Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
sobre um mote de camões

 

Se me desta terra for

eu vos levarei   amor.

Nem amor deixo na terra

que deixando levarei.

 

Deixo a dor de te deixar

na terra onde amor não vive

na que levar levarei

amor onde só dor tive.

 

Nem amor pode ser livre

se não há na terra amor.

Deixo a dor de não levar

a dor de onde amor não vive.

 

E levo a terra que deixo

onde deixo a dor que tive.

Na que levar levarei

este amor que é livre livre.

 

***

 

manuel alegre

 

*

 


lido em: Praça da Canção

publicado por carlossilva às 00:22
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
as facas

 

Quatro letras nos matam quatro facas

que no corpo me gravam o teu nome.

Quatro facas amor com que me matas

sem que eu mate esta sede e esta fome.

 

Este amor é de guerra. (De arma branca).

Amando ataco amando contra-atacas

este amor é de sangue que não estanca.

Quatro letras nos matam quatro facas.

 

Armado estou de amor. E desarmado.

Morro assaltando morro se me assaltas.

E em cada assalto sou assassinado.

 

Quatro letras amor com que me matas.

E as facas ferem mais quando me faltas.

Quatro letras nos matam quatro facas.

 

***

Manuel Alegre

 

*************************

 



publicado por carlossilva às 20:53
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Sábado, 25 de Julho de 2009
não sei de amor senão

 

Não sei de amor senão o amor perdido

o amor que só se tem de nunca o ter

procuro em cada corpo o nunca tido

e é esse que não pára de doer.

Não sei de amor senão o amor ferido

de tanto te encontrar e te perder.

 

não sei de amor senão o não ter tido

teu corpo que não cesso de perder

nem de outro modo sei se tem sentido

este amor que só vive de não ter

o teu corpo que é meu porque perdido

não sei de amor senão esse doer.

 

Não sei de amor senão esse perder

teu corpo tão sem ti e nunca tido

para sempre só meu de nunca o ter

teu corpo que me dói no corpo ferido

onde não deixou nunca de doer

não sei de amor senão o amor perdido

 

Não sei de amor senão o sem sentido

sete amor que não morre por morrer

o teu corpo tão nu nunca despido

o teu corpo tão vivo de o perder

neste amor que só é de não ter sido

não sei de amor senão esse não ter.

 

Não sei de amor senão o não haver

amor que dure mais do que o nunca tido.

Há um corpo que não pára de doer

só esse é que não morre de tão perdido

só esse é sempre meu de nunca o ser

não sei de amor senão o amor ferido.

 

não sei de amor senão o tempo ido

em que amor era amor de puro arder

tudo passa mas não o não ter ido

o teu corpo de ser e de não ser

só esse é meu por nunca ter ardido

não sei de amor senão esse perder.

 

Cintilante na noite um corpo ferido

só nele de o não ter tido eu hei-de arder

não sei de amor senão amor perdido.

 

***

Manuel Alegre

 

*******************************


lido em: Livro do Português Errante

publicado por carlossilva às 02:23
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Sábado, 25 de Abril de 2009
abril de sim, abril de não


  

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

 

***

Manuel Alegre (1936)

Águeda - Portugal

 



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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
as mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
 Com mãos tudo se faz e se desfaz.
 Com mãos se faz o poema - e são de terra.
 Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
 
 Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
 Não são de pedras estas casas, mas
 de mãos. E estão no fruto e na palavra
 as mãos que são o canto e são as armas.
 
 E cravam-se no tempo como farpas
 as mãos que vês nas coisas transformadas.
 Folhas que vão no vento: verdes harpas.
 
 De mãos é cada flor, cada cidade.
 Ninguém pode vencer estas espadas:
 nas tuas mãos começa a liberdade. 

 ***

Manuel Alegre



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Domingo, 27 de Abril de 2008
letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre (1936)
Águeda - Portugal


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