Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
advertencia a los que se pierden por deseo



para no llorar
Capitán prefirió
que le arrancaran el ojo

moscas verdes
le copulaban la cuenca

yo sí lloraba

papá se acercó
con la navaja

el ojo era chiquito
en su mano de héroe

el perro no se movió

sostuvo la mirada del filo
mordió el aullido

nunca dejó que le taparan el hueco

 

***

soledad castresana

la pampa (argentina),1979

 

*

 

para não chorar
o Capitán preferiu
que lhe arrancassem o olho

moscas verdes
copulavam-lhe a órbita

eu sim chorava

o papá aproximou-se
com a navalha

o olho era um pequerrucho
em sua mão de herói

o cão não se moveu

susteve o olhar do gume
mordeu o uivo

nunca deixou que lhe tapassem o oco

 

[trad: aam]


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 17:22
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
la última inocencia

 

Partir

en cuerpo y alma

partir.

 

Partir

deshacerse de las miradas

piedras opresoras

que duermen en la garganta.

 

He de partir

no más inercia bajo el sol

no más sangre anonadada

no más fila para morir.

 

He de partir

 

Pero arremete, ¡ viajera !

 

***

alejandra pizarnik

 

 

*

 

a última inocência

 

Partir

em corpo e alma

partir.

 

Partir

desmoronar os olhares

pedras opressoras

que dormem na garganta.

 

Tenho de partir

não mais inércia sob o sol

não mais sangue aniquilado

não mais fila para morrer.

 

Tenho de partir.

 

Ataca, viajante!

 

[trad: alberto miranda]


lido em: Antologia Poética

publicado por carlossilva às 02:06
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
entre os teus lábios

 

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

 

***

eugénio de andrade

 

*


lido em: http://www.astormentas.com/andrade.htm

publicado por carlossilva às 11:50
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
duele y seguir

 

se vacía boca abajo como a una caja de cachivaches- ese impulso y está que arde
al poema
se lo regala, es como una avenida
de pulidos cantos

que vocean acerca del valor de una nevera sin comida, con cuatro hijos: aprendizaje de cómo el hambre no se sosiega con el discurso. Pero ella lo intenta: y ésta fue nuestra primera sesión de lo que duele

así arrastramos la guerra y la posguerra hasta aquí mismo. Nosotras jugábamos intentando llevarnos, literalmente, el gato al agua. Segunda sesión de lo que duelen los torturados, cuando se revuelven

regresemos a Mesa y López: dorada la riqueza, por el salitre se va asimilando a nuestro espíritu, a los calambres, a la carcoma en el chasis. Él señala con su dedo escayolado y grita un nombre propio. Tercera sesión, duele la hermosa virgen por elegida, de viva voz

pero seguimos en honor a mi abuela: como ella barrimos los abusos bajo la alfombra y el hambre que arde
al poema deja caer,
agitando la caja.

Cuarta sesión: duele seguir

***
yaiza martinez
*
em vómito esvazia-se como uma caixa de pechisbeques – esse impulso e está em arder
o poema
se o oferece, é como uma avenida
de polidos cantos

vozeando sobre o valor dum frigorífico sem comida, com quatro filhos: aprendizagem de como a fome não se sossega com o discurso. Mas ela tenta: e esta foi a nossa primeira sessão de o que dói

assim arrastamos a guerra e o pós-guerra até aqui mesmo. Nós brincávamos tentando
triunfar, literalmente levando o gato à água. Segunda sessão de o que doem os torturados quando se revolvem


regressemos a Mesa e López: dourada a riqueza, pelo salitre se vai assimilando ao nosso espírito, às cãibras, à ferrugem do chassis.
Ele aponta com o seu dedo engessado e grita um nome próprio. Terceira sessão, dói a formosa virgem por ser eleita, de viva voz

Mas continuamos em honra da minha avó: como ela varremos os abusos para debaixo do tapete e
a fome que arde
o poema deixa cair
abanando a caixa

Quarta sessão: dói continuar

 

*

[trad: alberto miranda]


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.com/2010/07/yaiza-martine

publicado por carlossilva às 14:02
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
quando eu era viva ou se pelo contrário

 

escrevo onde me dói.

por cima da linha na margem,

em frases de linhas rectas

que não acabam.

 

 

onde me dói.

 

por cima do que me dói.

para doer mais e escrever mais.

 

 

para não parar de escrever,

para não parar de doer.

 

***

sandra guerreiro dias

beja, 1981

 

*


lido em: http://claya.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 11:30
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
mosaico III


Me pides seguridad y me pregunto
si tengo cara de agencia o
mis manos forma de paracaídas.
Apunto el número
de un estudiante de psicología
con el que me lié el viernes pasado
mientras tú decidías el color
de los muebles de nuestra casa.
Quizás te ayude.

 

***

 

sofia castañón

gijón, 1983

 

*


lido em: http://www.labellavarsovia.com/autores/castanon.html

publicado por carlossilva às 02:58
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
imaxes e palabras

 

O mar sabe a morte e a tristeza labrada,

o seu corpo asemella un sartego de silandeira ollada.

 

Buguinas celestes constrúen nel a madrugada

coas súas mans de loito creban a noite que marcha

 

O mar garda os fillos dos naufraxios envoltos nas súas

mortallas - dixo un vello mariñeiro de Moaña.

 

E unha enxoita muller de negra face

no peirao sorrí, agarda e cala,

mentres cos seus osudos dedos o ceo sinala.

 

O mar sabe a morte...

 

***

 

miguel ángel alonso diz

 

*


lido em: Sétimo andar, poesía alén

publicado por carlossilva às 02:05
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
xeque mate

 

Encosta a tua orelha no meu turbante.

É azul. A pele não, está no escuro.

Nos teus dedos aqueces misturas, não compostos.

Suspensa num deslaçar da tempestade próxima,

vou escusando o céu sob o qual habitas.

Está vermelho, empoeirado,

ameaçando de morte o mestre das areias secas.

O xeque mate satisfeito.

O sabor da fruta na boca, não se torna amargo,

evidente etapa, olhar metido na boca, devorado, monstro

corando. A pele muda de cor, deixando de ser

secreta, vulnerável.

Guardo-me sabendo que sentes essa marimba

ecoando, ressoando ternura.

Agora eu sei!Sei como amas a minha aventura sacudida, forma

de me eclodir em atmosfera desejo.

É tanto tanto...

Tanto me entrego num pranto em riso

como numa cantiga em me crer corpo pequeno.

Queria ser raiva e coragem, cigana livre

sem correntes, como as tuas, para a salva no deserto.

Sofres por isso, sem aferro, ou

com este destemperado.

 

***

cristina benedita

 

*


lido em: A Boca Perfumada

publicado por carlossilva às 09:48
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
trieste

 

Nesse verão nenhum de nós buscava terra firme

parecia-nos caminhar há séculos sobre as águas

Donde viemos nós? Como chegámos a esta luz

austríaco sobre as colinas

ao fumo lento no anfiteatro do golfo

à ordem aleatória do tempo?

 

Talvez nos caiba viver por cidades estranhas

em casas que esconderão sempre o seu medo

e a sua glória

sós diante dos céus

sem a certeza culminante

 

Vamos a tarde perder-se na direcção do molhe

o mundo é aquilo que nos separa do mundo

 

***

josé tolentino mendonça

machico, 1965

 

*


lido em: O Viajante Sem Sono

publicado por carlossilva às 12:29
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011
mais nada se move em cima do papel

 

mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

 

***

al berto

 

*


lido em: O Medo
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publicado por carlossilva às 08:24
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