Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
fogo e água

 

Cansa-me ser quem serei

porque emtudo esse outro

se parece com o que sou.

 

Cansa-me o adeus de quem nasce.

E a viagem, à nascença, morre de fadiga.

 

Só a tua lava me lava.

Resto eu em ti

terra ardendo,

chão de água e fogo

 

Abraça-me.

Abrasa-me.

 

***

 

mia couto

 

*


lido em: jornal das letras
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publicado por carlossilva às 17:01
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Domingo, 16 de Junho de 2013
pára-me de repente o pensamento

 

Pára-me de repente o Pensamento...
- Como se de repente sofreado
Na Douda Correria... em que, levado...
- Anda em Busca... da Paz... do Esquecimento

- Pára Surpreso... Escrutador... Atento
Como pára... um Cavalo Alucinado
Ante um Abismo... ante seus pés rasgado...
- Pára... e Fica... e Demora-se um Momento...

Vem trazido na Douda Correria
Pára à beira do Abismo e se demora

E Mergulha na Noute, Escura e Fria
Um olhar d`Aço, que na Noute explora...

- Mas a Espora da dor seu flanco estria...

- E Ele Galga... e Prossegue... sob a Espora!

 

***

 

ângelo de lima

 

*




publicado por carlossilva às 15:50
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Quinta-feira, 13 de Junho de 2013
si digo mar

 

 

 

di mi nombre

abre la boca y ámame con mi nombre diciéndote
               [y entonces tu voz será una herida luminosa
un indicio de todos los perdones
del mundo]

M.A.Becker

 

 

 

SI DIGO MAR no sólo te estoy diciendo
                                                        /estoy diciéndome

Si digo mar estoy diciendo SAL y FUEGO

           /incendio

Si digo mar

estoy diciendo mundo/  meldar el mundo / mundar

con tu voz diciéndome

 

Si digo mar aprendo

                                 /el Mar es mi maestro/ y mi espejo

 

y tú solo eres el suave

                                / crepitar de la ceniza

dentro de la urna crematoria

del mundo

 

sólo la luz marmórea
del mundo 
sólo la piel
sedienta 
de água

SALgada

 

 

[amargos, 
como SAL, como un alga

                                       / tus besos]    

 

***

 

santiago aguaded landero

 

*

 

 

          

 


lido em: http://sal-elalquimistaimpaciente.blogspot.com.es/2013/06/si

publicado por carlossilva às 19:49
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2013
infância

 


há canções mortas grudadas no corpo
domingo nunca mais.

as roupas sujas de barro
araras, andorinhas, canários
fios elétricos cantando na solidão.

as aroeiras cresceram na ausência
seus galhos tortos ferindo os abraços.

as grotas invadindo o amor,
estranha saudade costurando a existência
os arames farpados esticados na linguagem.

 

mangas maduras esperando serem colhidas
mas outro é o alimento dos olhos.

aconteço dentro do suicídio cotidiano
os cadáveres gritam por dentro da angústia
estou por ser engolido pela fome.

 

***

 

sandrio cândido

 

*

 

 


lido em: http://www.aalmaearosa.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 16:55
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Terça-feira, 11 de Junho de 2013
trapo de voz representa o fôlego


equinócio dos acrobatas defloro

 

maquinista que desenha com as duas mãos abertas

na carranca invisível do tempo outras nuvens

 

dois moleques debocham - esquecendo o lodo da história

 

olhos que viajam no vôo das aves

 

rua mansa hoje explodiu em congado

cantos ritmavam ainda mais o batuque

as agulhas se transformaram em víboras

  

este menestrel de soluços grandiosos

ama o silêncio das cores - fotografias de algodão doce -

instantes que choram

 

vazio de tanta misericórdia meu verso não tem disciplina

 

garatujas se confundem com a carne

 

alfaia de incertezas transcende

 

aqui trapo de voz representa o fôlego

 

imagina se todas sonhassem

se as paredes reclamassem vida

 

quem nos acordaria

com que relógio brindaríamos o tempo

 

sei que o néctar do capital é pálido

que as proezas do sanfoneiro se acomodaram nisso

 

mas yatiri fortalece as corolas

 

fogo libertando a língua 

 

aprumo de parábolas o grito

 

na frente do mar nem pude saciar a sede

maresia de alma - coração na boca

veio verdejante - primaveril - o gozo

 

os albergues da razão continuam fechados

 

espelho me propaga desastre

 

a ilusão da pele

o reflexo do olho dentro d’água

 

longe daqui uma melodia pede passagem

tanto que já nem se organiza o peso

 

 

***

 

alain bisgodofú

 

*

 


lido em: http://bisgodofu.blogspot.pt/

publicado por carlossilva às 08:41
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2013
nana para gatos a punto de morir

 

