Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
entre las uñas queda un rastro transparente

 

Entre las uñas queda un rastro transparente,

como el camino que marca el caracol en su

angustiosa huída. No sangran sus heridas. Se

rompe la espiral y la eternidad quebrada se

hace pura evanescencia. Como las babas secas

sobre el suelo de cemento. Y arden ahora bajo

sus pies las baldosas, espolvoreadas con migas

y blancas patas de araña. Abejas muertas.

Muchas hormigas. Ni aun cuando llueva podrá

desquitarse de esa pena, del colosal abismo

que se ha abierto como una herida. Que sí

sangra, pero no se desvanece. Dormir sobre la

hierba no es una buena idea. Los gusanos

y las lagartijas amenazan con entrar y arre-

batar lo poco que dentro queda. De su casa,

sus recuerdos. Quimeras escondidas entre la

tierra, entre el sarro de las tejas. Con una sola

piedra esta casa puede hacerse añicos. Sólo

entonces podrá entrar en la buhardilla.

 

Alguien parece estar mirando por la ventana.

Al menos él siente que observan cómo va

dejando su rastro de lágrimas como rocío

sobre las plantas. Y los insectos entre las

rosas le recuerdan cuán insignificante es, y lo

insoportable que se ha vuelto todo.

 

 

***

 

adriana bañares

 

 logroño, 1988

 

*

 

E X C R E S C Ê N C I A

 

Entre as unhas fica um rasto transparente,

como o caminho que o caracol marca na sua

angustiante fuga. As suas feridas não sangram.

Rompe-se a espiral, a eternidade quebrada

torna-se pura evanescência. Como as babas secas

no chão de cimento.  E ardem agora sob

os seus pés as laginhas polvilhadas de migalhas

e brancas patas de aranha. Abelhas mortas.

Muitas formigas. Nem mesmo quando chover se poderá

livrar dessa pena, do colossal abismo

que se abriu como uma ferida. Que sim,

sangra, mas não se desvanece. Dormir sobre a

relva não é uma boa ideia. Os gusanos

e as lagartixas ameaçam entrar e arrebatar

o pouco que ainda está dentro. Da sua casa,

das suas lembranças. Quimeras escondidas entre a

terra, entre o sarro das telhas. Com uma única

pedra esta casa pode ficar em pedaços. Só

então poderá entrar no sótão.   

 

Alguém parece estar a olhar pela janela.

ao menos ele sente que observam como vai

deixando o seu rasto de lágrimas como rocio

sobre as plantas. E os insectos entre as

rosas lembram-lhe o quão insignificante é, e o

insuportável em que tudo se tornou.

 

***

[trad: aam]


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 00:17
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