Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
verde

 

Está cayendo sobre mí
una lluvia gruesa
que huele a pescado viejo.

 

Se sienten verdes los edificios
y los pasos de cebra.

 

Es más verde
el verde de las hojas
con el tronco ennegrecido
por el agua.

 

Llueve verde y tiñe
de verde mi espanto.

 

Son verdes tus pupilas
mirando esta lluvia de fantasmas.

 

Soy charco que refleja césped
y césped que amontona lluvia.

 

Somos norte y nube y camino
sin norte plagado de nubarrones.

 

Mi voluntad reverdece en esta tarde
mojándome los pies
y, en tus pies mojados,
me tumbo a echar raíces.

 

***

sonia san roman

 

*


lido em: http://blogs.larioja.com/pequena/2009/3/15/-verde-poema-soni

publicado por carlossilva às 14:06
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
rosa en iria

 

Como nos vai na urdime das palabras
por tanto aniversario que trasnoita
e anda en soño sentido nas esperas?

E véxote sempre vir de algar canda os fulgores
do solsticio, noite en luz que nos amence e somos
posuídos pola maxia das fontes e dos mares:

versos brancos cabalados no alto coma pedras
informes onde asubía o vento dos refachos
que despois vai no auxilio de alguén que chama ao lonxe

e grita: ven axiña, non pouses, sube ao colo
da Terra e cadra aquí con nós un tempo
de silencio encantenón acorda outra mornura

e antes foxe o desamor, o esquenzo, a tolería
de non ser senon aquela sombra que acompaña:
ROSALÍA NA DANZA DA RISA E DA INTEMPERIE

NUNCA ALTARES

 

***

 

xosé vásquez pintor

 

*



publicado por carlossilva às 00:44
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
digamos que por el hijo cae la sal sobre las páginas

 

A Carmen: al otro lado

del prisma, el molde

de saber dar

 


Digamos que por el hijo cae la sal sobre las páginas

de un libro primigenio

 

y sólo por él la luna, el sol la tierra (soy mencionada,

como un intenso atributo)

sólo por él no corto los hilos -de la figura,

y aún tejo las redes

 

antes del mar

- en la sangre quedaron bien peinados ,

como hileras,

sus movimientos

 

entonces entonaba la geometría

- el secreto de la colocación balaba

la escritura

del mar vengo, para la tierra he sido

un atributo intenso

 

aquí y ahora no deben ser permutados, justo el tiempo

de la lactancia

 

(susurra de boca del secreto

en la gruta que daba al agua)

 

Sólo por él, el tiempo la obra sobre el tambor

 

del vientre

habrán de clavarme

 

o concedido el amor para entregar la sal,

aún viva

 

cae

de mis manos al libro

 

***

 

yaiza martinez

 

*


lido em: http://lauragiordani.blogspot.com/2011/04/siete-los-perros-d

publicado por carlossilva às 00:31
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
contra mim bate a esperta difusão

 

contra mim bate a esperta difusão

do tempo, a extensa confusão do

olhar, a vibrante galeria da

cor: o espaço. durante uma

pequena e qualquer loucura, não

me componho.

se não somos mudos, ficarei

surdo. nestas rochas onde o

sol se desleixa e persegue as

águias que escondem ninhos

secos.

e é quando tento agarrar

o sol que reparo ter

as mãos convexas

 

***

 

valter hugo mae

 

*


lido em: http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/valter_hugo_mae/poetas_valt

publicado por carlossilva às 12:03
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Domingo, 26 de Junho de 2011
pastelaria

 

Afinal o que importa não é a literatura

nem a crítica de arte nem a câmara escura

 

Afinal o que importa não é bem o negócio

nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

 

Afinal o que importa não é ser novo e galante

- ele há tanta maneira de compor uma estante

 

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício

e cair verticalmente no vício

 

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola

antes de haver cinema madame blanche e parola

 

Que afinal o que importa não é haver gente com fome

porque assim como assim ainda há muita genteque come

 

Que afinal o que importa é não ter medo

de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:

Gerente! Este leite está azedo!

