Domingo, 6 de Novembro de 2011
cravos vermelhos

 

Bocas rubras de chama a palpitar

Onde fostes buscar a cor, o tom,

Essa perfume doido a esvoaçar

Esse perfume capitoso e bom?!

 

Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas

Doidas de luz, ó almas feitas risos!

Donde vem essa cor, ó desvairadas,

Lindas flores désculturais sorrisos?!

 

... Bem sei vosso segredo... Um rouxinol

Que vos viu nascer, ó flores-do-mal,

Disse-me agora: «Uma manhã, o sol

 

O sol vermelho e quente como estriga

de fogo, o sol do céu de Portugal

Beijou a boca a uma rapariga...»

 

***

 

florbela espanca

 

*


lido em: Poesia Completa

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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
filtro

 

Meu Amor, não é nada: - Sons marinhos

Numa concha vazia, choro errante...

Ah, olhos que não choram! Pobrezinhos...

Não há luz neste mundo que os levante!

 

Eu andarei por ti os maus caminhos

E as minhas mãos, abertas a diamante,

Hão-de crucificar-se nos espinhos

Quando o meu peito for o teu mirante!

 

Para que corpos vis te não desejem,

Hei-de dar-te o meu corpo, e a boca minha

Pra que bocas impuras te não beijem!

 

Como quem roça um lago que sonhou,

Minhas cansadas asas de andorinha

Hão-de prender-te todo num só voo...

 

***

florbela espanca

vila viçosa, 1894-1930

***********************


lido em: Poesia Completa

publicado por carlossilva às 13:10
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
charneca em flor

 

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

 

***

florbela espanca

vila viçosa, 1894 - 1930

*********************


lido em: http://www.ruadapoesia.com/content/category/1/17/36/

publicado por carlossilva às 10:00
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Domingo, 9 de Agosto de 2009
languidez


Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

***

Florbela Espanca

 

****************************

 



publicado por carlossilva às 01:37
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
tarde de mais

 

Quando chegaste enfim, para te ver

Abriu-se a noite em mágico luar;

E para o som de teus passos conhecer

Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

 

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!

Viu-se nessa hora o que não pode ser:

Em plena noite, a noite iluminar

E as pedras do caminho florescer!

 

Beijando a areia de oiro dos desertos

Procurara-te em vão! Braços abertos,

Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

 

E há cem anos que eu era nova e linda!...

E a minha boca morta grita ainda:

Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...

 

***

Florbela Espanca

 

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Sábado, 6 de Junho de 2009
horas rubras

 

Horas profundas, lentas e caladas, feitas de beijos sensuais ardentes,

De noites de volúpia, noites quentes

Onde há risos de virgens desmaiadas...

 

Ouço as olaias rindo desgrenhadas...

Tombam astros em fogo, astros dementes.

E do luar os beijos languescentes

São pedaços de prata pelas estradas...

 

Os meus lábios são brancos como lagos...

Os meus braços são leves como afagos,

Vestiu-os o luar de sedas puras...

 

Sou chama e neve branca e misteriosa...

E sou, talvez, na noite voluptuosa,

Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

 

***

Florbela Espanca

(1894 - 1930)

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publicado por carlossilva às 00:08
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008
ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

 

Florbela Espanca



publicado por carlossilva às 00:01
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