carlossilva às 17:45
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
la reponedora muriel


sólo tú haces de un día vacío todo el día
eres el demiurgo sencillo de un universo diminuto
arrastrando en el círculo sexto sección láctea
todo el palé de la tristeza
repones el ansia con el ansia
y el tiempo con el tiempo
sólo tú tienes la contradicción misma
de los dioses
te vanaglorias de un orden
que será siempre destrozado
y al levantarte con el cuerpo tan antiguo
miras los pasillos inexactos
sección deseo llena de realidad
sección verdad llena de historia
a una simple voz tuya todas las bandejas dicen carne
los mostradores revelan la verdad subconsciente de sus 10 grados
se alinean las hileras
surgen anaqueles rebosantes de todo lo que pueda desearse
sólo tú tienes como todas las mañanas
tres horas justas para crear un día

 

***

 

maría eloy-garcia

 

málaga, 1972

 

 *

 

A REPOSITORA MURIEL


Só tu fazes de um dia vazio todo o dia

És o demiurgo simples de um universo

diminuto

arrastando no sexto círculo secção láctea

toda a palete da tristeza

repões ânsia com ânsia

E tempo com tempo

só tu tens a contradição própria

dos deuses

vanglorias-te de uma ordem

que será sempre destruída

e ao levantares-te com o corpo tão antigo

olhas para os corredores inexatos

secção desejo cheia de realidade

secção verdade cheia de história

a uma voz tua todas as bandejas dizem carne

Os mostradores revelam a verdade subconsciente dos seus 10 graus

alinham-se as fileiras

surgem prateleiras transbordantes de tudo o que possa desejar-se

só tu tens todas as manhãs

apenas três horas para criar um dia

 

*

[trad: cas]



lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2006/12/mara-eloy

publicado por carlossilva às 15:10
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 5 de Abril de 2011
corazon de lluvia


Uve murió una noche alcoholizado por la lluvia.
Uve pensó: por la boca muere el pez.
Y se ahogó bebiendo lluvia.

Pobre Uve tragalalluvia, Uve de traje oscuro,
que a nadie dijo adiós.


Se le veía siempre triste en su despacho,
con la gabardina chorreando
y el paraguas abierto en una esquina.
Decían que era un tipo extraño, Uve,
adusto solitario introvertido.
Que sus tripas sonaban como a lluvia
que miraba de soslayo
que al caminar dejaba charcos
que atraía siempre el temporal.

Pobre Uve de traje oscuro,
asomado a la ventana con su calva imán de lluvia.

¿ Qué no hubiera hecho por ver brillar el sol ?


Soñaba que se cortaba las venas
y su sangre era de lluvia
que su semen germinaba
en un monstruo de lluvia
que sus manos su nariz
y hasta su corazón eran de lluvia.

Pobre Uve tragalalluvia, de iris encharcados,
de ojos de musgo y de rocío.


Se fue como la espuma,
como el fracaso como el viento,
con su maletín negro de lluvia
y el secreto de su pena dentro

sin decir a nadie adiós.

Salió una noche de su casa
alzó la vista al cielo
y se ahogó bebiendo lluvia.

Buscando su destino

perdiéndose en las nubes.


sin ver brillar el sol.

 

***

 

vicente muñoz alvarez


león, 1966

 

*

 

CORAÇÃO DE CHUVA


Uve morreu uma noite alcoolizado pela

chuva.

Uve pensou: pela boca morre o peixe.

E se afogou bebendo chuva.

 

Pobre Uve traga chuva, Uve de fato

escuro,

que a ninguém disse adeus.

 

Estava triste no seu gabinete,

com a gabardina pingando

e o guarda-chuva aberto numa esquina.

Diziam que era um tipo estranho, Uve,

cruel solitário introvertido.

Que os seus intestinos soavam como a chuva

que olhava de soslaio

que ao caminhar deixava charcos

que atraía sempre o temporal.

 

Pobre Uve de fato escuro,

assomado à janela com a sua careca imã de

chuva.

 

O que não teria feito para ver brilhar o sol?

 

Sonhava que cortava as veias

e o seu sangue era de chuva

que seu sémen germinava

num monstro de chuva

que suas mãos seu nariz

e até seu coração eram de chuva.

 

Pobre Uve traga chuvas, de íris

encharcadas,

de olhos de musgo e de orvalho.

