Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
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publicado por carlossilva às 03:34
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Domingo, 26 de Dezembro de 2010
cidade de água

 

O sol e o mar recolhem-se na infância

De áridasterras e de casas frias.

São um ser que já foi, nesa distância,

De estar no Tempo em praias de outros dias.

 

Por dentro, é a penumbra do casulo,

cerrado à luz na expectativa informe.

Se vou nascer - a vida não regulo;

Se vou morrer - a morte ainda não dorme.

 

Tinha histórias de espectros para contar,

Labirintos de seda para correr.

Tudo que foi o inverno do luar,

Numa cidade de água a amanhecer...

 

***

natércia freire

benavente  (1920 - 2004)

**********************

 


lido em: Antologia Poética

publicado por carlossilva às 16:32
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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
elementos XV

 

A nudez ensina os espelhos

a serem mar.

 

Sabor a sal inquieto,

tranparência de peixe

- e eu de súbito perdido

com os braços de pedra doida,

hirto

agarrado às ondas...

 

Longa paisagem de seios com nervos femininos

no revérbero mole

de se escaparem ao meu corpo

pesado de sol.

 

***

josé gomes ferreira

porto, 1900 - 1985

**********************


lido em: poesia IV

publicado por carlossilva às 12:29
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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
filtro

 

Meu Amor, não é nada: - Sons marinhos

Numa concha vazia, choro errante...

Ah, olhos que não choram! Pobrezinhos...

Não há luz neste mundo que os levante!

 

Eu andarei por ti os maus caminhos

E as minhas mãos, abertas a diamante,

Hão-de crucificar-se nos espinhos

Quando o meu peito for o teu mirante!

 

Para que corpos vis te não desejem,

Hei-de dar-te o meu corpo, e a boca minha

Pra que bocas impuras te não beijem!

 

Como quem roça um lago que sonhou,

Minhas cansadas asas de andorinha

Hão-de prender-te todo num só voo...

 

***

florbela espanca

vila viçosa, 1894-1930

***********************


lido em: Poesia Completa

publicado por carlossilva às 13:10
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
o meu inédito preferido

 

de todos os meus poemas inéditos

este é o meu preferido

este, que non di nada,

que se aproxima á estupidez

 

cando ti o les

eu sento no trono máis leve do mundo

estamos unidos por un chisco de herba

por unha manchiña de papel

 

estamos unidos por un capricho na sucesión do tempo

porque ti non viviches antes ca min

eu podo dicilo

 

unidos como a palavra lazaward e a palabra azul

como a vítima ao seu verdugo

 

algo tan tenue entre os dous

que nin sequera sei se existe

o meu inédito preferido

 

nin volverei falar do tema

 

***

estibaliz espinosa

coruña, 1974

*****************


lido em: zoommm

publicado por carlossilva às 11:09
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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010
caminhar

 

Caminhar

caminhar sobre pedras

entre giestas

na senda das sombras

ouvir o canto dos melros

o coaxar das rãs nas pedras

puídas

 

caminhar

caminhar entre veredas

nos calcanhares da montanha

respirar a terra

percorrer sinais de pedra

num trilho labiríntico

 

caminhar

caminhar em calado

peregrino

no sonho de escalar o azul

 

***

josé efe

porto, 1960

*****************


lido em: seiva rugosa
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publicado por carlossilva às 17:14
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
concordia

 

pintame as cores da túa vida.

se es invisible aos ollos de todas,

se non podes seguir escribindo dende un

sofá dourada.

 

tocas un piano, como se for unha vida

que che fuxe.

en caida libre,

cometa de desplazamento incontrolable.

pilotarte quero.

 

deixar de sentir que non formo parte

de algo.

ser novamente unha cor no arco da vella,

e ao final atoparme,

moedas.

 

***

eva mendez doroxo

barcelona, 1978

********************


lido em: as sete idades

publicado por carlossilva às 12:47
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Domingo, 19 de Dezembro de 2010
que fique bem claro

 

Que fique bem claro

que é bem mais vago

esse silêncio eloquente e rebuscado

 

Do que essa língua

que apazigua

esse sinistro conflito entre palavras.

 

É nos sentidos

não percebidos

que se elogia a loucura de acordar.

 

***

josé carlos dias

lisboa, 1972

*******************


lido em: zero

publicado por carlossilva às 08:10
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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
no tempo em que as crianças amanheciam

 

no tempo em que as crianças amanheciam,

eu pensava em ter filhos como se bastasse

esfregar as mãos. eu sorria por dentro,

fechava os olhos com força, preparando-me

para o rebentamento das águas. os dias iam

crescendo no meu ventre e, à medida que

cresciam, eu sentia o movimento de rotação

da terra, deitada de barriga para o ar.

porque o meu filho é um astro puro

à volta do qual a terra gira, no

sagrado útero das minhas mãos.

 

***

alice macedo campos

penafiel, 1978

*******************


lido em: um cão em cada dedo

publicado por carlossilva às 02:11
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010
XI

 

El chirrido del tendedor oxidado,
los pies calados en alpargatas,
el llanto de un perro suicida.
Lo oigo todo desde mi cuarto verde.
Sé cuándo os despertáis,
sé la hora de merendar,
y sé el crujido de huesos.
Oigo el escaso rato para el amor,
un coito desapasionado y breve,
un coito como una galleta maría:
aburrido, blando y mojado en leche.
Conozco el itinerario del pasillo,
el material barato del suelo,
el estucado beige,
y nunca los he visto.
Oigo a tus nietos botar el balón,
botan la pelota de baloncesto en mi cráneo,
corren en bicicleta, juegan a las canicas;
a las canicas y a las chapas,
aunque creo que ya no se juega a las chapas.
Me entero de todos sus juegos.
Desde mi cuarto verde
os maldigo mil veces
y os insulto.
Según el tácito código de los vecindarios,
vosotros deberíais saberlo:
dejémonos de sonrisas en el rellano.

 

***

carmen ruiz fleta

zaragoza, 1975

*********************


lido em: http://blogs.larioja.com/pequena/2010/1/23/-xi-poema-carmen-

publicado por carlossilva às 09:48
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