Sábado, 30 de Julho de 2011
de tanto bater claras d'ovos

 

O triste pode ser azul na guarita dos olhos

ou mais tenso na cisterna do olhar

 

consoante a tua disposição assim o sol

te olha...

 

a mão e o fósforo

 

ardem só de imaginar

 

é uma gaita o que nos prende?

um assobio? iu, iu?

 

assim um bidé estala

à colocação da nádega do teu olhar!

 

vira-te

por de trás do que pensas

ainda não está o teu pensar

 

um peixe circunda o aquário enquanto teus olhos parados

imaginam cataclismos na fedúcia da pupila

 

o vento largo esconde mapas

e os braços entristecem de tanto bater claras d'ovos

 

***

 

aurelino costa

 

*


lido em: Pegadas - Q de Vian Cadernos

publicado por carlossilva às 00:13
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
o que desejei às vezes

 

O que desejei às vezes

Diante do teu olhar,

Diante da tua boca!

 

Quase que choro de pena

Medindo aquela ansiedade

Pela de hoje - que é tão pouca!

 

Tão pouca que nem existe!

 

De tudo quanto nós fomos,

Apenas sei que sou triste.

 

***

antónio botto

 

*


lido em: http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/antonio_botto/poetas_antoni

publicado por carlossilva às 13:34
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
recanto 2

 

Viver, entretanto, é ver, ir vendo
e também ver inclui dormir
sem que nada se desfaça ou exclua
no interior dos sonhos.
 
Pensemos no comércio de viver: passagem dos navios
quando, a passar, se retém a espessa
água do tempo, da tempestade.
 
Um comércio, apenas - desvio da moeda
da trajectória do ouro 
para o papel.
 
Sempre viver incluiu andar percorrer voar
de avião ou com os braços ou num ser de mais
rodas que nos conduza
a outro sentido ambulatório. 

 

 

***

 

luiza neto jorge

 

*


lido em: http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/luiza_neto_jorge/poetas_lui

publicado por carlossilva às 20:46
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
as mãos são erguidas da espuma

 

As mãos são erguidas da espuma
dos bebedouros estancados
que revelam a morte como um ventre.

o lugar mais formoso da terra são as omoplatas dos animais gigantes
e as manjedouras.
queria um diário rente às amígdalas para luzir as espirais estancadas nos pés
que incham pelos reinos arredondados e azuis
onde a morte de uma flor é uma aparição.

.a largura inteira de um planeta.
a noite como um conto espásmico entre a carne
ou um meridiano secreto com leões de coração a meio
e uma vagarosa mulher branca
de seda e aloés.



morre-se de estrelas maduras
arqueando num fogo de prata das planícies
e apenas num dia
equilibra-se o umbigo tão no sangue
como se um ceptro de alta voltagem
na metade luminosa de Deus.



de beleza os incêndios nas ilhas em dias lunares
e as sementes de mel oficinais às ancas
e há uma feiticeira assobiada pelas fogueiras
nas fronteiras onde os pastores perpetuamente.


uma linha verbal irrespirável como calcário das artérias obsessivas.

e o mundo tem uma arte húmida e espaçosa como uma cobra.

 

***

 

cristina néry

 

*


lido em: http://partimonio.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 11:30
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
l cantareiro an sue ruodra


nunca chégan a sue madureç ls uolhos,
puis nun se cánsan de nacer
a cada manhana, cumo nino que
faç i çfaç mundos nun mirar, mas,
quando las manos ls agárran, nun
se déixan amassar i chúben-se na ruodra

solo para mos debolber ua risa de çprézio:
assi i todo, l cantareiro nunca ziste
de sue ceifa de demudar i custruir sin fin,
puis yá muitá daprendiu que naide
dá pul grano d'arena que bieno
a acrecentar la lharga praia.

 

***

 

amadeu ferreira

 

*

 

 


lido em: http://partimonio.blogspot.com/

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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
nocturno



foise a hora dos recolledores de lixo
un estrondo frío
un ronsel de pestilencia
bolboretas mortas
a deshora
como a comitiva fúnebre do amor

unha cadela vagabunda ouvéalle ao baleiro
que deixa o lixo nas canellas
devora os corazóns arrincados
que escorregan do camión
dorme e soña cos amantes mortos
que lle serven de alimento cada noite
co camión dos recolledores de lixo
coa comitiva fúnebre do amor
traba-lingua

lingua limacha largacía
lingua lique guerla
con gula
lingua limo lento lingam engole
lingua lagarta buliga
gabea
gurgulla
lingua lombriga
o seu gume auga gorece
legado de gozo o seu ámago longo
bífida ou lambeteira
anguía ou londra
lingua gulosa
lingua lábil
cunnilingua

 

***

 

elvira riveiro tobio

 

*


lido em: http://bvg.udc.es/indice_paxinas.jsp?id_obra=Po++++++13&id_e

publicado por carlossilva às 13:58
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Domingo, 24 de Julho de 2011
ginsberg de bolso

 

Quando teu Ginsberg de bolso
pulou do oitavo andar
para ensinar-te as lições do desapego
você
por desapego à vida (e não ao livro)
pulou também.

Aberto sobre o teu livro aberto
tipografia sanguínea
escorrendo entre os paralelepípedos
lirismos vermelhos surpreendendo
os rostos dos passantes
que arregalavam os olhos
mas tiravam fotos da tua anatomia sincera
teu corpo mais corpo do que nunca

Se você pudesse ver de fora
não acreditaria na quantidade de sangue
que te irrigava as idéias
sorriria levando as mãos à boca
depois aos ouvidos
quando chegasse a ambulância de altíssima sirene.