 

Foi-se como a espuma,

como o fracasso como o vento,

com sua maleta negra de chuva

e o segredo de sua pena dentro

 

sem dizer adeus a ninguém.

 

Saiu uma noite de sua casa

levantou a vista para o céu

e se afogou bebendo chuva

 

Buscando o seu destino.

 

perdendo-se nas nuvens.

 

sem ver brilhar o sol.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2006/12/vicente-m

publicado por carlossilva às 17:17
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
ejercicio de derrota


Recordar o escribir para vivir de nuevo;
para, como un imán, atraer al presente
las horas calcinadas por un fuego extinguido.
Dibujo o alineo las imágenes, digo
los nombres que avivaron la hoguera, recupero
la fragancia malévola de algún abril dormido.
Pero confieso, en fin, que nunca alcanzo el sueño
que me propongo. Es bello repetir la existencia,
pero lo que yo quiero,
lo que en verdad persigo cada vez que argumento
estas palabras falsas y brillantes y crueles
es vivir sin memoria, por ejemplo, la noche
única en Wadi Rum, descalza de experiencia.
Ver por primera vez mis pies sobre la arena,
el cielo punteado como un cedazo oscuro.
Hundirme en el dolor de aquel descubrimiento.
No volver al pasado, sino empezar de nuevo.

 

***

josefa parra

 

jerez de la frontera (cádiz), 1965

 

***

 

EXERCÍCIO DE DERROTA

 

Recordar ou escrever para viver de novo;

Para, como um imã, atrair ao presente

As horas calcinadas por um fogo extinto.

Desenho ou alinho as imagens, digo

Os nomes que avivaram a fogueira, recupero

A fragância malévola de algum Abril adormecido.

Mas confesso, enfim, que nunca alcanço o sonho

A que me proponho. É belo repetir a existência,

Mas o que eu quero,

O que em verdade persigo cada vez que argumento

Estas palavras falsas e brilhantes e cruéis

É viver sem memória, por exemplo, a noite

Única em Wadi Rum, descalça de experiência.

Ver pela primeira vez meus pés sobre a areia,

O céu ponteado como uma peneira escura.

Afundar-me na dor daquela descoberta.

Não voltar ao passado, mas começar de novo

 

*

[trad: cas]

 


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2008/08/josefa-pa

publicado por carlossilva às 19:58
link do post | comentar | favorito

Domingo, 3 de Abril de 2011
pequeñas comodidades



Yo soy
mi propia secretaria
mi propia
cocinera
mi propia modista.


Yo soy la que
escribe mis poesías
y mis relatos.


No tengo
ningún ayudante
que haga mis recados,
que ordene mis papeles,
que ponga al día mi trabajo,
que mande los
correos electrónicos,
que conteste a mis mensajes
o que hable
con quien haya que hablar.


Soy autosuficiente
y voy a seguir
siéndolo,


soy una mujer,¡vale!

 

***

 

roxana popelka safrika

gijón, 1966


*

 

 

 

 

 

 

 

 

PEQUENAS COMODIDADES

 

Eu sou

A minha própria secretária

 minha própria

cozinheira

minha própria modista.

 

Sou eu quem

escreve minhas poesias

e meus relatos.

 

Não tenho

nenhum ajudante

que faça meus recados,

que ordene os meus papéis,

que ponha em dia o meu trabalho,

que mande o

correio electrónico,

que responda às minhas mensagens

ou que fale

com quem tenha de falar.

 

Sou autosuficiente

e vou continuar

a sê-lo,

 

Sou uma mulher, ok!

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2006/12/roxana-po

publicado por carlossilva às 19:47
link do post | comentar | favorito

Sábado, 2 de Abril de 2011
3 poemas inéditos


me he cansado del frío

el sol no cura nada
tu boca tampoco

yo te quería

*

deseo ser ese hombre
que cepilla el asfalto
como si fuese la grupa de un caballo

deseo ser octubre con charcos
y pájaros negros en las antenas

deseo ser un loco bueno

deseo no pensar
como no piensa un loco bueno
agarrado al tronco de un árbol

*

siempre tuve deseos de ser hombre
gato adoquín insecto obra maestra

madera de violín partitura
lienzo pincel amarillo de cadmio

campo de trigo con o sin cuervos
cristal de sal nuez moscada
higuera tronco de olivo
saco de algarrobas

el azul de los témpanos
la lluvia
el mar rojo
toda tu sangre

serlo
todo a la vez
y recordarlo

 

