Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012
indago a forma definitiva do outono

 

Indago a forma definitiva do outono.

Um diálogo pode mudar a paisagem.

Fazer nascer um poema.

Criar obsessões.

Destruir emboscadas.

Cada instante é a metamorfose

de uma asfixia interior.

Confundo os caracteres e um imaginário

se revela numa iconografia fantástica.

Nas entrelinhas, um espectáculo de ironias

reitera entregas e recusas

como um dever por cumprir.

 

***

 

graça pires

 

*


lido em: http://ortografiadoolhar.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 08:44
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
anis para ciclistas

 

 

Ignorar não é esquecer, esquecimento não é ignorância, como cheiro não é fragrância.

Massa frutada de ar-livre é o corpo almado daquel’além arvoredo a prazo da eternidade.

Sem psiquiatrias vãs, faço (assumo) a despesa do instante, que ou é agora ou vai-t’imbora.

A golpe seco, recebo separação e devolução: faço por entender notarialmente as doações, as coacções, os abusos, os azares da fortuna.

E então?

Cai a pique a época ciclística, sabemos que o calor serôdio apodrecerá de gelo à primeira oportunidade – mas por enquanto não.

Inversa piscina que às aves torna peixes, o céu é grande como uma popularidade inesperada.

Retiros estivais zonam ilhéus familiares.

Embatem-se percursos, nacionalizam-se cabeças, mudam-se diversões, concorrem-se laivos pérfidos, procuram-se corpos desavindos de outros.

A edição da tarde transporta pacotes de chá, açúcar amarelo, presilhas de pantalonas senhoris.

É o que faz refrescar o anis. 

 

***

 

daniel abrunheiro

 

*


lido em: http://canildodaniel.blogspot.pt

publicado por carlossilva às 12:26
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012
cuerpo



I

en dónde guardo el miedo
me siento fuerte
a salvo
en qué sitio navego
qué me dará risa o llanto
sino tu cuerpo
sembrador del mundo

II

empiezo con las estaciones

abre el verano: tu cuerpo

III

tus ojos hojas de una higuera
el cristalino en su estanque tiembla

 

***

 

claudia luna fuentes

 

*



(de Ruido de hormigas)


lido em: http://poesiadelafrontera.blogspot.pt/2012/03/claudia-luna-f

publicado por carlossilva às 09:27
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012
numa casa muito estranha

 

"Numa casa muito estranha

toda feita de chocolate

vivia uma bruxa castanha

que adorava o disparate.

Punha os copos no fogão

as panelas na banheira

os sapatos nas gavetas

as meias na frigideira;

escrevia com fios de água

dormia sempre de pé

cozinhava numa cama

e comia no bidé.

Varria a casa com garfos

limpava o pó com farinha

deitava cem gatos na sala

e dormia na cozinha."

 

***

 

antónio mota

 

*



publicado por carlossilva às 08:31
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012
andar por los bordes de esta hoja

 

Andar por los bordes de esta hoja
sin apuntar el paso hacia su centro
Desarmada
Planeo la estrategia para mi avance:

Sitiar la palabra
Replegarla y cercarla
en ese espacio,
ahora supeditado al silencio

Tomo el lápiz
pero, como una espada,
ahuyenta el verbo posible
Sus flancos se dispersan
y vuelvo a andar por los bordes
masticando esta nueva derrota

 

***

 

américa martinez ferrer

 

*


lido em: http://www.gentemergente.com

publicado por carlossilva às 08:12
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Domingo, 25 de Novembro de 2012
unha grande descuberta existencial


Traballadas polo vento, polas pingas d’ auga

chegadas do ceo e do mar salgado,

dunha chuvia fecheira, omnipresente,

as pedras viven unha modificación constante :

medran, minguan, mudan,

estoupan en minúsculos fragmentos.

 

Hai eóns de tempo foron fluído magmático,

ríos de lava fría, espellos de obsidiana,

precipitando en deseños de cores magníficos,

cristalizando en particulas coloidais,

facendo do brando duro, en alquimia perfecta.

 

Pedra sobre pedra, como castelo encantado.

O Pindo, querido gonfalón de rocha dura,

foi un día materia en suspensión,

baluarte sagrado de guerreiros afoutos,

refuxio de aves preeiras e cabras aristotélicas,

de andares pausados e ruminar constante;

campo de orquídeas e flores de coral,

fondo mariño e seixos de cristal,

camposanto de fuxidos e caracois ancestrais

guía de mariños ventureiros e de toda a xente do mar.

 

O día que me aprenderan que as pedras teñen vida

foi unha grande descuberta existencial :

O Pindo era vida en suspensión!

 

***

 

xavier queipo

 

*


lido em: http://asescollaselectivas.blogaliza.org/2012/04/13/xavier-q

publicado por carlossilva às 16:19
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Sábado, 24 de Novembro de 2012
acto de ler

 

O acto de ler reabre feridas. Nos livros

em que isso acontece, com frequência,

poderia ao menos haver um aviso na capa;

assim como se faz com as carteiras de tabaco,

embora se saiba que poucos deixam

de fumar

por isso.

 

***

 

teresa jardim

 

*


lido em: resumo: a poesia em 2010

publicado por carlossilva às 08:59
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012
para nunca esquecer

 

como a mulher me derrama
sob as bençãos do meio dia.

 

Vejo teu quadro, Georgina,
é verão, estamos sós,

 

logo mais, a tarde
também cairá sobre mim.

 

Podemos falar
de ausência à ausência.

 

Até que teus visitantes,
com seus olhos desprezados pelo mundo,

 

me encontrem aqui

 

entre teus cabelos?
na vaporosidade do vestido?

 

É o modo como o teu corpo afasta
o tecido, o que te veste.

 

A duração da cor
movimenta o teu nome

 

entre a flor e o suor,
minha solidão.

 

***

 

roberta tostes daniel

 

*


lido em: http://sedemfrenteaomar.wordpress.com/author/robertatostes/

publicado por carlossilva às 12:14
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012
código



Proclamo um código alternativo:
alheio às palavras,
uma linguagem sem frases,
uma língua que não possa ser condenada à memória,
uma prosa para enganar promessas,
um dialecto mudo sem
listas de preços ou formas de denúncia,
uma fonte gratuita de significados ambíguos,
um modo de expressar tudo quanto não pode ser expresso.

 

***

 

miren agur meabe

 

*

 

[trad: amaia gabantxo]


lido em: http://poesiailimitada.blogspot.pt/2011/02/miren-agur-meabe.

publicado por carlossilva às 12:01
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
que as lágrimas levantem vôo

 

agora mesmo
és 
um cisne.

os teus lagos são jardins do Nada

há pássaros infinitos à revelia e
cultivas laranjas em varandas
de fogo                                    

secretos vasos

desço então pelas tuas asas
de lágrimas:
de
neve
e
ouro

depois nada mais faço

que as lágrimas levantem vôo
da tua

infinita    

face

 

***

 

maria azenha

 

*


lido em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/feito04.html#azenha

publicado por carlossilva às 14:49
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