Para Cris. Y Puka.
Decían que la gata iba a morir, y yo les dije ¿Cómo? ¿Acaso viste la sangre? ¿Acaso vas a matarla tú? Decían que la gata iba a morir porque jugaba más que nunca, o porque a veces se embelesaba con un brillo infantil en la mirada, como si comprendiera. Como si comprendiera que se iba a morir. Decían: la gata salta más que nunca porque se va a morir. Pero la gata ni siquiera era nuestra, así que ¿qué se suponía que debíamos hacer cuando muriera? Quizás no se iba a morir, tan sólo quería que la acariciásemos hasta la muerte. Quizás querían que se muriera para poder recordarla. Así ponía las patas cuando estaba cansada. Así gruñía cuando no quería que la tocasen. Así respiraba por la noche. Así se se hacía una bolita para dormir. Así besaba. Así bailaba. Antes de morir. O quizás la recordábamos aún mejor, perfilando cada gesto en su proceso, mientras la veíamos, cuando creíamos que iba a morir.
***
emily roberts
*
Ninagem para gatos prestes a morrer.
Diziam que a gata ia morrer, e eu disse-lhes: O quê? Por acaso viste-lhe o sangue? Por acaso vais matá-la tu? Diziam que a gata ia morrer porque brincava mais do que nunca, ou porque às vezes se embelezava com um brilho infantil no olhar, como se compreendesse que ia morrer. Diziam: a gata salta mais do que nunca porque vai morrer. Mas a gata nem sequer era nossa, assim o que era suposto fazermos quando morresse? Talvez não fosse morrer, apenas queria que a acariciássemos até à morte. Talvez quisessem que morresse para a poderem recordar. Assim punha as patas quando estava cansada. Assim grunhia quando não queria que lhe tocassem. Assim respirava de noite. Assim se enrolava em bola para dormir. Assim beijava. Assim bailava. Antes de morrer. Ou talvez a recordássemos ainda melhor, perfilando cada gesto no seu processo, enquanto a víamos quando acreditávamos que ia morrer.
*
(tradução: alberto augusto miranda)

lido em: http://nervoeiro.blogspot.pt/2013/06/nana-para-gatos-punto-d

publicado por carlossilva às 12:32
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Domingo, 9 de Junho de 2013
sou uma coluna crematória

 

 

sou uma coluna crematória.

queimo teu nome,
aquática.

hidra.

sou o desaguadouro desta espiral de mortos que te antecede. redemoinho. digo que no alto de meu pensamento há uma hóstia: a lâmina de teu minicrânio lunar, liso,

de teus antivocalises de mármore.

*

sou uma hidra de nove línguas, e embaixo de cada uma dessas línguas estão as miniluas-palavras que tu não sabes dizer. os nomes de teus mortos,

intactos.

teus antepassados.

*

é um fluir de espelhos que se ilumina e se turva
na minha saliva.

nas bocas das centenas de mortos
que beijo

através da tua boca.

 

***

 

marceli andresa becker

 

*


lido em: http://cantarapeledelontra.blogspot.com.br/2013/06/um-poema-

publicado por carlossilva às 14:52
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Sexta-feira, 7 de Junho de 2013
dois poemas

I

 

 Pulso quebrado 

da noite

Rasgo 

a lucidez

na

gangorra

dos sonhos

engarrafados 

 

 

 

II

 

No espaço arco-íris

do meu quarto

Não há resposta

para tua dor

Apenas,

silêncios na estante

da tua carne

 

***

 

máh luporini

 

 *

 


lido em: http://www.mallarmargens.com/2012/07/dois-poemas-ineditos-de

publicado por carlossilva às 00:10
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Quinta-feira, 6 de Junho de 2013
nacín vello de máis

 

Nacín vello de máis

para gozar dos encantos lixeiros

ou para me rebelar pasando á acción

Camiñei ás tombadelas

coma unha xunta de bois enfermos

arrastrando os brazos –maromas deitadas aos lados–

polo chan, incapaz de amarrarme a ningures

 

Con desleixo rocei os dorsos das mans

contra as arestas das pedras

por ver se sangrando

–non en tal cantidade que me impedise dar o seguinte paso–

 

conseguía sentir algo distinto

á indiferenza

cósmica

das nubes, que mollándome

nin me miran

 

***

 

david rodríguez

 

*


lido em: http://www.poesiagalega.org/uploads/media/2010_festival_cond

publicado por carlossilva às 13:00
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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013
uelen

 

 

no extremo oriente neste anaco

escolleito pola tundra elixo

abrir a pel da morsa sobre a neve

envolverme na capa que deron

os seus intestinos dita ukkenchin

tallar os seus cairos puídos polas ondas

comer da súa carne sentir

o seu recendo coarse mesto entre as guedellas,

á beira do mar de Bering

no mar dos chukchis na praia

dos seixos escollo como cómpre

ser falante de chukoto

como cómpre a quen se randea

no bordo da extinción

ser falante de chukoto

a lingua dos cazadores

de renos orgullosa lingua

do pobo verdadeiro escollo

ser falante de chukoto

 

***

 

elvira riveiro tobio

 

*


lido em: http://www.poesiagalega.org/uploads/media/2010_festival_cond

publicado por carlossilva às 15:48
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