 

***

 

camila vardarac

 

*


lido em: http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3918

publicado por carlossilva às 19:06
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Sábado, 23 de Julho de 2011
noticiário

 

Os políticos são tão maus actores,

falazes tão sinceros com acinte

que cada um para si próprio mente

até acreditar que diz verdades.

 

Mas nem sequer actores logram ser:

não passam de palhaços em apuros,

que têm reacções tal qual de burros

à nora, a cumprir mal o seu dever.

 

Dever do deve e haver, mais nada :

os seus discursos zurram só finanças,

insultos à mistura, guinchos, dansas

e fingem sem vergonha e sem piada.

 

Tais palhaços não fazem rir crianças.

 

***

 

antónio barahona

 

*

 


lido em: Público

publicado por carlossilva às 13:16
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
aurora boreal

 

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea

como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,

pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança

de quatro lados iguais,

quatro arestas, quatro vértices,

quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade,

e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens, e o tédio,

e o medo, e a melancolia,

e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,

e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,

arrepiados de medo,

todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

 

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.

 

***

 

antónio gedeão

 

*


lido em: http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/antonio_gedeao/poetas_anton

publicado por carlossilva às 12:17
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
o ronsel de lucy

 

Despois do mimetismo, acordei
nun animismo anímico
o tiro de graza
as tres grazas dos tiros,
a ruleta, a roulotte, o azar do día,
a froita achada no verán
os gomos do xugo,
salivación, esmagamento,
fregas na noite prístina, o principio das
as augas minerais, as capas freáticas
descubertas, femia. Solimán, deidades das
dedas, exvoto de …, apostada nos xeonllos
reza por min, coa boca chea,
oración e comuñón,
a ferradura da amazona,
o inferno do pan, as farangullas do pole,
os xogos florais
a flora vaxinal
a rosa universal, a vixilia,
a nave do tesouro púbico,
rubís de cuspe despois dun punch
because the night, because the night,
o goberno, as células mortas, a obsolescencia e a
adolescencia, as neurotoxinas, os resentidos,
os sensentidos, desmentidos, as eivas nas lembranzas,
a memoria impredicible, un erro
tras outro, errar, de vagar, cuspida, igual,
despido masivo, despedida, adeus,
arrédase de min, arrédome das balas
co sangue mesto
coa carne de éter e
de bater,
unha xornada de soliloquio,
de loanza, rancor, fogo
no sexo, resisto, resistencias
as correntes do amencer
as correntes dos golfos,
a República invade
o anticiclón das Illas,
o arquipélago, a orografía,
o corpo das musas a corpo.
o corpus de pétalas,
rescaldos, recendos
por San Xoán
nos procesos, na febre,
os chamados, os debates sobre o ser, as lerias na sala
de estar, logo... na cociña
menú de marmelo, peitos nutricios
de gozo, de louza,
ata os hemisferios, a vulva,
mapa político,
a división de Eire,
materia gris, borralla, antimateria
pensamentos. Stream consciousness.
Unha canción materna
unha canción de nodriza. O sono
e a patria do mesmo xeito,
e un pitecátropo para Lucy.

Preguntome se anda inda Rotko
ás portas do bosque
dos crimes?
Que se vaia xa!


Olla! Abaixo, alguén chama! O meu corazón bate na porta. Logo
praza, agora, a praza do sintagma,
a protesta da turba, combustible dos pobres,
acubillo, turbillón, mulleres en loita,
amosando documentos, identidade,
estranxeiras, gardadas, segredos,
discreción(disparos), confesión,
ronsel, resistencia ó lume, irresistibles,
coloña de himnos, cartaz,
a verea longa cara dentro, humores,
noite pecha.
Paracelso, nacionalidade
complexa, sen complexos no plexo solar,
sen novidade na fronte do Ebro,
ardentía das nacións indias,
a volta ó rego, a verea longa do xenocidio
a xenética dos salaios, o xénese, os libros de contas
os números, os nomes, o noumeno, non saber que dicir
escribir logo, escribir e pintar
nas cavernas, nos baños das gasolineiras,
palimpsesto on the road, a sexualidade
nos turismos, a velocidade limitada
nas autoestradas, a peaxe sentimental,
a beatificación da risa, e os accidentes
de tráfico nas flores das farolas.
As salas decimonónicas, lenzos,
caloriña para homeless,
os descastados das mellores tribos, sofás,
os oleos da Gallery
santos oleos, aceite de balea, a manteiga derradeiro tango,
unción, punción.
Domingo, señor, o estigma das escrituras, as fontes
da escrita, o círculo polar,
o circo, os colosos atlánticos, aureolas, pupilas
rotación vermelloalaranxada,
diademas encarnadas sen himen,
sufís, místicas,
as escravas circasianas
os circuitos, a circulación,
o rego sanguíneo, o sangue a regos, a vinganza
circunvalación, circuncisión, as achegas
do coito e os coitados ó cristianismo,
a caza da raposa dacabalo,
as receitas da sobremesa
as receitas do cobrecama
o interiorismo
as paredes de papel
o corazón de papel dos poetas rusos,
o almibre das relacións, o botulismo
dos pexegos nas meixelas, o corpo, o ser humano
o sentimentos xenealóxicos,
o sufraxio sentimental, as mensaxes de móbil
as declaracións de intencións, os dereitos civis, os membros,
os mastros, os fungueiros.
Amigo, caro amigo, Saúl, estou moi só no monte

 

***


x.m. vila ribadomar

 

*


lido em: http://partimonio.blogspot.com/

publicado por carlossilva às 17:05
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