Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
les chevaux de mine

 

La maison qui t’a nourri te racontait peut-être,
la nuit, l’histoire des chevaux de mine :

Les chevaux de mine naissent et vivent dans les profondeurs ;
c’est entre les murs de la galerie que se trouve leur maison,
                                                                                leur table.
C’est là qu’ils se nourrissent d’énormes quartiers d’obscurité,
                                                                                de houille.
          Ils se nourrissent à tâtons, à la lumière des lampes.
Et, comme des forçats, ils tirent aveuglement les wagonnets.
          Ils charrient encore et toujours,
                                                  tant que dure la vie d’un cheval.
          Ils charrient la lumière à la surface.

Mais eux, à la surface, dans la lumière, ils ne peuvent
                                                                                pas vivre,
même pas à la retraite, quand on les libère de la mine.
          Puisqu’ils sortent dans le monde les yeux bandés.
                    L’obscurité collée au front.

Et c’est comme ça qu’ils vivent encore un peu, dociles.
          Les brises et les arômes les font frémir,
                    dans le hangar délabré, dans la cour de la mine.
          Les yeux bandés, 
jusqu’à ce qu’ils descendent à nouveau dans les profondeurs.

Leur maison est à jamais l’obscurité.

 

***

 

linda maria baros

 

*

 

Os cavalos mineiros

 

A casa que te alimentou te contava talvez,
à noite, a história dos cavalos de mina:

Os cavalos de mina nascem e vivem nas profundezas;
é entre as paredes da galeria que fica a sua casa,
                                                                                a sua mesa.
É aí que se alimentam de enormes pedaços de escuridão,
                                                                                de carvão.
          Eles alimentam-se no escuro, à luz das lâmpadas.
E, como escravos, puxam cegamente os vagões.
          Carregam agora e sempre,

                                                  enquanto dura a vida de um cavalo.
          Carregam a luz para a superfície.

Mas eles, à superfície, à luz, não podem
                                                                                viver,
mesmo na reforma, quando se libertam da mina.
          Porque saem para o mundo de olhos vendados.
                    Com a escuridão colada à testa.

E é assim que eles vivem um pouco mais, dóceis.
          As brisas e os aromas fazem-nos tremer,
                    no armazém em ruínas, no pátio da mina.
          Os olhos vendados, 
até que descem de novo às profundezas.

A sua casa é para sempre a escuridão
.

 

*

 

[trad: cas]


lido em: http://www.lindamariabaros.fr/poemes_de_Linda_Maria_Baros.ht

publicado por carlossilva às 08:50
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