Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
facer de min a túa lenda

 

Facer de min a túa lenda

Entender que descansan sobre ti os restos da verdade,

que é fermosa a mentira,

que debo esquecer aqueles sen principio nen fin que nós éramos.

Pero tento regresar a un ataque de auga detida que empeza

[xustamente nos teus ollos

cando adiviñas a beleza do desastre

e é só imaxe.

Sei que a historia non ten nada que ver co sentimento

e é estraño.

 

Porque ainda así non arrastrará nada que me obrigue a crear

[unha necessidade

ou unha lenda.

 

E por iso renuncio ao drama.

 

Quero a miseria da que agarda. A miseria.

 

***

emma couceiro

cospeito (lugo), 1977

*************************


lido em: mulher a facer vento

publicado por carlossilva às 18:10
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
corpo à tona


Eu respondo à ventania
fico imóvel
rasguem-se ao ar violento
os que nem memória têm.
Não há-de vir à tona, o corpo.
Assim tal qual
desfez-se no susto lento
ao correr das águas
há-de ser agora irreconhecível.

 

Há quem já não se lembre
o corpo à tona já nem memória tem.

 

Assustam-se os que
à vez presentes
no reconhecimento
sim, de outro corpo
além do seu,
não destrinçam
da lembrança o pensamento
só do pensamento
a sua repetição.

 

Assustam-se e disparam a matar.
Eu, a galope
respondo ao tiroteio
fico imóvel.

 

Penso nisso
mergulho nisso.
E o corpo, sim
à tona
e a galope.
Circunstâncias extraordinárias
requerem respostas extraordinárias
respondo ao tiroteio
fico imóvel.

 

***

sérgio godinho

porto, 1945

**********************


lido em: o sangue por um fio

publicado por carlossilva às 17:47
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010
um homem de olhos fechados...

 

Um homem de olhos fechados procurando

Dentro de si memória do seu nome

Um homem na memória caminhando

De silêncio em silêncio derivando

E a onda

Ora o abandonava ora o cobria

 

Com vagos olhos contemplava o dia

Em seus ouvidos

Como um longínquo búzio o mar zunia

Líquida e fria

Uma mão sobre os seus ombros escorria

Era a onda

Que ora o abandonava ora o cobria

 

Um homem só n’areia lisa  inerte

Na orla dansada do mar

Nos seus cinco sentidos devagar

A presença das coisas principie

 

No branco nevoeiro a deusa o via

Solitário erguendo-se do mar

Os cabelos com algas misturados

Os ombros luminosos e molhados

 

O seu corpo era como uma coluna

Sustendo o equilíbrio dos espaços

Água e luz corriam dos seus braços

E uma onda quebrada percorria

O rasto que deixavam os seus passos

 

***

sophia mello breyner andressen

porto, 1919 - 2004

*****************************

 

 

[manuscrito publicado na Única - Expresso de 04.12.2010]


lido em: Revista Única - Expresso

publicado por carlossilva às 13:29
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
as hierofantas aprenden a redescubrir e mentir

 

as hierofantas aprenden a redescubrir e mentir

ó  espermático dinamismo,

falando de todo o tipo de sucedâneos crendo ser

os entendidos hieráticos que sesgan o mercado de

entrañas

nas mulleres de sarxia e fume de cedro,

lamentablemente négalo todo –

pero pra ela que sabe do real malestar psíquico

que desfai a carne dos rostros, non enxendras

outra cousa que: - nin mais, nin menos

 

a miña fiestra estará em Limanora

protexida por catapultas e un “cono de tormentas”

completamente aillada por un cerco de néboa

 

***

anxos romeo

a estrada (pontevedra), 1965

***************************


lido em: mulher a facer vento

publicado por carlossilva às 14:06
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
o estramonio decapita a luz da garza

 

O estramonio decapita a luz da garza
o seu voo
inflama o ventre elíptico da ave
estrangula
as bocas que o bico soñara

 

o ceo tamén era simulación
finximento da selvaxe hora da datura.

 

***

ana romaní

noia (a coruña), 1962

******************


lido em: http://www.barcelonareview.com/46/s_ar.htm

publicado por carlossilva às 13:09
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
ni secreto ni pacto

 

Ni secreto ni pacto

Ni muda sumisión

ni profecía. Escucho como llega

la crecida fluvial de las palabras.

Reúno los despojos. Abrazo

los cadáveres

 

Yycon ellos enciendo

 

 

esta pira común para el olvido

 

***

ada salas

cáceres, 1965

*******************


lido em: http://www.cervantesvirtual.com/portal/poesia/verfoto.format
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publicado por carlossilva às 19:29
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