Sábado, 4 de Maio de 2013
2059

 

 

"Nos encontraremos en un lugar en el que no hay oscuridad"

George Orwell

 

 

He imaginado siempre el día de mi muerte.

Incluso en la niñez, cuando no existe.

 

Soñaba un fin heroico de planetas en línea.

Cambiar por Rick mi puesto, quedarme en Casablanca

sumergirme en un lago junto a mi amante enfermo

caer como miliciana en una guerra

cuyo idioma no hablo.

Siempre quise una muerte a la altura de la vida.

 

Dos mil cincuenta y nueve.

Las flores nacen con la mitad de pétalos

ejércitos de zombis ocupan las aceras.

Los viejos somos muchos

somos tantos

que nuestro peso arquea la palabra futuro.

Cuentan que olemos mal, que somos egoístas

que abrazamos

con la presión exacta de un grillete.

 

Estoy sola en el cuarto.

Tengo ojos sepultados y movimientos lentos

como una tarde fría de domingo.

Dientes muy blancos adornan a estos hombres.

No sonríen ni amenazan: son estatuas.

Aprisionan mis húmeros quebradizos de anciana.

      No va a doler, tranquila.

Igual que un animal acorralado

muerdo el aire, me opongo, forcejeo,

grito mil veces el nombre de mi madre.

Mi resistencia choca contra un silencio higiénico.

Hay excesiva luz y una jeringa llena.

 

Tenéis suerte, -mi extenuación aúlla-,

si estuviera mi madre

jamás permitiría que me hicierais esto.


***


raquel lanseros


*

 

 

 2059

 

 

 

"Nos encontraremos num lugar em que não há escuridão"

George Orwell

 

 

Sempre imaginei o dia da minha morte

Inclusive na infância quando não existe

 

Sonhava um fio heróico de planetas em linha

Trocar por Rick o meu posto, ficar em Casablanca

Submergir num lago com o meu amante enfermo

Tombar como uma miliciana na guerra

Cujo idioma não falo

Sempre quis uma morte à altura da vida

 

Dois mil e cinquenta e nove

As flores nascem com metade das pétalas

Exércitos de zombies ocupam os passeios

Somos muitos os velhos

Somos tantos

Que o nosso peso arqueia a palavra futuro

Dizem que cheiramos mal, que somos egoístas

Que abraçamos com a pressão exacta de uma grilheta

 

Estou sozinha no quarto

Tenho olhos sepultados e movimentos lentos

Como uma tarde fria de domingo

Dentes muito brancos enfeitam estes homens

Não sorriem nem ameaçam: são estátuas

Aprisionam meus úmeros quebradiços de anciã

Não vai doer, tranquila

Tal como um animal encurralado,

Mordo o ar, oponho-me, forcejo

Grito mil vezes o nome da minha mãe

Minha resistência choca contra um silêncio higiénico

Há excessiva luz e uma seringa cheia

 

Tendes sorte – minha extenuação uiva

Se fosse viva minha mãe

Jamais permitiria que me fizésseis isto


*

[trad: cas]



publicado por carlossilva às 00:01
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