Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012
paisagem aquática


 

Violinos de água, cavalos, veados de música,

florestas nocturnas de água e ciprestes.

E a lua, sempre.

Passa nos olhos, no cume da montanha,

a sombra que torna as palavras lentas

 

e os olhos turvos de espuma,

no silêncio espasmódico de beber gota a gota

o espaço que é assim,

lacustre nos olhos do assombro.

 

Porque falta o sol.

E um girassol de palavras que o possa abrir,

na noite, para cobrir a nudez, o vazio,

um esqueleto de nuvens em busca do oiro,

 

da vertigem,

desperto na erupção da bruma, do sangue,

 

 a língua por dentro movendo o besouro negro

(antigo), onde tudo é intolerável,

entre paisagens aquáticas, dunas febris,

 

côndilos esfacelados, fragmentos de música,

magnólias, constelações,

linhas repassadas,

 

entre retalhos meniscais.

 

***

 

maria do sameiro barroso

 

*


lido em: http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/12339.html

publicado por carlossilva às 11:40
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Domingo, 30 de Dezembro de 2012
habitación de hotel, 1931


HABITACIÓN DE HOTEL, 1931
(Edward Hopper)

Si hubiera una promesa
entre tú y yo, una cita
prorrogada, una luz allá a lo lejos
con que poder guiarme;
si quedase esperanza
- aunque fuese una triste
diminuta esperanza -;
si alguna vez tus labios
hubiesen pronunciado
la palabra mortal que yo anhelaba,
o algo que me sonara parecido,
pienso que aún hallaría
razón para aguardarte.
¿Y quién sabe si el trueque de la carne
no fue, de alguna forma, una promesa?

 

***

 

josefa parra

 

*


Del libro Alcoba del água


*

 

QUARTO DE HOTEL, 1931
(Edward Hopper)

Sei houvesse uma promessa
entre ti e eu, um encontro
adiado, uma luz lá ao longe
que pudesse guiar-me;
se restasse esperança
- ainda que fosse uma triste
diminuta esperança -;
se algum dia teus lábios
tivessem pronunciado
a palavra mortal por que eu ansiava,
ou algo que me soasse parecido,
penso que ainda encontraria
razão para esperar por ti.
E quem sabe se a permuta da carne
não foi, de alguma forma, uma promessa?

*


[trad: cas]


lido em: http://lasafinidadeselectivas.blogspot.pt/2008/08/josefa-par

publicado por carlossilva às 19:32
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Sábado, 29 de Dezembro de 2012
el futuro acabará por llegar

 

malgastábamos el tiempo
ordenando en un álbum las fotos del verano
para mirarlas alguna vez con nostalgia

acumulábamos canicas piedras
libros cartas poemas

aplazábamos así la felicidad, la vida

todavía no sé por qué
todavía no sé para cuándo

 

***

 

isabel bono

 

*

 

O FUTURO ACABARÁ POR CHEGAR

 

desbaratávamos o tempo
ordenando num álbum as fotos do verão
para olhá-las qualquer dia com nostalgia

acumulávamos berlindes pedras
livros cartas poemas

aprazávamos assim a felicidade, a vida

ainda não sei porquê
ainda não sei para quando


*

[trad: cas]



lido em: http://www.espacioluke.com/2011/Noviembre2011/bono.html

publicado por carlossilva às 08:03
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012
amor

 

amor

que sostés os meus pulsos coma se foran

cuncas diminutas de cerámica chinesa

 

e non sabes que as cereixas

deixaron de medrar

ata que volvas

 

***

 

dores tembrás

 

*

 

 

amor
que sustentas os meus pulsos como se eles fossem
bacias diminutas de cerâmica chinesa
 
e não sabes que as cerejas
deixaram de crescer
até que voltes

 

*

[trad. cas]


lido em: http://asescollaselectivas.blogaliza.org/2012/04/14/dores-te

publicado por carlossilva às 08:22
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012
lua cheia das almas

 

Na curva do teu corpo,

além tejo,

reclino a alma,

descansada.

 

Desfruto a sombra

fresca,

o mel,

a água da Pátria amada.

 

***

 

conceição paulino

 

*


lido em: Falar Mulher

publicado por carlossilva às 15:04
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012
amor tetrabiblos

 

na cela que é o corpo

fechado

planisfério

fagulha votiva

de hélio

agoniza

a virgem fria

dos cleros

 

na cela que é o corpo

outro corpo

herético

sigila

o cio hermético

almagesto

 

soubessem as negras centelhas

que esta crença liberta

extinguiram todas as vendas

 

matéria dolorosa

evaporada

 

rezassem as missas vermelhas

que este júbilo desperta

constelariam todas as sendas

matéria gloriosa

revelada

 

na cela que é o corpo

outro corpo

duplicata

 

homúnculo & quimera

 

éter na terra cinza no céu

hienos gamos na atmosfera

 

***

 

andréia carvalho

 

*


lido em: Camafeu Escarlate

publicado por carlossilva às 08:06
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Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012
o amaciante mais barato do mercado

 

a máquina de lavar
modelo tanquinho
destrói semanalmente
os tecidos íntimos

 

***

 

ana guadalupe

 

*


lido em: http://welcomehomeroxy.blogspot.pt/search/label/poemas

publicado por carlossilva às 00:01
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012
seguiu vendo o parte do tempo

 

Seguiu vendo o parte do tempo,

non para informarse do estado do tránsito

nin da predición  para os días que non se traballa.

 

O que quería era coñecer de verdade

o clima mais ao xeito para cada sazón.

 

E continuou consultando o almanaque

para saber cando había lúa nova

ou ver ata onde chegaba o crecente.

 

Coidaba que gañara o ceo

ao escoller un minguante

para se desarraigar da tradición urbana,

a época na que mellor prenden

os enxertos.

 

***

 

xoan carlos dominguez alberte

 

*


lido em: Pegadas

publicado por carlossilva às 00:31
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Domingo, 23 de Dezembro de 2012
pulsos abnegados

 

à porta da lama abrem-se os pulsos. abnegados

tornos que accionam a combustão. como se fogo e vento

fossem a mesma faúlha. como se

 

os justos sucumbissem ao mosto

das noites. safra esplêndida e mortal.

cerram-se os dentes. depois as pálpebras.

sofreguidão. depois

continuamos o ornamento do território.

 

***

 

sandra guerreirro dias

 

*


lido em: http://liberatura.net/category/autores/sandra-guerreiro/

publicado por carlossilva às 00:19
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Sábado, 22 de Dezembro de 2012
morada



Dormindo à porta do sonho
teu corpo é a janela que entra

 

***

 

raul macedo

 

*

 


lido em: http://cantarapeledelontra.blogspot.pt/2012/03/poemas-de-rau

publicado por carlossilva às 00:01
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