Segunda-feira, 14 de Março de 2011
noapte cu marsupiu / noite em marsupiu


Autostrada îsi trimite iscoadele încoace.
Pe întuneric, dupa modelul inimii care bate cu tunul
în racanii adormiti sub cearsaful asfaltului,
niste calatori, acolo, si ei.

Oh, buzunarele lor torc, excitate de rotile noptii...
bocancii le stau lipiti adânc de ferestre, de noapte.
În vis îi alapteaza distinse domnisoare cu marsupiu.

Autostrada îsi trimite iscoadele încoace.
Cosasi care-au iesit la câmp. Gluga de iarba
le sta lipita salbatic, cu tunul, de frunte.
Rasturna brazde de-asfalt, dau în polog pânze de ceata,
cresteaza inimi sub asfalt, despica vreun marsupiu.

Si nu departe - ca niste ierburi atipite prin zapezi -
suspina obositi racanii si fac de garda-n somn,
pe dusumele lungi, date cu gaz.

Si nu departe, marea noapte cu nasul turtit de asfalt.
Îi strânge-n navodul ei ca într-o camasa de forta

Cosasii sunt demult la câmp. Gluga de iarba le cade peste ochi.
Ca un marsupiu.
Distinse domnisoare i-au alaptat pe îndelete.
Se duc de-acum la deal,
cara-n spinare cearsaful de asfalt, gluga de smoala.
Se duce noaptea. Tunul tace.

Autostrada îsi împinge iscoade noi încoace.

 

***

linda maria baros

bucareste, 1981

 

*




Noite em marsupium

A auto-estrada lança os seus clarividentes por aqui.
Na escuridão, segundo o modelo do coração que dispara
contra os recrutas adormecidos no edredão de asfalto,
viajantes, também eles.

Em sonhos, distintas meninas os aleitam em marsupium.

A auto-estrada lança os seus clarividentes por aqui.
Segadores que partiram dos campos.
O capuz de erva foi-lhes colado selvaticamente
na fronte, pelo canhão.
Eles escavam o sulco de asfalto
Segam as velas do nevoeiro
Entalham os corações sob o asfalto, fendem os marsupiums.

E em algum lado, não muito longe – como ervas
adormecidas na neve –
suspiram fatigados os recrutas e montam guarda
dormindo ao mesmo tempo
sobre longos pavimentos revestidos de gases.

E em algum lado, não muito longe, a grande noite
de nariz aplainado contra o asfalto
aperta-os na sua rede
como um colete de forças.
Os segadores partiram há muito tempo dos campos.
O capuz de erva cai sobre os olhos dos recrutas.
Como um marsupium.
Distintas meninas os aleitaram muito à sua vontade.
Os recrutas já subiram a costa,
levam no dorso o edredão de asfalto,
o capuz de alcatrão.
A noite escoa-se. Cala-se o canhão.

A auto-estrada empurra os seus clarividentes por aqui.

***

[trad: aam]

 


lido em: http://meninasvamosaovira.blogspot.com/search/label/linda%20

publicado por carlossilva às 18:45
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