 

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo

à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

 

No riso admirável de quem sabe e gosta

ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

 

***

 

mário cesariny

 

*


lido em: Nobilissima Visão

publicado por carlossilva às 12:00
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Sábado, 25 de Junho de 2011
cremação

 

O efeito desprende-se da causa

tal como a faca se solta

da pura coisa

que não recortou na matéria.

 

E as cinzas de meu pai que estão

ocultas na urna separam-se

do meu berço

 

***

 

fiama hasse pais brandão

 

*


lido em: Público

publicado por carlossilva às 16:31
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
dom são sebastião: os espinhos

 

Regressas... é a hora, agora.

De um ofício de corpo presente?

Por te amar in absentia

O peito me cobriram de sangue

Os sagitários romanos.

Sebastião, meu Sebastião!

 

Nas areias deste areal contas

Pelo rosário que te rezo

Com Deus à escutas nas ondas

Lendas de monstros meninos...

Cruel o nosso fado! A tua virgindade

Coroa o meu pénis com espinhos.

Porque eu sou o grande mar Atlântico

Desejo que por vagas nos conduz

Aos cimos do amor que te tenho...

Eu sou o que às Portas de Hércules se tetém

O nome saboreando à oliva e ao figo seco

Para te amar aqui, além de Além.

 

***

 

maria estela guedes

 

*


lido em: geisers

publicado por carlossilva às 15:39
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
as uvas do cedo


 

Poética matemática

ideas surrealistas antagónicas

vibracións ondulatorias e,

dramas de caixa de música…

Todas elas arrodéanme e coaccionan

formando un ser subliminar

desesperado na súa noite perpetua.

Atácanme palabras baleiras

que saen das gorxas

que se erguen como deuses

sentados na súa gran verdade.

É mellor crer na dúbida

na melancolía, divagación,

na soidade que é unha realidade…

Na limitación que non nos deixa coller

as uvas temperás da nosa vendima

nun amencer de moitos soles, que xiran.

E busco os meus soños como barcos

á deriva, sen tripulación nin capitán.

Só, outro barco pantasma

navegando sen máis.

 

***

 

rosanegra

 

*


lido em: circulo poético 1º aniversário

publicado por carlossilva às 01:17
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
orillas del sar

 

A través del follaje perenne
Que oír deja rumores extraños,
Y entre un mar de ondulante verdura,
Amorosa mansión de los pájaros,
Desde mis ventanas veo
El templo que quise tanto.

El templo que tanto quise...
Pues no sé decir ya si le quiero,
Que en el rudo vaivén que sin tregua
Se agitan mis pensamientos,
Dudo si el rencor adusto
Vive unido al amor en mi pecho.

 

***

 

rosalía de castro

 

*


lido em: http://www.poemas-del-alma.com/rosalia-de-castro-orillas-del

publicado por carlossilva às 11:19
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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
eclipse

 

no colo imaginário funde-se o tempo e o sonho
porque rasgas a fenda do espaço sináptico
pai

 

o antiquíssimo impulso dilacera
virás partilhar a espuma do mar na palavra inaudível dos olhos
pergunto
virás

 

as mãos cheias de mundo
soltarão juntas a melíflua dádiva

 

dá-me esse dia que eu entrego-te o brilho da criação
que sono dormes agora na inerte inquietude do corpo
renasces alado na curva do sopro
não existem pegadas no peito celeste das aves
todos nascem quando acordam
mestres de si

 

a alegria é a empresa que temos adiada
desprivatiza o silêncio e o pelourinho do sangue

 

a madrugada acende o canto de fogo
rego a horta por ti
crescem teus
inéditos risos nas folhas
que todos os dias se alongam verdejantes
guarda o sol dentro de ti

 

ansiolítica a noite quebrará o espelho
o lago renascentista fluirá suspenso
salgado
merífico na esfera azul

 

vou ajaezar o caracol
saio de coração às costas
já te abraço principalmente

***

fátima vale

 

*


lido em: http://www.spabilados.net/

publicado por carlossilva às 09:45
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