***

 

isabel bono

 

málaga, 1964

 

*

 

3 poemas inéditos

 

Cansei-me do frio

 

O sol não cura nada

Tua boca também não

 

Eu queria-te

 

*

 

Desejo ser esse homem

Que escova o asfalto

Como se fosse a garupa de um cavalo

 

Desejo ser Outubro com charcos

E pássaros negros nas antenas

 

Desejo ser um louco bom

 

Desejo não pensar

Como não pensa um louco bom

Agarrado ao tronco de uma árvore

 

*

 

Sempre tive desejos de ser homem

Gato godo insecto obra-prima

 

Madeira de violino partitura

Lenço pincel amarelo de cádmio

 

Campo de trigo com ou sem corvos

Cristal de sal noz-moscada

Figueira tronco de oliveira

Saco de alfarrobas

 

O azul dos icebergues

A chuva

O mar vermelho

Todo o teu sangue

 

Ser

Tudo ao mesmo tempo

E recordá-lo

 

***

[trad: cas]



lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2007/01/isabel-bo

publicado por carlossilva às 13:29
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
agenda
18 de abril 2013 19 de abril 2013
Junho 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
14
15

18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


posts recentes

fogo e água

pára-me de repente o pens...

si digo mar

infância

trapo de voz representa o...

nana para gatos a punto d...

sou uma coluna crematória

dois poemas

nacín vello de máis

uelen

arquivos

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

a m pires cabral(4)

adelia prado(5)

adilia lopes(8)

al berto(6)

alba mendez(4)

albano martins(4)

alberte moman(8)

alberto augusto miranda(9)

alexandre teixeira mendes(11)

alfonso lauzara martinez(8)

alice macedo campos(13)

alicia fernandez rodriguez(5)

almada negreiros(4)

amadeu ferreira(8)

ana luísa amaral(6)

ana marques gastao(4)

andre domingues(5)

andreia carvalho(4)

antonio barahona(5)

antonio cabral(5)

antonio gedeao(5)

antonio ramos rosa(7)

anxos romeo(4)

ary dos santos(5)

augusto gil(4)

augusto massi(4)

aurelino costa(11)

baldo ramos(6)

bruno resende(5)

camila vardarac(9)

carlos drummond de andrade(5)

carlos vinagre(13)

cesario verde(4)

concha rousia(4)

cristina nery(5)

cruz martinez(9)

daniel filipe(5)

daniel maia - pinto rodrigues(4)

david mourão-ferreira(6)

elvira riveiro(8)

emma couceiro(4)

estibaliz espinosa(7)

eugenio de andrade(8)

eva mendez doroxo(8)

fatima vale(10)

fernando assis pacheco(4)

fernando pessoa(5)

fiamma hasse pais brandão(5)

florbela espanca(7)

gastão cruz(5)

helder moura pereira(4)

ines lourenço(6)

iolanda aldrei(4)

jaime rocha(5)

joana espain(10)

joaquim pessoa(4)

jorge sousa braga(6)

jose afonso(5)

jose carlos soares(4)

jose gomes ferreira(4)

jose luis peixoto(4)

jose regio(4)

jose tolentino mendonça(4)

jussara salazar(6)

luis de camoes(5)

luisa villalta(4)

luiza neto jorge(4)

maite dono(5)

manolo pipas(6)

manuel alegre(6)

manuel antonio pina(8)

maria alberta meneres(5)

maria do rosario pedreira(5)

maria estela guedes(7)

maria lado(6)

maria teresa horta(5)

marilia miranda lopes(4)

mario cesariny(5)

mia couto(8)

miguel torga(4)

nuno judice(8)

olga novo(17)

pedro ludgero(7)

pedro mexia(5)

pedro tamen(4)

raquel lanseros(9)

roberta tostes daniel(4)

rosa enriquez(6)

rosa martinez vilas(8)

rosalia de castro(6)

rui pires cabral(5)

sophia mello breyner andressen(7)

suzana guimaraens(5)

sylvia beirute(11)

tiago araujo(5)

valter hugo mae(5)

vasco graça moura(6)

virgilio liquito(5)

x. m. vila ribadomar(6)

yolanda castaño(10)

todas as tags

links
pesquisar
 
blogs SAPO
subscrever feeds